Em Vargem, Funaro cumpre prisão domiciliar

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Reportagem publicada pelo Uol mostrou imagens aéreas da propriedade de Funaro. Foto: uol

O empresário Lúcio Bolonha Funaro está cumprindo pena de  em sua casa localizada no Jardim São Joaquim, desde o início da madrugada da quinta-feira, dia 21. Apontado como sendo o operador financeiro do esquema do PMDB, Funaro foi ouvido pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal no Distrito Federal, em Brasília, durante audiência de custódia em que teve a prisão domiciliar decretada. Em Vargem, ele poderá receber a visita de parentes de até quarto grau, advogados, profissionais de saúde e sete pessoas informadas à Justiça, entre amigos, vizinhos e pessoas da cidade que o ajudam na administração de seus negócios.
Funaro deixou o presídio da Papuda, em Brasília, na quarta-feira, dia 20. Seguiu em um voo até o aeroporto de Viracopos, em Campinas, de onde se dirigiu para Vargem Grande do Sul. Ele chegou na cidade no início da madrugada do dia 21. Para que obtivesse a autorização para a prisão domiciliar, a casa de Funaro foi preparada com esquemas de monitoramento de câmeras de segurança, que podem ser acessadas em tempo real pela Justiça e pelo Ministério Público Federal.
A prisão domiciliar de Funaro já estava prevista no acordo de colaboração assinado pelo empresário com o MPF. Inicialmente, o juiz Vallisney propôs que Funaro permanecesse em Brasília. No entanto, o mesmo alegou que este era “o último lugar em que queria ficar”, afirmando que por conta de suas delações, está em “batalha com o governo” e que em Brasília, poderia encontrar muitos dos políticos delatados por ele.
Funaro ainda deveria utilizar tornozeleiras eletrônicas, mas como não há mais esses equipamentos em Brasília, ou em São Paulo, ele propôs ao juiz Vallisney a solução de ser monitorado pelo próprio sistema de câmeras de segurança de sua casa em Vargem, o que foi aceito pelo magistrado. Durante a audiência, Funaro chegou a mostrar ao juiz seu celular com imagens em tempo real de sua casa em São Paulo, com a esposa e a filha, para mostrar a viabilidade do sistema.
“As senhas das câmeras quem terá será o juízo e o MPF. Ou seja, o senhor a qualquer hora do dia vai poder entrar na câmera e falar: pede para o Lúcio aparecer na frente da câmera. Segundo: em termos de segurança minha, pessoal, e da minha família, é muito mais fácil eu fazer essa segurança numa cidade pequena do que numa cidade que nem Brasília. O senhor há de convir que hoje eu vivo uma batalha contra o governo. Foi por minha causa que foi apreendido, uma das causas que foi apreendido a maior quantidade de dinheiro vivo pela Polícia Federal já feita no Brasil”, disse Funaro durante a audiência. A solução foi aceita pelo juiz, que em seguida, analisou a lista de pessoas que podem frequentar a casa de Funaro na cidade.

Lista

Conforme o vídeo da audiência que está publicado na plataforma de vídeos youtube na Internet, Funaro pode receber a visita de parentes de até quarto grau, além de profissionais da saúde, advogados constituídos e uma lista de até outras 15 pessoas. Dessa lista, ele apresentou nove nomes, sendo que dois receberam oposição do juiz Vallisney.
Funaro pediu a autorização da entrada dos amigos José Geraldo Cossi e José Ricardo Buozi, dos vizinhos Rafael Izidoro e Norberto Castroviejo, do empresário Luciano Carril, responsável pela administração de um barreiro em seu nome, de Lucas Ranzani, que administra sua fazenda, Apohara Ranzani, veterinário; o médico Gláucio Milan de Andrade e de Marcelo, irmão de Gláucio, com quem jogaria tênis. O juiz se opôs à permissão de José Geraldo Cossi e Marcelo Andrade, observando que o caso poderia ser reavaliado a partir de fevereiro.

Em Vargem

Funaro garantiu ao juiz Vallisney que é do seu interesse cumprir a risca todas as determinações e orientações e que tudo será comunicado à Justiça. “Numa cidade que tem 35 mil habitantes, o senhor tenha certeza que se eu colocar o pé para fora na rua, vai ter 300 pessoas falando que eu pus o pé para fora na rua. Porque tem 300 pessoas lá que no mínimo não devem gostar de mim ou alguma coisa contra. Então se eu vou por, vão denunciar para o senhor na hora. Eu não tenho e não vou fazer nada que eu não seja autorizado”, alegou.
O empresário também demonstrou o interesse de fazer uma faculdade na região e que em seu acordo, existe essa proposta. Ele também relatou que iria se dedicar a terminar os anexos de sua colaboração, cujo prazo se encerra em 60 dias. Ao juiz, disse que iria se dedicar a demonstrar que a colaboração vale a pena. “Vou reciclar minha vida e mostrar para todo mundo que eu tenho capacidade de gerir negócios lícitos sem nenhum problema”, afirmou.
Conforme o acordado com o juiz Vallisney, o empresário se comprometeu a ter todo o sistema montado até 2 de janeiro, com aparelhos para captura de imagem e de backups. Também irá entregar a cada mês um arquivo com todos os vídeos do período e a lista de pessoas que entraram e saíram da residência, com horário de entrada, saída e assinatura de cada um ao lado.

Delação

Funaro é réu de ação penal na qual é acusado de operar um esquema de cobrança de propina de grandes empresas, em troca de liberar recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) administrados pela Caixa Econômica Federal. Ainda não houve sentença, mas o tempo passado preso preventivamente será considerado em caso de eventual condenação.
Na ação, responde por atuar sob o comando do então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), atualmente também preso, nesses desvios. Funaro aceitou delatar políticos de alto escalão do PMDB – entre eles o ex-ministro Geddel Vieira Lima e o ex-deputado Eduardo Cunha – para ter a sua pena amenizada. Dados revelados por ele ajudaram a levar à apreensão de R$ 51 milhões em um apartamento atribuído a Geddel.
Suas informações foram também usadas pela Procuradoria Geral da República para denunciar, pela segunda vez, o presidente Michel Temer. A denúncia, tal como a primeira, foi suspensa pela Câmara dos Deputados. A delação prevê agora mais dois anos de prisão domiciliar, sem o direito de sair de casa, salvo com autorização prévia, outros dois no domiciliar semiaberto e mais dois no domiciliar aberto.
Ele foi detido pela polícia Federal em julho de 2016, durante a Operação Sépsis, dentro da Lava Jato. Segundo o publicado pela Folha de São Paulo, durante seu período na Papuda, fez sete cursos com 180 horas cada um, de atendimento ao público, formação de vendedor e eletricista, inglês, direito do consumidor, biossegurança hospitalar e direito administrativo. Ele também leu e resenhou 13 livros durante o tempo em que ficou preso em Brasília. A leitura contribuiu para que ele conseguisse diminuir 216 dias de sua pena. Entre os títulos escolhidos por ele estão “Conversas que Tive Comigo”, de Nelson Mandela, e “Não Há Silêncio que Não Termine”, que narra os anos de sequestro da jornalista Íngrid Betancourt pelas Farc, da Colômbia. Ele também leu as biografias de Tancredo Neves e do ex-presidente americano Abraham Lincoln.

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