Cidadão questiona compra do Casarão

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Imóvel histórico pode ser desapropriado. Foto: Gazeta

A proposta da prefeitura em desapropriar o casarão histórico da esquina da Praça Capitão João Pinto Fontão, construído pela família D’Ávila na década de 1920 e que atualmente pertence à família Dutra, para abrigar o Departamento Municipal de Educação tem gerado discussão na cidade. Uma das pessoas que tem questionado a iniciativa do prefeito Amarildo Duzi Moraes (PSDB) é o cidadão Ronaldo Balestra, que inclusive foi autor do ofício enviado à Câmara pedindo informações do Legislativo sobre o caso.
A Gazeta de Vargem Grande entrevistou Ronaldo sobre o caso:

Gazeta: Por qual razão você se manifesta contra essa proposta?
Ronaldo Balestra: A manifestação inicial foi minha com certeza, mas com o tempo e através das redes sociais, pode-se notar que uma grande parcela da população também passou a se manifestar contrária a aquisição do referido imóvel. Eu particularmente a princípio fiquei assustado com o valor a ser empregado e como jamais iria colocar valor em algo que não me pertence, achei que em se tratando de dinheiro público, independente se para a Educação não falta dinheiro, a meu ver poderia um valor vultuoso como este ser empregado de outra forma. Talvez até, a população por falta de informações e indignada com o péssimo andamento de alguns serviços, isso por atitudes do próprio Executivo coloque algumas reclamações e indicações em que esse dinheiro não poderia ser aplicado, como por exemplo, tapar buracos, compra de medicamentos e etc… Áreas que não pertencem à educação, o que em nossas diversas postagens procuramos sempre estar esclarecendo.
Por outro lado, o prefeito Amarildo, sem argumentos ou justificativas plausíveis achou uma forma de se manifestar politicamente como por exemplo ligar minha pessoa ao ex-prefeito, dizendo que digo inverdades, ou seja, que minto à população. Com a falta de argumentos, as entrevistas, ou sua fala em algumas reuniões, só me fazem chegar a uma conclusão, o prefeito que tanto diz que o politico tem que estar preparado para pressões, tomar medidas impopulares, mostra-se totalmente despreparado e talvez até descontrolado em enfrentar as tais pressões o que eu as aproveitaria como uma ajuda para governar.
Sabemos que a prerrogativa da desapropriação é do prefeito sim, mas o dinheiro empregado é público. Jamais o mandato recebido pelo prefeito tem a conotação de recebimento de um cheque assinado em branco… Tem sim que ouvir a população.
A fala do próprio prefeito em entrevista ao jornal em 9 de dezembro de 2017 é de uma infelicidade tremenda, onde o mesmo para quem lê, passa a impressão de que elaborou um decreto para atender aos anseios de uma família… Estaria fugindo às responsabilidades?
Por outro lado, o prefeito vangloria-se de algumas atitudes por ele tomadas em que trata como economia para o município: Redução do repasse ao reembolso dos estudantes; Redução na aquisição de medicamentos; Redução de exames; Redução de plantões médicos; Redução de viagens com sistema de passagem de ônibus em linha, o que causa tamanha estranheza uma vez que tivemos pessoas perdendo consulta enquanto tínhamos um ônibus emprestado para a cidade de Mococa; Suspensão da doação de cestas básicas; Não reajuste aos funcionários pela inflação; Retirada do curso de inglês; Logicamente não estou dizendo que o dinheiro empregado na aquisição do casarão poderia ser empregado nisso tudo, mas é importante saber de quem está sendo tirado e como está sendo empregado o dinheiro público, e isso deve sim ser passado a população.
Assusta-me ainda, uma frase em um paragrafo em um oficio de resposta do prefeito à câmara municipal onde o mesmo diz o seguinte: “portanto verdadeira a afirmação de que a responsabilidade é única e exclusivamente do prefeito pela desapropriação”. Neste sentido infelizmente para o senhor prefeito, jamais será implantada e muito menos engolida pelos cidadãos uma ditadura vargengrandense, estamos falando de dinheiro público.

Gazeta: Além do ofício à Câmara, já entrou com algum outro tipo de representação para questionar essa iniciativa?
Ronaldo Balestra: Não, ainda não entramos com representação em nenhum outro órgão, até porque temos que aguardar a decisão judicial e o laudo de perito designado pela Justiça. Acionamos a câmara municipal, porque em nosso entendimento, quando se trata de município e neste caso um valor de alta complexidade, deve-se haver a participação de Executivo e Legislativo.
O prefeito ainda na ânsia de levar para um jogo político, o qual já o convidei para um debate mas acho sinceramente que não traria benefícios ao coletivo do município, e é isso que discutimos, onde diz que eu digo inverdades, justifica em matéria também este jornal que tinha em vista a aquisição de um imóvel para o departamento de educação e por isso enviou o projeto de lei 99/17 para votação na câmara municipal onde entre eles, pedia a abertura de crédito adicional especial de R$ 200.000,00 para aquisição de imóveis. Na justificativa do projeto, vem lá: “o valor de R$ 200.000,00 (duzentos mil) para aquisição de imóvel ainda a ser definido, para instalação do departamento de educação. A definição deste imóvel ocorrerá ate o final deste exercício. (Grifo meu).” Este projeto, com data de 21 de novembro de 2017 o qual foi aprovado me parece por unanimidade, e sinceramente eu também votaria a favor.
Mas…aí eu digo: “Prefeito: o senhor mentiu e ludibriou a câmara municipal”. Porque? Porque 3 dias após a aprovação na câmara o senhor emite o decreto 4540 e se entrássemos onde o senhor tanto quer, que é a velha política, diria o seguinte, o senhor pediu e tinha em mãos datados de 23 de maio de 2017 e 13 de outubro de 2017 laudos de avaliação do imóvel tanto que o empenho 2017070005784 no valor de R$ 5.800,00 (Cinco mil e oitocentos reais) e o empenho 2017100009624 no valor de R$ 2.650,00 (dois mil, seiscentos e cinquenta reais) metade do valor pago ao primeiro, e ambos a profissionais de São Joao da Boa Vista (jamais questionando idoneidade ou competência de tais profissionais) mas por onde o senhor quer levar coisa, mais uma vez, a politica nojenta, um dos quais é filiado dos mais antigos do seu partido naquela cidade, não teríamos aqui em Vargem Grande do Sul profissionais competentes para tanto e aptos a isso? Então senhor prefeito, não cabe à minha pessoa, desqualificação de sua parte.

Gazeta: As argumentações do Executivo consistem em que há recursos no caixa da Educação para tanto; que não será empregada verba do caixa geral da prefeitura (que é destinada a compra de medicamentos, reembolso do transporte dos universitários, entre outros); a necessidade de se preservar um patrimônio histórico, a oportunidade de se adquirir um imóvel para a Educação, que não possui sede própria, etc. Com base nesses pontos, qual a justificativa que você nã concorda? Por qual motivo?
Ronaldo Balestra: As argumentações do Executivo são as mais fracas possíveis. Todos sabemos que a educação, por necessidade, merecimento e também sabendo que a educação é a saída para os maiores problemas sociais de nosso país, a mesma é o “primo rico” dos poderes, mas por se tratar de dinheiro público, está exatamente aí, o motivo de não sair com “estripulias”. O senhor prefeito poderia investir muito mais, se questionasse os professores se os mesmos estão tendo totais condições de lecionar com qualidade sem que haja a necessidade de colocarem dinheiro do próprio bolso para isso.

Gazeta: Com a iminência da aquisição e demolição do casarão, a prefeitura decretou o imóvel de interesse público para fins de desapropriação, conforme informou o Executivo. O que você pensa a respeito da preservação do patrimônio histórico da cidade?
Ronaldo Balestra: Se não me engano, o próprio prefeito disse que um homem deve preservar sua história. Mas eu vou além, preservar a história às custas de alguém? Não, o homem constrói sua própria história e se construída sobre pedras solidas, não há a necessidade de subir nas costas de alguém para preserva-la.
Diante da necessidade de discussão e mais, apresentação de propostas vindas da sociedade está criada a Frente Democrática Direta Vargengrandense (FDDV), onde o principal objetivo é discutir os projetos e ouvir a população. Onde entre outros assuntos, o casarão está presente.

Imóvel histórico pode ser desapropriado. Foto: Gazeta

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