Centenas de pessoas aguardam por exames em Vargem

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Felipe questionou demora de atendimentos na Saúde municipal. Foto: Gazeta

Depois do câncer de pele, o câncer de mama é o mais comum entre as mulheres no Brasil e no mundo. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca) são 59,7 mil casos por ano e 6,91 mortes para cada 100 mil habitantes. Uma das principais formas de identificar o câncer de mama em fases iniciais, aumentando assim as chances de tratamento e cura é a mamografia, conforme destaca o Inca. No entanto, em Vargem Grande do Sul, centenas de mulheres aguardam a realização deste exame pela rede municipal de saúde. Algumas, há anos.
A recomendação do instituto é que mulheres entre 50 e 69 anos façam uma mamografia a cada dois anos. Essa é a rotina adotada na maior parte dos países que implantaram o rastreamento do câncer de mama e tiveram impacto na redução da mortalidade por essa doença. Segundo o Inca, os benefícios da mamografia de rastreamento incluem a possibilidade de encontrar o câncer no início e ter um tratamento menos agressivo, assim como menor chance de morrer da doença, em função do tratamento oportuno.
Mas, a fila de espera por este exame em Vargem pode superar os 600 nomes. Esses números foram debatidos pela Câmara em sessão realizada no início de abril, quando os vereadores cobraram do Executivo informações e providências sobre esta espera. No dia 4, a Gazeta enviou uma série de perguntas para a prefeitura, pedindo informações sobre quantos e quais exames tinham a maior fila de espera e as providências que têm sido tomadas pelo Departamento de Saúde para solucionar o problema.
A prefeitura não respondeu o número de exames, mas informou que os exames com maior demanda são os de endoscopia, ressonância e mamografia.
“Cabe ressaltar que a quantidade de exames ofertada pelo SUS é muito pequena com relação à necessidade do município, sendo disponibilizados mensalmente apenas 60 mamografias, 15 endoscopias e 4 ressonâncias magnéticas”, respondeu em nota.
Na Câmara, a discussão teve início com base no requerimento de Felipe Gadiani (PMDB) que cobrava informações sobre consultas com o psiquiatra na Unidade Básica de Saúde Dr. Gabriel Mesquita, no Jardim Fortaleza. No desenrolar do debate, o vereador Paulinho da Prefeitura (PSB) afirmou que ficou espantado ao receber a informação de que a fila só para o exame de mamografia era de mais de 600 pacientes.
Ele ainda lembrou que há um número alto de pequenas cirurgias aguardando serem realizadas. Ele comparou a situação da Saúde da gestão do prefeito Amarildo Duzi Moraes (PSDB) com a administração anterior, a cargo de Celso Itaroti (PTB), avaliando que na gestão anterior as cirurgias eram feitas com mais frequência e dentro de Vargem, o que não tem ocorrido recentemente. Afirmou ainda que a Câmara precisa cobrar solução para as filas de exame. Lembrou ainda que no ano passado, o governo do Estado trouxe para São Sebastião da Grama a Carreta da Mamografia e que Vargem não conseguiu o mesmo benefício.

Felipe questionou demora de atendimentos na Saúde municipal. Foto: Gazeta

Cirurgias

Felipe Gadiani ainda questionou via requerimento o motivo das cirurgias eletivas estarem sendo feitas em Caconde e não no Hospital de Caridade de Vargem. Perguntou ainda o valor já investido pela prefeitura nesses procedimentos em Caconde. A Gazeta também questionou a prefeitura sobre esta situação, mas não recebeu respostas.
Felipe ainda lembrou que a Câmara de São João da Boa Vista solicitou ao Executivo da cidade vizinha que a devolução do duodécimo da Casa fosse empregado em um mutirão para cirurgias. O vereador sugeriu que o mesmo fosse compactuado em Vargem e que a prefeitura empregasse as sobras do duodécimo da Câmara, que geralmente são devolvidas ao final do ano, para a realização de cirurgias necessárias na cidade.

Outros exames

Além da mamografia, muita gente espera por exames como endoscopia, ressonância, tomografia, entre outros. É o caso de uma leitora que há meses espera a liberação de uma tomografia. “Faz uns seis meses que eu fui lá no posto e seis meses que eu estou esperando. Quem pediu foi um ortopedista por causa de problema na coluna. Ele disse que era pra eu pedir o exame pelo SUS, porque estava indo rápido, mas o rápido dele está demorando seis meses já. Eu fiz uma tomografia particular, R$ 400,00, mas a ressonância que eu estou esperando é R$1.400. Eu fiz um dos exames, mas não consigo fazer o outro. E assim, eu nem imagino quando é que eu vou poder fazer esse exame, já perdi até as esperanças. Esses dias, fui perguntar e me disseram que não sabem, que não tem nem previsão. Enquanto isso, eu só posso esperar”, disse.

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