Desafios da maternidade

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Ana Amélia é psicóloga
Ana Amélia é psicóloga

Com a evolução social e após muita luta, as mulheres conquistaram uma série de direitos. Votar, trabalhar e ter uma carreira, entre outros, que antes lhes eram negados. Porém, todos os afazeres domésticos e a educação dos filhos ainda são atribuídos como obrigação exclusiva da mulher.
Nessa última semana foi possível ver algumas movimentações nas redes sociais falando a respeito dos presentes que as mães ganham na comemoração destinada ao dia delas. Muitas relataram que estão cansadas de ganhar produtos de limpeza, panelas de pressão, entre outros artigos domésticos como presente e levantaram a campanha Dia das Mães Não É Chá de Panela com a hashtag #nãoéchádepanela.
A movimentação ganhou tal repercussão que lojas começaram a ser divulgadas por suas promoções, como um supermercado localizado no Rio de Janeiro que decorou uma de suas prateleiras com os dizeres: Feliz Dia das Mães. O que chamou a atenção é que os produtos em promoção eram amaciantes e desinfetantes.
A reportagem da Gazeta de Vargem Grande procurou a psicóloga Ana Amélia Morandin Ranzani, especialista pela USP em psicologia comportamental (cognitiva, neuropsicopedagoga e psicopedagoga institucional) para falar de como essa situação afeta a vida dessas mães e acima disso, mulheres.
Ana Amélia observou que com todos os afazeres, sejam eles no emprego ou trabalho doméstico, as mulheres acabam ficando sobrecarregadas, o que a longo prazo, quando o indivíduo não consegue realizar atividades que lhe agradam, pode tonar a mulher mais estressada, ansiosa e até mesmo depressiva quando há uma pré-disposição.
A melhor maneira de lidar com essa situação, de acordo com a psicóloga, é dividindo as tarefas com o companheiro. Ou seja, deixando com que ele também tenha as mesmas obrigações como auxiliar os filhos nas tarefas da escola e ajudar nos afazeres domésticos.
Ana Amélia ponderou também que se a mãe fica impaciente ou nervosa, pode afetar de maneira negativa os filhos e consequentemente eles ficam mais agitados, bravos e ansiosos. “Não é saudável para as crianças”, observou a psicóloga.
Ela falou também que os filhos conseguem captar o stress da mãe, mas a devolutiva é em forma de birra e stress, o que contribui para que a mãe fique mais sobrecarregada. “O ideal seria diálogo para expressar o que estão sentindo. Mas tudo na teoria é mais fácil. Na prática, a vida está cada vez mais corrida e estressante. Então, refletir suas atitudes e atividades é necessário para não prejudicar os filhos”, disse.
De acordo com Ana Amélia, planejamento e ações em conjunto podem ser uma boa ideia. “Tudo é questão de organizar seus horários para que a rotina seja mais leve e saudável. Pode ser criativa, unindo a companhia dos filhos para realizar o que gosta, isso seria ótimo, pois, estaria realizando o que planejou e estaria com os filhos”, sugeriu.

 

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