Paralisação dos caminhoneiros chega em Vargem

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Caminhoneiros estão parados próximo ao Jardim Santa Marta desde as 3h da quinta-feira, dia 24. Foto: Gazeta

O aumento do diesel no mês de maio fez com que desde a segunda-feira, dia 21, começasse a greve dos caminhoneiros em todo o país. A paralisação nacional dos caminhoneiros autônomos ganhou forças no terceiro dia de greve e cidades da região de Vargem Grande do Sul começaram a participar do protesto.

Nesta quinta-feira, a paralisação chega ao seu quarto dia e muitos caminhoneiros estão longe de suas casas, por causa da manifestação. O motorista vargengrandense Fernando Expósito, de 50 anos, está parado no pátio do Ceasa, em Belém (PA) desde segunda-feira, início da manifestação. “Eu preferi ficar parado aqui no Ceasa do que colocar minha vida em risco. Não tem condições de sair por aqui, está tudo parado e estamos esperando liberar. Enquanto isso, comemos por aqui mesmo e dormimos em nossos caminhões, não temos o que fazer”, relatou Fernando.

A paralisação chegou em Vargem Grande do Sul, na madrugada de quinta-feira, dia 24, onde caminhoneiros da cidade e região passaram a apoiar a causa e parar caminhões na rodovia SP-215, que liga Vargem Grande do Sul a Casa Branca. Por volta das 8h, a manifestação já contava com cerca de 50 caminhões.

Quando solicitado pelos manifestantes, os motoristas estavam parando no acostamento da via. O caminhoneiro Amilton Franco, de 50 anos, é morador de Poços de Caldas (MG). Ele contou que estava vindo de Altinópolis (SP). “Um caminho que eu faço em três horas, já está durando três dias. Ontem, fiquei parado em Mococa por 12 horas, e aqui estou parado desde as 6h. Os manifestantes entram na frente dos caminhões e mandaram nós encostarmos ao acostamento. Como não sabemos se no lugar está pacífico ou não, encostamos”, relatou Amilton.

Alguns caminhoneiros que são parados gostariam de ter continuado seguindo a viagem, mas afirmaram que apoiam o movimento. “Eu já estou quase em casa, queria conseguir chegar, pois é muito ruim ficar parado na estrada. Mas eu acho que é isso mesmo que temos que fazer. Já não tem condição, estamos sem voz, não é só o diesel que está subindo. Viver está ficando muito caro e o frete não está acompanhando nossas necessidades”, finalizou Amilton.

 

Ação

A Concessionária Renovias, responsável pela SP-215, entrou na Justiça com um interdito proibitório, pedindo que os caminhões deixassem o acostamento. O movimento aceitou pacificamente a decisão da Justiça e se deslocaram para a Avenida Sargento Cassiano. De acordo com o informado à Gazeta, houve a proibição de qualquer manifestação na rodovia e caso o deslocamento fosse recusado, seria imposta uma multa de R$ 300 mil reais, sobre o movimento dos caminhoneiros.

Os manifestantes continuam a paralisação pacífica em Vargem e segundo relataram, o objetivo é manter-se firme todo o dia, porém respeitando as ordens impostas pelo juiz. “Vamos ficar aqui o dia todo, ninguém vai tirar a gente, mas vamos sair da rodovia, pois aqui é da Renovias e a manifestação só é permitida dentro do município, então os caminhões que passarem, nós vamos parar e direcionar para a Avenida acima”, contou um dos membros manifestação de Vargem, o motorista Douglas Tonetti, de 29 anos.

Para eles, o acordo do governo de abaixar 10% do diesel por 15 dias não é considerado vantajoso para os motoristas. “O acordo de reduzir 40 centavos não ajuda em nada, é muito pouco, ficar só 15 dias e depois subir de novo da na mesma, e outra, nas bombas não abaixou ainda, então tá complicado, o Brasil vai parar e Vargem também vai”, disse Douglas

 

Policiamento

O Policiamento Rodoviário conversou com os caminhoneiros e auxiliou no deslocamento dos veículos para fora do acostamento da rodovia. “A policia tem dois caminhos. Ela pode tentar forçar a saída, usando medidas com força maior, ou tentar conversar. Nós conversamos com o pessoal e eles entenderam, o objetivo deles é parar, então é melhor direcionar os caminhões para dentro da cidade. Todos ficaram satisfeitos e trás mais segurança. Eles já começaram a remover os caminhões e nós vamos ajuda-los”, disse o tenente Jivago, do Policiamento Rodoviário.

 

Região

As manifestações da região também estão pacíficas e respeitando as leis, conforme explicou o oficial.  “Na região, todos os pontos estão pacíficos. Estamos com um ponto em Mococa, na SP-338 que liga Mococa a Cajuru, temos um em Tambaú na SP-332 que liga Tambaú a Santa Rosa de Viterbo, e um outro ponto na divisa entre Poços de Caldas e Águas da Prata, na SP-342 no km 251. Ninguém fechou a rodovia e todos estão passando seu recado com segurança”, informou o tenente Jivago.

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