Com fim da paralisação, cidade começa a voltar ao normal

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Maioria dos postos de Vargem já opera normalmente. Foto: Reportagem

Vargem Grande do Sul, bem como a grande maioria dos municípios do país, sofreu com o impacto da paralisação dos caminhoneiros, ocorrida de 21 a 31 de maio. Com os motoristas parados, muitos itens essenciais não chegavam à cidade, como combustível e gás de cozinha, entre outros. Com a possibilidade do estoque de gás cloro usado para o tratamento de água acabar antes da chegada de uma nova remessa, Vargem corria o risco ainda de ficar sem água tratada. Para priorizar os serviços emergenciais, o prefeito Amarildo Duzi Moraes decretou Estado de Emergência Pública na cidade.
Com o acordo entre as lideranças do movimento grevista e o governo federal e até a necessidade de uso de forças federais e do exército para dispersar manifestantes em alguns pontos, a paralisação terminou e Vargem começou a voltar à normalidade. Na quarta-feira, dia 30, muitas empresas já tinham gás de cozinha para vender e postos de combustível estavam renovando seus estoques. Além disso, o gás cloro para o tratamento de água também chegou, com escolta da polícia.

 

Combustíveis

Na manhã de sexta-feira, dia 1º, a Gazeta entrou em contato com postos de combustíveis da cidade para saber como está o abastecimento e se houve aumento no preço. Em alguns postos os valores dos combustíveis continuavam os mesmos de antes da greve. No entanto, alguns já tinham comprado combustíveis com preços elevados e outros ainda não sabiam informar se os preços em suas bombas sofreriam alteração após a normalização.
No Posto Santana ainda não tinha sido normalizado o estoque de combustíveis, mas eles comentaram à reportagem que até a segunda-feira, dia 4, a situação voltaria ao normal. Sobre os preços, informaram que o diesel na quarta-feira, dia 30, já havia tido uma queda de R$ 0,20 e nos próximos dias chegaria com menos R$ 0,26 em seu valor, totalizando os R$ 0,46 determinados pelo governo. O diesel S-500 estava R$ 3,499, o diesel S-10 R$ 3,599. A gasolina está R$ 4,299 o litro e o etanol R$ 2,799. Eles ainda não tinham informação se haveria alteração nos valores de etanol e gasolina.
No Posto Aquarius também não foi normalizado ainda o abastecimento. No dia 31, eles receberam apenas o diesel S-10 e estavam aguardando a chegada de mais combustível na noite da última sexta-feira, dia 1º. Eles ainda não tinham previsão de quando conseguirão normalizar o abastecimento de combustíveis do estabelecimento, pois estão em falta na distribuidora Shell. Conforme explicaram, por este motivo, para atender a todos os postos está havendo um corte nos pedidos feitos. Sobre os valores, antes da greve no posto a gasolina estava sendo vendida a R$ 3,449, o etanol a R$ 2,899 e o diesel a R$ 3,799. Eles não puderam informar os valores que serão praticados após a normalização do estoque, pois não se sabe qual o valor que o combustível chegará para eles.
No Posto São Paulo a situação já está normal. A gasolina está R$ 4,299 e o etanol R$ 2,799. Com relação ao diesel, eles não informaram o valor à reportagem, observando que ainda aguardam para ver se realmente terá o desconto informado.
A situação no Posto São Joaquim também já está de volta ao normal. Eles informaram que o etanol está R$ 2,799 o litro, a gasolina aditivada R$ 4,549, a gasolina comum R$ 4,499. O diesel S-10 R$ 3,799 e o S-500 3,729. Eles já compraram o novo estoque com preço maior.
No Posto Avenida ainda está em falta gasolina e estão tentando comprar o combustível em Paulínia. O diesel eles compraram, mas não conseguiram pelo valor com desconto porque nas refinarias estavam com um estoque grande de combustível refinado antes de ser anunciado os novos preços. Eles acreditam que o diesel com o valor mais barato só chegue depois. No posto os preços continuam os mesmos de antes da greve, a gasolina é R$ 4,29, o diesel S-500 R$ 3,69 e o S-10 R$ 3,79, o etanol R$ 2,69.

 

Motorista

A reportagem entrevistou um dos motoristas que se encontrava no posto Aquarius para perguntar sobre como a Greve dos Caminhoneiros havia impactado na vida dele. Tiago Ramos respondeu que ficou sabendo previamente da greve e que conseguiu encher o tanque do carro antes que o combustível ficasse em falta na cidade.
Tiago falou que sua esposa precisa do carro para trabalhar e levar o filho de oito meses do casal para a escola e como eles residem em um bairro afastado do centro, não havia outra maneira de transportar o bebê com segurança a não ser com o carro. Tiago disse que se não fosse pelo filho pequeno, ele não teria abastecido o carro e daria um jeito de se locomover.

 

Fiscalização

No dia 31, o Governo Federal anunciou a criação de uma rede nacional de fiscalização, para verificar se o desconto no diesel anunciado pelo presidente Michel Temer (MDB) está se refletindo ao consumidor. De acordo com o ministro substituto da Justiça, Claudemir Pereira, a rede será formada pela Secretaria Nacional do Consumidor, Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), ministérios públicos estaduais, procons estaduais, Agência Nacional do Petróleo (ANP) e Advocacia-Geral da União (AGU). Segundo o ministro substituto, em caso de preços abusivos, os postos poderão ser punidos com multas que podem chegar a R$ 9 milhões, além da suspensão temporária das atividades e, em casos mais graves, até da cassação da licença do estabelecimento.

 

Safra da Batata

A Gazeta ainda conversou com Régis Dotta, gerente da Cooperbatata para verificar se a paralisação afetou a safra da batata na cidade. “A safra na nossa região está sendo plantada. A paralização está afetando a continuidade do plantio e também os cuidados com as áreas plantadas. O escoamento ainda não está ocorrendo, pois não estamos colhendo. O preço no momento está alto, devido à falta de oferta”, comentou. Ele explicou ainda que as visitas técnicas foram feitas pontualmente, devido à falta de combustível.
A Associação dos Bataticultores da Região de Vargem Grande do Sul (ABVGS) também falou ao jornal. “A Associação acompanhou a greve dos caminhoneiros que aconteceu durante os últimos dias afim de analisar os impactos desse movimento na sociedade e também no mercado como um todo. Para a bataticultura e para os produtores de nossa região ainda não podemos concluir qual foi o impacto causado, visto que estamos no período de plantio e as nossas batatas ainda não estão sendo colhidas”, informou.

 

Água

O Cloro Gás utilizado para o tratamento de água da cidade foi reposto na tarde desta quarta-feira, dia 30. O caminhão foi escoltado pela Polícia Rodoviária Federal e Polícia Rodoviária Estadual, portanto, não houve falta de água na cidade.

 

Caminhoneiro

Após 15 dias parado em um posto em Belém (PA), o caminhoneiro Fernando Expósito que conversou com a Gazeta na semana passada, conseguiu chegar ao depósito para fazer o carregamento do caminhão. A estimativa é que ele saia de Belém durante a noite de sexta-feira, dia 1, e viaje mais de 48h a 50h sem parar para rever sua família. Fernando ainda não sabe que dia conseguirá chegar em Vargem, mas pretende agilizar ao máximo para chegar no domingo, dia 3, pois, disse que está com muita saudade de sua família. Ele também está receoso de que aconteça outra paralisação das rodovias e que ele fique preso novamente na possível greve.

 

Manifestações

Em Vargem Grande do Sul a população realizou duas mobilizações em apoio aos caminhoneiros. A primeira foi no sábado, dia 26 de maio e a outra na terça, dia 29.

 

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