Criança com alergia alimentar na escola

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A médica Fernanda Coracini Morandin Bombini é mãe de Vítor, de 4 anos, com alergia alimentar. Foto: Arquivo Pessoal

Dra. Fernanda Coracini Morandin Bombini

O ingresso escolar é um evento muito importante na vida de uma criança, pois é o rumo à independência em relação aos pais, a construção de um espaço próprio que marcará seu caminho futuro. A entrada na escola é um desafio para todos os envolvidos em especial para a criança com alergia alimentar. Dessa maneira, decidi escrever essa matéria com o intuito de ajudar e orientar famílias, que assim como eu, convivem com esse desafio diariamente.
Alergia alimentar é uma reação adversa a proteínas presentes em alguns alimentos, como leite de vaca, soja, ovo, trigo, amendoim, oleaginosas, peixes e crustáceos. As proteínas do leite, da soja e do ovo são as que mais causam reações alérgicas em crianças na idade escolar, mas demais alergias também podem acontecer e a escola precisa estar atenta para acolher as especificidades de cada tipo de alergia alimentar.
As manifestações podem ocorrer até mesmo quando há a ingestão de quantidades mínimas do ingrediente. Os sintomas mais comuns são diarreia, prisão de ventre, irritabilidade, refluxo, vômitos, vermelhidão na pele, tosse, chiado, dificuldade para respirar etc. É importante ressaltar que a intolerância à lactose é diferente de alergia à proteína do leite de vaca. Assim, os produtos rotulados como “sem lactose” não são seguros para quem tem alergia a proteínas do leite.

Como receber a criança com alergia alimentar

A criança com alergia alimentar é completamente normal. Não precisa e não deve ser tratada de maneira diferente. É preciso apenas ter cuidados com sua alimentação e com o que os amiguinhos lhe oferecem. Com amor e afeto, a criança e os pais sentirão segurança em relação à escola facilitando a adaptação.
Conversar com os amiguinhos sobre alergia de forma carinhosa pode ser uma excelente forma de ganhar cooperação. As crianças se sentirão mais à vontade para brincar juntas, e a criança com alergia se sentirá compreendida e acolhida.

Cuidados

Conversar com os pais para tirar dúvidas relacionadas ao assunto;
Higienizar bem as mãos antes de manusear os alimentos reduzindo os riscos de reação de contato;
Separar esponjas e utensílios que serão utilizados para o preparo dos alimentos a serem oferecidos a crianças mais sensíveis;
Evitar o uso de frases que a rotulem ou que assuste as demais crianças como por exemplo: “não toque, ela tem alergia”, “você não pode porque é alérgico”.

Hora do lanche

Não é recomendado isolar as crianças na hora do lanche e de brincadeiras que envolvam comida. As crianças gostam de ficar junto dos colegas; Quando o lanche for oferecido pela escola, pais e escola devem conversar antecipadamente sobre o que será oferecido para a criança. Algumas adaptações podem ser necessárias; organizar as crianças de modo que a criança com alergia fique cercada daquelas que trouxerem lanches que não ofereçam riscos levando em consideração qual alergia que a criança tem. É importante que haja um adulto próximo para orientar e auxiliar a criança com suas escolhas. Com esses cuidados a criança se sentirá incluída e segura. A higiene pessoal após o lanche e a limpeza da sala são essenciais para evitar uma reação de contato.

Festas

Os pais de crianças com Alergia Alimentar devem ser informados com antecedência sobre os dias de festas e comemorações. Desta maneira, eles podem levar um kit festa para ela com opções similares que serão oferecidas no dia e evitar situações de exclusão. O mesmo vale para lembrancinhas com guloseimas.

Medicamentos

A escola deve ter arquivado um documento assinado pelo médico e pela família com orientações sobre o uso de medicamentos: quais devem ser usados, em que situações e qual a dose. Nesta ficha, deve ser anotado onde a medicação está guardada para que o acesso seja fácil e rápido, próximo de onde a criança estiver (se ela fica em locais diferentes ao longo do dia, pode ser que seja o caso de ter mais de uma medicação armazenada na escola). Quanto antes medicar, menor o risco de agravamento. Todos que convivem com a criança devem estar treinados para identificar as reações e medicar corretamente de acordo com a recomendação médica contida na ficha. Nos casos em que o médico prescreveu adrenalina auto injetável, todos que convivem com a criança deverão receber treinamento para poder identificar os sintomas e para uma correta aplicação do medicamento. Uma vez aplicado o medicamento, a criança deve ser encaminhada a uma unidade de pronto-socorro para acompanhamento médico.
A alergia alimentar é um desafio para as famílias, pois temos sempre a preocupação de manter o bem estar físico e psicológico de nossas crianças. A boa relação entre os pais e a escola é fundamental para que a criança com restrição alimentar não se sinta excluída e diferente dos demais colegas.

A médica Fernanda Coracini Morandin Bombini é mãe de Vítor, de 4 anos, com alergia alimentar. Foto: Arquivo Pessoal

Dra. Fernanda Coracini Morandin Bombini, CRM 116806
Especialista em Alergia e Imunologia pela Asbai
Especialista em Pediatria pela SBP
FONTE: www.asbai.org.br; www.sbp.com.br; www.poenorotulo.com.br

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