Apesar de lei, cidade não oferece estacionamento para bicicletas

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Mapa do circuito proposto pela arquiteta Letícia Sabino em seu estudo. Foto: Arquivo Pessoal

O vereador Wilsinho Fermoselli (DEM) questiona o prefeito Amarildo Duzi Moraes (PSDB), via requerimento, sobre o cumprimento do projeto de Lei nº 73/2016 que fala sobre a criação de estacionamento de bicicletas em locais abertos à frequência de público, como órgãos públicos, parques, supermercados, escolas, agências bancárias, locais de cultos religiosos, hospitais, instalações desportivas, museus e outros.
No requerimento, Wilsinho pede uma avaliação do pedido de criação de estacionamentos para bicicletas na cidade e fala sobre os problemas que os ciclistas enfrentam para estacionar seus veículos, além do risco de furto que correm ao deixar a bicicleta em qualquer lugar.
Um dos funcionários do Despachante Central, Ângelo Reco Pauleti, disse em entrevista à reportagem da Gazeta de Vargem Grande que vai ao trabalho de bicicleta e que a principal dificuldade é estaciona-la, pois ainda não há estacionamento destinado a esses veículos na cidade.
Ângelo foi o idealizador da proposta que deu origem ao projeto de lei sobre o estacionamento de bicicletas em locais abertos. Ele disse que teve apoio do vereador Wilsinho Fermoseli e do Diretor de Convênios, Fábio Costa.
Ele falou também que a cidade precisa investir na orientação dos ciclistas em relação às leis de trânsito, pois muitos andam na contramão de direção, não respeitam o semáforo e isso contribui para que haja mais acidentes.

Ciclovias

A arquiteta Letícia Sabino fez um estudo para seu Trabalho Final de Graduação (TFG) sobre a melhor implantação de Ciclovias ou Cliclofaixas em Vargem Grande do Sul. Em entrevista à Gazeta de Vargem Grande a arquiteta falou sobre a diferença entre Ciclovia e Ciclofaixa e qual delas é a mais adequada para a cidade.
“A ciclovia caracteriza-se por ser mais estruturada em relação à ciclofaixa, com barreiras físicas que a separam dos veículos. Já a ciclofaixa é apenas uma faixa pintada no chão sem separação física. Sendo a primeira mais indicada para avenidas e vias expressas, pois protege o ciclista do tráfego rápido e intenso, enquanto a ciclofaixa é mais indicada para locais com tráfego menos veloz, pois utiliza da estrutura viária já existente”, explicou.
“Em relação à qual seria a mais apropriada acredito ser a ciclovia, já que a mesma poderá passar por locais de fluxo intenso de veículos. Porém não desconsidero a possibilidade de intercalar a mesma com uma ciclofaixa, levando em consideração que também há trechos de baixo fluxo e, desta forma conseguir baratear o projeto”, falou a arquiteta.
Letícia disse que de acordo com os estudos que realizou para seu Trabalho Final de Graduação (TFG), ficou concluído que a pista mais adequada seria a que contemplasse escolas, indústrias, empresas, entre outros, em favor de beneficiar os trabalhadores e estudantes para que fosse possível utilizar este meio de locomoção com segurança e consequentemente diminuindo o tráfego de veículos nos horários de pico.
“O percurso se iniciaria na represa, onde a prática já ocorre, passando pela Via Expressa Antônio Bolonha – Rodoviária, atingirá as proximidades da Rodovia 267 (Estrada São João – Casa Branca) e retornaria à represa pela rua principal completando sua orla”, disse a arquiteta.
“Com relação às mudanças a serem feitas na cidade, retirar estacionamento de um dos lados das vias e substituir pela ciclovia seria o ideal, principalmente quando se trata de ruas estreitas. Já em vias mais largas seria necessário um estudo de fluxo no local para analisar se haveria possibilidade de substituir uma das vias de rolamento, por exemplo pela ciclovia, já que a intenção com a implantação da mesma é que o tráfego de carros diminua”, esclareceu Letícia.

Prefeitura informou que estuda ciclovias

Segundo o diretor de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho, Tadeu Ligabue, o uso de bicicleta vem sendo cada vez mais estudado e implantado nos municípios que buscam a sustentabilidade. “Os estudos sobre a mobilidade e a qualidade de vida estão presentes em vários projetos de urbanismo, que visam resultados positivos ao meio ambiente não só de nossa cidade, como também do nosso planeta”, disse.
Além das ciclovias, é possível observar em várias cidades, inclusive da região, vias integradas com ciclofaixas, que são destinadas ao lazer nos feriados e finais de semana, integrando também possíveis ações a serem desenvolvidas no plano turístico do município.
Tadeu disse que em Vargem Grande do Sul estão sendo realizados os estudos da revisão do Plano Diretor Participativo e os estudos de mobilidade urbana local deverão também ser contemplados.
“Os espaços que compreendem as ciclovias e ciclofaixas devem obedecer a diretrizes apresentadas nas propostas dos projetos viários, em parceria com o plano diretor que está sendo desenvolvido”, afirmou.
De acordo com o diretor, se a cidade comporta ou não a construção de uma ou mais vias somente para bicicletas, a resposta deverá sair dos estudos que serão realizados, ouvindo os responsáveis pelo setor, técnicos do assunto e também os usuários deste importante meio de transporte urbano, comentou.
“Só através dos estudos e do planejamento, é que poderemos saber qual o melhor lugar para a construção das ciclovias ou ciclofaixas na cidade. A bicicleta segundo estudos é o veículo individual mais utilizado nos pequenos municípios como o nosso”, afirmou. “Uma vez com os estudos aprovados, bem como qual seria o custo da implantação dessas melhorias, dependerá do Executivo, do seu planejamento de como executar as obras, da prioridade da gestão e de como se comportará os usuários destes transportes, através de suas organizações, etc”, disse.

Mapa do circuito proposto pela arquiteta Letícia Sabino em seu estudo. Foto: Arquivo Pessoal

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