Pioneiro de romaria conta sobre dificuldades na primeira edição

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Clovinho na Romaria de 1979. Foto: Arquivo Pessoal

Clóvis Aparecido de Melo, 69 anos, trabalha no comércio há mais de 50 anos e hoje tem um bar situado na rua Santana

A reportagem da Gazeta de Vargem Grande e TVGazetaVG procurou um dos pioneiros da Romaria dos Cavaleiros de Santana, Clóvis Aparecido de Melo, mais conhecido como Clovinho, proprietário de um tradicional bar da cidade, para falar sobre como aconteceu a primeira Romaria feita em 27 julho de 1975. Clóvis contou que ao assistir a uma cavalgada em Mogi Mirim, um domingo antes do dia das mães, ele teve a ideia de criar uma Romaria em homenagem a padroeira de Vargem Grande do Sul.

“Eu fui fazer uma viagem em Mogi Mirim, para receber um dinheiro dos cavalos que eu tinha vendido para um tropeiro de lá chamado João Caldeira. Fui eu e o Marcelo José Aparecido Bíscaro, ele me acompanhou. Chegando na casa, ele não estava, falou que estava em uma romaria. Mas a gente não sabia o que era romaria. Isso foi em 1975. Enquanto aguardava o João pegar o dinheiro, eu vi a romaria e achei muito bonita. A romaria estava acontecendo perto da igreja. Depois de ter visto aquilo, eu fiquei com a ideia de fazer uma romaria aqui em Vargem”, contou.

Clóvis falou que ao chegar em Vargem ele conversou com José Roberto de Souza. Os dois discutiram se a ideia seria boa, se realmente daria certo promover esse tipo de evento na cidade e chegaram a conclusão de que se desse certo, eles prosseguiriam com o evento todo ano, mas se não desse, esqueceriam da ideia.

Clóvis explicou à reportagem que falar que a romaria de Vargem aconteceu pela primeira vez em 1974 é um equívoco, pois ela ocorreu em 1975.

“O prefeito na época era o Huber Braz Cossi e falei com ele para perguntar o que ele achava de fazermos uma romaria em Vargem e ele falou para eu fazer da forma que eu estava imaginando. Naquela época quem era pároco na igreja era o monsenhor Celestino, mas como ele estava doente, quem assumiu foi o Dom Davi, de São João da Boa Vista e nós (Clóvis e João) falamos com ele para participar da romaria e ele deixou. O Huber avisou que poderíamos fazer a romaria da nossa maneira. A partir disso, nós saímos procurando patrocinadores porque não tínhamos recurso nenhum. Um foi convidando o outro para a romaria e o evento foi crescendo”, contou Clóvis.

“Naquela época, faltava um cruzeiro na igreja de Nossa Senhora Aparecida e era difícil arranjar dois pedaços de madeira para fazer um cruzeiro. Então José Domingos dos Santos, que era dono de uma farmácia, com Sebastião Avanzi, que é dono da funerária, tiveram a ideia de colocarmos flâmulas em cima dos cavalos e sair vendendo na cidade para arrecadarmos dinheiro para o cruzeiro que havia caído”, falou.

Ele contou que participaram da primeira romaria mais de 200 cavaleiros e que ele foi montado em um cavalo chamado Panamá, um cavalo branco que saiu na primeira fotografia da romaria, registrada por Agenor Pereira. Clóvis lembrou que era mais fácil organizar o evento antigamente, mesmo que houvesse dificuldade com os patrocínios, pois havia menos gente e hoje o foco da festa mudou.

De acordo com ele, a festa não possui mais cunho religioso, e se tornou uma cavalgada; ele contou que isso pode se dar devido a mudança nas crenças das pessoas da cidade.

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