Lixo agravou alagamento durante chuva de quarta-feira

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Lixo agravou alagamento durante chuva de quarta-feira

Pouco antes das 8h da quarta-feira, dia 17, a chuva começou a cair em Vargem Grande do Sul. Em poucos minutos, uma verdadeira tromba d’água castigou a cidade, com descargas elétricas e um volume de precipitação que levou o Córrego Santana e o Rio Verde a transbordar em alguns trechos, além de vários pontos de alagamento na cidade. O acúmulo de lixo em rios e em bocas de lobo, que impediram o escoamento de água foi um dos fatores que contribuíram para agravar a situação, conforme destacaram a Guarda Civil Municipal (GCM) e a Defesa Civil.

Lojas foram invadidas pela enxurrada e tiveram perda de produtos e muito prejuízo, forro de tetos desabaram na Casa da Cultura e em estabelecimentos pela cidade. Três creches municipais tiveram de dispensar alunos. O auditório da Associação Comercial e Industrial (ACI) ficou com quase 80 cm de água. As equipes da GCM e da Defesa Civil atenderam uma série de urgências, com apoio do Departamento de Serviços Urbanos e Rurais (Dsur), Departamento de Meio Ambiente, Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAE), Departamento de Segurança e Trânsito (Desetran), Ação Social e da ajuda de muitos cidadãos que partiram em auxílio dos vizinhos que estavam com problemas.

Volume

Dados do Climatempo mostram que no interior do Estado de São Paulo era previsto chover de 100 a 150 milímetros em todo mês de outubro. No entanto, na última quarta-feira, a chuva que atingiu a cidade teve um volume de 64 milímetros em apenas 28 minutos e o total de 15,2 mm em cerca de duas horas de precipitação, conforme dados da Defesa Civil.

Para se ter uma ideia, cada um milímetro equivale ao volume de um litro de água de chuva acumulada em uma área igual a um metro quadrado. “O volume de água foi muito grande. Mas a cidade ainda teve a sorte de não ter tido vento forte. Nesse caso, a cidade teria sofrido muito”, ponderou Rogério Bocamino, presidente da Defesa Civil.

Alagamentos

A reportagem da Gazeta percorreu alguns pontos críticos, como as margens do Córrego Santana, que transbordou próximo à rua Prudente de Moraes. Pontos de alagamento foram registrados na Rua Floriano Peixoto e Ivo Rodrigues no Centro; Rua Jardinópolis, na Vila Santana; Rua Dona Maria Cândida, na Vila Santa Terezinha; Rua Felipe Moisés Felipe, no Jardim Paraíso; parte da Via Expressa Antônio Bolonha.

Floriano Peixoto

Maria Cleuza Pereira Garcia passou boa parte da manhã retirando a água que invadia a casa de sua mãe, na rua Floriano Peixoto. Mesmo o imóvel construído em nível mais alto que a rua, a água da enxurrada invadiu a cozinha e a sala. Enquanto Maria Cleuza corria para evitar maiores estragos, sua casa localizada à Rua Capitão Zeca Ribeiro também sofria os danos da forte chuva. O esgoto voltou pelo encanamento e invadiu cômodos da sua residência.

Ainda na Floriano Peixoto, Maria Célia Vasconcelos comentou que se assustou com o volume de água. Sua casa também foi construída em um nível  mais alto que o da calçada. Ainda assim, a água tomou boa parte da entrada.

O Departamento Municipal de Educação informou que as Escolas Municipais Geraldo Cara Rinaldi, no Jardim Santo Expedito, Alice Giovaneli João, no Jardim Santa Marta e Virgínia Lopes Ruiz, na Vila Santa Terezinha, tiveram que dispensar os alunos por conta do volume de água que invadiu as unidades. As aulas foram retomadas no dia seguinte.

ACI

A GCM teve de drenar a água do auditório da ACI com o auxílio de uma bomba. Na rua 11 de Novembro, na Vila Santa Terezinha, uma casa com garagem abaixo do nível da calçada também foi inundada e a GCM teve de usar a bomba para escoar  a água. Uma loja de eletrodomésticos sofreu um enorme prejuízo com o alagamento de parte de suas dependências.

A Gazeta de Vargem Grande constatou muito lixo arrastado pela enxurrada. No córrego Santana, na altura da ponte na rua Prudente de Moraes, era possível ver pedaços de móveis parados na estrutura. Já na altura da Via Expressa Antônio Bolonha, um redemoinho de lixo se formou próximo à tubulação (foto). A GCM e a Defesa Civil afirmaram que o lixo e entulho descartados irregularmente pela população agravaram o problema da chuva. Marco Antônio, comandante da GCM, pediu para que os moradores não joguem estes despejos em terrenos, calçadas ou margens de córregos, pois podem ser carreados pela enxurrada e entupirem bueiros e bocas de lobo, obstruindo a passagem de água e aumentando a velocidade com que uma área pode ser alagada.

Barbeiro enfrenta água para desobstruir bocas de lobo

Em frente à sua barbearia, Nathan enfrentou a enxurrada

Após a chuva, correu pela cidade as imagens do barbeiro Nathan Silva, com a água até a cintura e em muitos momentos, até o pescoço, recolhendo o lixo e entulho que entupiam os bueiros e bocas de lobo próximos ao seu estabelecimento, na esquina da rua Felipe Moisés Felipe com a Via Expressa Antônio Bolonha. “A chuva começou por volta de umas 7h45 e começou devagar, mas demorou cerca de 20 minutos para encher minha barbearia de água”, disse.

Em entrevista à Gazeta de Vargem Grande, ele lembrou que os alagamentos são problemas constantes no local. “Todo final do ano, você pode perguntar para a vizinhança inteira, nós temos histórico com esse problemão, que não foi solucionado devido às autoridades não se importarem”, comentou.

Ele disse que na quarta-feira, viu que os bueiros começaram a encher de lixo e o volume de água a aumentar, por não ter como escoar. “A questão foi para evitar prejuízo, não só na minha barbearia, como as casas vizinhas aqui, que ficaram bastante danificadas. Muita gente perdeu bastante coisa, pois tem casas mais baixas, então eu tomei a decisão de que iria desentupir os três bueiros”, disse. “Essa foi minha atitude e eu não sei se faria de novo, pois depois de tudo foi que eu percebi que arrisquei muito e fiquei sabendo que muitas pessoas já morreram por fazer isso”, afirmou.

Nathan comentou que depois de sair da chuva, foi se lavar e percebeu que havia tomado algumas picadas de insetos. “Graças a Deus, as vacinas estão todas em dia”, contou, destacando que também teve a ajuda de um vizinho. “Não tem prazer melhor na vida quando você consegue de uma forma contribuir e ajudar a qualquer pessoa que seja”, finalizou.

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