Hora de repensar o Brasil

0
534
Hora de repensar o Brasil. Foto: Reprodução Jovem Pan

Jair Bolsonaro é o presidente eleito do Brasil. Conquistou a maioria inconteste nas urnas. Em Vargem Grande do Sul beirou os 80% dos votos. Porém, passado o período eleitoral, é necessário fazer, toda a nação, uma autorreflexão. A maneira como muitos se comportaram durante este pleito foi reveladora.

No caldeirão que foi essa campanha, quem escondia seus preconceitos num cantinho envergonhado de sua alma, a expôs sem o menor pudor. Ser contra petistas era suficiente para taxar quem era contra dos mais variados estereótipos e aproveitar para destilar uma maldade sem tamanho. Ser minoria, sofrer preconceito, sentir na pele a ruindade humana virou coitadismo.

No outro lado, quem apenas defende um viés mais mercadológico da economia, que prega valores mais conservadores, foi apontado também sem a menor ponderação de fascista. Sim. Houve extremos dos dois lados. Porém, o lado mais fraco, o das minorias, sentiu muito mais, pois a carga de ódio que receberam nas costas vinha acumulada desde 2006.

Sem dúvida que uma onda conservadora tomou conta do país e foi a grande responsável pela vitória do capitão do Exército. O Partido dos Trabalhadores não convenceu a maioria dos eleitores que o trágico legado de corrupção, de mensalão, de Lava Jato, já não faz mais parte da vida da legenda. A ligação umbilical com Lula e a maneira como o ex-presidente conduziu a sua pretensa candidatura e em seguida, orquestrou a escalada de Fernando Haddad, foi muito mal vista. Parecia até mais uma maneira de mostrar seu poder do que pensar de fato no melhor para o país.

Porém, bastaria apenas Haddad ter declarado independência a Lula e expurgado os corruptos do partido? Isso seria suficiente para que a rejeição ao PT fosse superada? Já não há mais como saber.

O que os brasileiros pagaram para ver é se o discurso do deputado Bolsonaro, muitas vezes carregado de truculência, de desrespeito às minorias, que exaltou um torturador, que ofendeu mulheres e que disse uma vez que fuzilaria Fernando Henrique Cardoso, um dos maiores presidentes que o Brasil já teve será mantido ou valerá o discurso amenizado do candidato a presidente Bolsonaro.  Qual dessas duas personalidades subirá a rampa do Palácio do Planalto no dia 1º de janeiro?

Até lá, esses dois meses são fundamentais para acalmar os ânimos, apaziguar os espíritos e rever atitudes. É preciso repensar o Brasil. O país que se revelou nestas últimas semanas e trabalhar muito para que o próximo presidente tenha a coragem para cortar o que precisa ser cortado, desenvolver aquilo que é necessário e nunca esquecer que o país é composto não apenas pelos 57 milhões que votaram em seu programa de governo, mas todos os milhões de pessoas que aqui vivem.

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor insira seu comentário
Por favor insira seu nome aqui