Para 2019, Amarildo diz focar em saúde, educação, emprego e recapeamento

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O prefeito Amarildo Duzi Moraes (PSDB) fez um balanço de sua gestão em 2018 e contou o que a prefeitura deverá priorizar para o próximo ano. Comentou sobre o saneamento das contas da prefeitura, a retomada de investimentos, a questão da terceirização da água, salário de servidores, pagamento de precatórios, entre outros. Leia a íntegra da entrevista:

Gazeta: Encerrando 2018, sua administração entra em sua metade final. Em 2017, foi possível verificar uma atuação na busca pelo equilíbrio financeiro e investimentos em infraestrutura, especialmente em asfalto e recapeamento. Já em 2018, o esforço foi concentrado na saúde, com exames e cirurgias eletivas em atraso. Assim, qual será o enfoque para 2019?

Amarildo:  Apesar do grande volume de dívidas que ainda teremos que continuar pagando em 2019, vamos continuar priorizando saúde, educação, recapeamento e emprego. Vamos ainda fazer alguns investimentos pontuais em diversas outras áreas. Buscando com responsabilidade fiscal o equilíbrio entre receita e despesas, pagando em dia as dívidas e os precatórios que juntos somam mais de R$ 7 milhões para 2019. Para se ter uma noção do volume da dívida a ser paga em 2019, o valor pago por todos os prefeitos nos últimos 16 anos de mandato ainda é inferior ao que está previsto apenas para ser pago em 2019. Nestes dois anos já pagamos mais R$ 10 milhões de dívidas da gestão anterior.

Gazeta: Com relação ao funcionalismo público, em 2017, os servidores não tiveram nenhum reajuste e ainda foi necessária a revisão do plano de cargos e carreiras, que sofreu alterações que atingiram a categoria. Em 2018, houve apenas a recomposição da inflação e um percentual muito baixo de ganho real, além de nenhum reajuste no vale-alimentação. Para 2019, haverá um reajuste maior? É possível aumentar também o vale-alimentação?

Amarildo: Infelizmente, além da crise pela qual passa todo o País, Vargem Grande do Sul ainda foi deixada com uma grande dívida financeira e estrutural. Em 2017 tivemos que fazer muitos sacrifícios para poder pagar parte das dívidas e manter os serviços essenciais à população, o que não possibilitou maiores reajustes, principalmente pela vedação da Lei de Responsabilidade Fiscal que não permite reajuste salarial quando o percentual de gastos com pessoal está acima dos limites, como era o caso na época. A revisão de alguns pontos do plano de cargos e carreiras ocorreu em virtude da inviabilidade financeira do mesmo, que exigia sacrifícios da população para pagamentos dos salários que ela não tinha a menor condição de absorver naquele momento. Também o plano foi adequado por exigência do Ministério Público que apontou algumas irregularidades na aprovação das propostas feitas em 2016 e oficiou a Câmara e a Prefeitura para que tomassem providências, como adequação da lei ou haveria o ingresso de uma ação de inconstitucionalidade com relação ao Plano. Caso a Câmara e a Prefeitura não tomassem as medidas necessárias o funcionalismo perderia algumas importantes conquistas.

Em 2018 foi feito a recomposição inflacionária e ainda concedido mais 2% de ganho real aos servidores. Apesar de estarmos em dia com os pagamentos, a Prefeitura enfrentará em 2019 mais problemas devido ao pagamento de cerca de R$ 5,5 milhões em precatórios.

Mas, as reivindicações dos servidores serão estudadas, pois sem a ajuda essencial dos servidores públicos municipais, não teríamos avançado diante da precária situação em que foi deixada a Prefeitura.

Gazeta: A prefeitura de São João da Boa Vista anunciou que fechará 2018 com as contas no azul. Como estão as finanças da prefeitura? As contas estão sanadas? É possível pensar em investimentos maiores?

Amarildo: Sim, vamos fechar as contas de 2018 com o equilíbrio exigido entre receita e despesas, pagando em dia as dívidas que foram parceladas pela administração, especialmente as relacionadas com energia elétrica que sozinha em 2018 totalizou mais de R$ 2,1 milhões. E, principalmente, mantendo as contas de 2018 da nossa gestão também em dia, com isso uma gestão pública responsável.

Apesar do equilíbrio financeiro atingido, 2019 será ainda um ano muito difícil, pois além dos R$ 2 milhões de dívidas citados, fomos “premiados” com a entrada para pagamento de 14 precatórios para 2019, que atualizados somam mais de R$ 5,5 milhões. Portanto, em 2019 teremos mais de R$ 7 milhões de dívidas a serem pagas, o que vai exigir arrocho financeiro de nossa parte e não conseguiremos fazer os investimentos na cidade que a população tanto necessita, especialmente na Saúde e Infraestrutura. Nestes dois anos, já pagamos mais R$ 10 milhões de dívidas da gestão anterior. Ao final de 2019 teremos pago mais de R$ 15 milhões de dívidas financeiras em 3 anos, isso daria por exemplo, para recapear metade das ruas da cidade. Isso demonstra o quanto estamos perdendo em desenvolvimento e melhoria da qualidade de vida da população, pois imagine R$ 15 milhões sendo investidos na cidade.

Apesar disso, faremos diversos investimentos e em diversas áreas, com recursos próprios e principalmente com recursos que conseguimos juntos aos governos federal e estadual como: Construção de duas creches e uma escola, reforma e ampliação de duas creches, reforma de duas escolas; recape de dezenas de ruas, entre outros.

Gazeta: Na Saúde, ainda há muita queixa de demora em consultas com especialistas, como por exemplo, ortopedia. O que a prefeitura pretende realizar neste setor em 2019?

Amarildo: A área da Saúde ainda exige mais atenção, mas conseguimos “zerar” as filas de muitos exames, algo inédito. Contratamos novas especialidades como ortopedia, dermatologia, urologista e pequenas cirurgias. “Zeramos” a fila de espera para determinados exames, como mamografia, raio-x, ultrassons, exames laboratoriais, que estão sendo marcados para a realização no mesmo mês que o médico faz o pedido. Vamos trabalhar para “zerar” a espera de outros importantes exames como tomografia, ressonância magnética, entre outros. Quase triplicamos os gastos com medicamentos na farmácia do Centro de Saúde, adquirindo mais e com melhores preços. Outra grande conquista foi a ampliação do atendimento oncológico em São João da Boa Vista.

As cirurgias eletivas contratadas também tiraram centenas de pacientes que estavam há anos na fila de espera. Em breve estaremos inaugurando o SASP, cuja reconstrução foi iniciada em nossa gestão e não foi concluída na administração passada. A reestruturação da Farmácia Márcia Coracini, que atende junto ao Centro de Saúde Dr. Gabriel Mesquita é outra de nossas metas, com melhoria do espaço, medicamentos em mais quantidade e qualidade; além do retorno do serviço de moto-entrega de medicamentos aos acamados e idosos que não podem se locomover, que iniciamos em nossa gestão anterior e foi retirado.

Vamos realizar no início de 2019 concurso público para mais algumas especialidades médicas, algo também inédito no município. Esperamos que haja interesse dos profissionais médicos. Assim, poderemos oferecer mais médicos em diversas especialidades para atender a população.

Gazeta: E com relação ao prédio da UPA? Já é possível determinar se a prefeitura irá retomar a UPA? Ou diante da nova possibilidade, irá empregar este prédio para outra destinação? Qual?

Amarildo: Também estamos lutando para concluir o prédio da UPA que foi fechado pela Vigilância Sanitária do Estado devido a suas inúmeras irregularidades. A empresa que tinha paralisado a obra por inúmeras irregularidades, retomou os serviços e vai concluir, naquilo que consta no referido contrato, nos próximos dias. Outro grave problema encontrado e confirmado num processo administrativo foi a duplicidade de pagamentos em 2016, que somam mais de R$ 200 mil. Caberá ainda ao município a construção do muro e aquisição dos móveis e equipamentos, sendo necessário algo em torno de R$ 800 mil para isso. O município terá que investir ainda cerca de R$ 300 mil por mês para o funcionamento regular da mesma. Recursos que o município não dispõe atualmente e para isso precisamos tomar algumas decisões pertinentes em breve.

Gazeta: Quais as obras que a prefeitura pretende concluir em 2019? Quais serão iniciadas?

Amarildo: Mesmo com as dívidas herdadas, conseguiremos realizar algumas obras importantes para o município em 2019 algumas serão terminadas, outras terão continuidade e outras iniciadas. Com o trabalho político junto aos governos federal e estadual, conseguimos perto de R$ 20 milhões que puderam proporcionar muitas obras para a população.

Mais de R$ 4 milhões para o recapeamento dos Jardins Paulista, Dolores, Jardim São José, São Luís, e diversas outras ruas de vários outros bairros que serão feitas em 2019. Vai ser iniciada nos próximos  dias a construção de galerias de águas pluviais na parte baixa do Jardim Paulista para que seja terminado o recapeamento, também nos primeiros meses de 2019.

Foi construída a galeria de águas pluviais na Rua José Luís de Miranda e adjacências tirando todo o fluxo de água do local. O término da obra com a pavimentação será em breve e junto com a rua em frente e ao lado do Miguel Maaz. Aliás, estas duas obras já me fizeram perder a paciência com a empresa responsável, isso em virtude de procrastinar, mas as providências foram tomadas para o término das obras e tirar os moradores dos transtornos.

Uma grande preocupação nossa é a questão da voçoroca que chega perto das casas dos vargengrandenses da Cohab V. Conseguimos o projeto junto ao DAEE e também a canalização que já está sendo licitada pelo órgão, obra que também será feita em 2019 e após, começa a obra de recuperação da voçoroca que está a cargo do DAEE.

Logo no início de 2019, também estaremos entregando o SASP, cuja reconstrução iniciamos em nossa outra gestão e a administração anterior não terminou. Também já foi retomada a construção do Mais Cultura no Jardim Paulista, outra obra que foi abandonada pela administração passada e retomamos e iremos entregar à população.

Em 2019 entregaremos também a reconstrução da primeira ala do Centro de Convivência do Idoso “Lacordere Osório da Fonseca”, no Jardim Paulista, com sete casas e um espaço comum de convivência.

Teremos ainda muito trabalho para o próximo ano com a retomada da construção da Escola Flávio Iared que irá oferecer período integral às crianças. As duas creches, uma no Jardim Ferri e outra no Jardim Paraíso I que estão em andamento. Ampliação das creches Cezarina e Virgínia, muro da Creche Padre Donizete, construção da ponte da Av. Alice, bem como suas galerias e pavimentação; realização das fases 4 e 6 da reforma e ampliação da Escola Carril; reforma da escola Mário Beni; construção de uma estação elevatória de esgoto da Vila Esperança e ainda outras obras que estamos formalizando os convênios que muito beneficiarão a cidade.

Gazeta: Algumas obras como a do SASP, da Escola Flávio Iared e a do Mais Cultura estão em andamento desde a sua primeira gestão. Qual é a expectativa de conclusão destas obras?

Amarildo: A obra do SASP, prédio localizado no Centro, na esquina das ruas Major Antônio de Oliveira Fontão e dr. Moacir Troncoso Peres, ficou parada durante muito tempo na administração anterior o que atrasou a sua entrega, mas está em fase final de acabamento e vai ser entregue à população nos primeiros meses de 2019.

A Escola Flávio Iared teve sua construção parada no final de 2013, o contrato foi rescindido com a empresa em 2014 e em meados de 2017 foram providenciados os levantamentos relativos à sua paralisação e feita a limpeza no local e realizado o levantamento planaltimétrico das peças estruturais da fundação já executada. Em seguida, atualização do projeto da estrutura pré-moldada, isso através da contratação da empresa Catuta Engenharia Ltda., que atualizou o projeto. Através da concorrência pública 02/2018 foi licitado a fabricação e execução da estrutura pré-moldada, sendo que nos próximos dias terá início a montagem da superestrutura.

Sobre o Mais Cultura, a obra localizada no Jd. Paulista, está paralisada desde 2014. Demos início a todo o trabalho de levantamento para apurar a situação em que a obra foi deixada e em meados de 2018 realizamos o processo licitatório e a obra está em pleno andamento. Devendo ficar pronta até o final de 2019.

Gazeta: No meio ambiente, a prefeitura enfrentou problemas com o aterro sanitário. Como está esta questão atualmente? E o antigo lixão? Como está o processo de recuperação deste espaço?

Amarildo: Quando assumimos em 2017 o Aterro estava para ser interditado novamente devido à falta de manutenção da administração anterior. Em fevereiro de 2017 conseguimos a regularização das trincheiras junto à Cetesb, após as adequações necessárias, evitando a interdição. Atualmente o Aterro Sanitário Municipal encontra-se com as licenças ambientais todas ativas, válidas até o ano 2020. Duas novas trincheiras foram construídas de acordo com as exigências dos órgãos ambientais para o recebimento de resíduos domiciliares. O início dos trabalhos da cooperativa Cata Vida com a coleta seletiva no município, também ajudará a aumentar a vida útil das trincheiras.

A área que abrigava o antigo lixão, ainda não foi recuperada. Para este trabalho o município necessita da atualização do plano de encerramento e recuperação do mesmo, que para ser realizado depende de recursos financeiros para a contratação de empresa qualificada para a execução do mesmo. Para o próximo ano estaremos buscando viabilizar o projeto de recuperação.

Gazeta: Com relação à Educação, a prefeitura tem obras de creches, com o objetivo de zerar a fila de espera para esta faixa etária. O ano letivo de 2019 vai atender quantas novas vagas? Quantas crianças ainda deverão ficar sem matrículas?

Amarildo: Existem duas creches em construção, uma no Jardim Ferri que deve ficar pronta no início do segundo semestre de 2019. Uma outra em construção no Jardim Paraíso II que deve ficar pronta somente no final de 2019. Estamos ainda desapropriando terreno ao lado da Creche “D. Cezarina” na Vila Santana, onde serão construídas ao menos mais 4 salas. Está em fase de licitação a ampliação e adequação da Creche “Virgínia Lopes Ruiz” na Vila Santa Terezinha. Também em fase de licitação o muro que incorpora a quadra coberta à Creche e da Escola “Padre Donizete”, pois a escola vem encontrando muitas dificuldades na segurança das crianças da forma como está hoje e ainda será criado um espaço específico para o parquinho das crianças.

O Departamento de Educação também se programou para 2019, transferindo as salas de aulas que funcionavam nas creches para as escolas municipais mais próximas, para abrir mais vagas para atender a faixa etária de 0 a 3 anos. Ainda não é possível quantificar o número de vagas com este trabalho, mas algumas creches irão conseguir zerar a fila de espera já em 2019.

Mas, com a construção de duas creches e as licitações para ampliação de outras duas creches, o número de vagas aumentará consideravelmente possibilitando zerar a espera quando estas obras terminarem.

Gazeta: A aquisição do antigo casarão pertencente à família Dutra para ser a sede do Departamento de Educação gerou muito debate na cidade. Inclusive há um inquérito em andamento no Ministério Público sobe esta iniciativa. Como está o andamento do processo de compra? Quanto já foi pago e quanto ainda falta ser quitado?

Amarildo: A aquisição do casarão foi necessária para abrigar o Departamento de Educação e manter o patrimônio histórico do município, seguindo todos os trâmites e evitando que mais um prédio histórico no Centro da cidade fosse demolido. Vai abrigar o Departamento de Educação que hoje paga aluguel e o casarão está incorporado ao patrimônio público municipal. Respondemos todos os questionamentos feitos pelos vereadores e ao Ministério Público. Foi depositado inicialmente R$ 800 mil judicialmente em 2017 no ato do pedido de desapropriação. Depois da avaliação de um perito do juízo o restante do valor foi dividido em outras três parcelas tudo acompanhado e chancelado pelo Poder Judiciário. Em 2018 pagamos R$ 385.972,55; em 2019 será pago R$ 385.972,55 mais atualização pela tabela de correção do TJ de São Paulo e terminaremos o pagamento em 2020 com a última parcela de R$ 385.972, 55 mais correção. Tudo dentro da mais absoluta legalidade e devidamente acompanhado pelo Poder Judiciário. Toda e qualquer discussão sobre a aplicação de recursos públicos é salutar e desejável que ocorra, mas com argumentos legítimos e verdadeiros. Algumas perguntas deveriam ser feitas, por exemplo: quais investimentos foram feitos (exceto os que viraram inquérito no MP) na Educação na administração anterior? Quantas escolas e creches foram construídas, ampliadas ou reformadas? Qual o segredo de agora fazer tudo isso, pagar dívidas e ainda investir na proteção do patrimônio histórico em nossa administração? Porque o curso de inglês custava R$ 1,8 milhão por ano e a partir de 2019 completo vai custar menos R$ 600 mil? Entre muitas outras perguntas…

Gazeta: Sobre o SAE, a prefeitura realizou algumas audiências para debater a situação da autarquia e possíveis projetos para seu futuro, inclusive uma das ideias debatidas foi a sua concessão. O que a prefeitura avançou com relação ao sistema de água e esgoto da cidade em 2018? A ideia de terceirização ainda existe? Há previsão de quando isso deverá ser efetivado?

Amarildo: Da forma que o SAE estava sendo administrado gerava um déficit anual à Prefeitura de aproximadamente R$ 1,5 milhão. A última parcela da dívida do SAE de energia elétrica será paga no próximo dia 30. Foram mais de R$ 110 mil por mês em dívidas deixadas, isso nos últimos 24 meses. Em virtude disso não foi possível investir o que seria necessário no sistema. Mesmo assim, estamos investindo mais de R$ 1 milhão na rede de esgoto que vai do Jardim Fortaleza e Redentor até a ETE. Com isso vamos ultrapassar os 90% de esgoto tratado na cidade. Adquirimos mais um veículo e colocamos mais uma equipe de rua. Conseguimos recursos junto ao Fehidro e está em andamento o projeto para implantação de setorização no sistema de água para redução de perdas; projeto para recuperação e reuso de água na lavagem dos filtros e decantadores de lodo da ETA; e a construção da Estação Elevatória de Esgoto na Vila Esperança, um problema que causa muitos transtornos aos moradores do local que vamos resolver.

No entanto, o SAE necessita de um volume de recursos altos de investimentos para melhorar a qualidade dos serviços, como troca da tubulação antiga, reservatórios de água tratada, melhor estrutura operacional, etc. Um dos maiores problemas, sem dúvida é a troca do encanamento dos bairros mais antigos, que gera uma grande perda de água tratada, além de problemas na condução da água para a residência dos munícipes, causando reclamação por causa da cor turva devido à corrosão dos canos. Além disso, precisam de constantes consertos, obrigando a abertura de buracos que também causam problemas. Em 2019 vamos retomar devagar os investimentos com a construção de duas novas adutoras de água e um reservatório.

As audiências para debater a situação da autarquia foram feitas e serão retomadas em 2019 e visam explicar a população a situação do SAE e os caminhos que temos a seguir. Continuar a Autarquia (SAE), que é viável desde que exista gestão sem politicagem; ou realizar a concessão que é uma possibilidade a ser estudada. A população precisa saber se a qualidade da água que está recebendo e aquilo que está pagando são justas. Tudo isso está sendo feito com o máximo de transparência.

Gazeta: No Desenvolvimento Econômico, umas das primeiras medidas anunciadas em sua gestão foi a vinda da empresa Ric para Vargem Grande do Sul. Esta empresa ainda não se instalou e aparentemente, devido à crise financeira, ela anunciou processo de recuperação judicial no meio deste ano. A prefeitura irá fazer alguma ação para destinar a área que foi concedida à Ric para outra empresa?

Amarildo: A Comissão de Desenvolvimento Industrial (CDI) recentemente decidiu retomar os terrenos que a Prefeitura havia cedido à empresa RIC -Comércio Atacadista de Algodão LTDA., após tomar conhecimento que a mesma entrou em recuperação judicial. Pelo contrato assinado entre o município e a empresa, a mesma teria de ter começado a construção de seu empreendimento no Distrito Industrial “José Aparecido da Fonseca –Tota”, no dia 30 de junho deste ano, mas após fazer a sondagem do solo no local, a empresa não deu continuidade nos trabalhos e nada foi feito, motivo também que levou os membros da CDI a notificar os sócios da RIC pedindo as devidas explicações no atraso das obras, sob pena de o município retomar os terrenos doados.

Como a empresa não se manifestou, a Comissão entendeu que a mesma não tinha mais interesse em investir e aprovou a retomada dos terrenos, cuja lei está sendo elaborada e será enviada em breve à Câmara Municipal. Infelizmente a RIC, devido ao difícil momento econômico que vive o Brasil, não pode cumprir o contrato, mas o município fez tudo o que podia fazer em termos de incentivos. Já existe empresa interessada em parte dos terrenos e que tão logo os mesmos retornem ao município, a CDI vai analisar o pedido desta nova empresa.

Gazeta: O Brasil atravessa ainda uma grave crise financeira e a geração de emprego tem sido foco do governo. O que a prefeitura prevê para geração de empregos em 2019?

Amarildo: A geração de empregos em Vargem, como em todo o país, depende em muito da recuperação econômica brasileira. Estamos esperançosos com o novo governo que vai assumir e de que o Brasil volte a crescer em 2019, isso certamente vai refletir em Vargem Grande do Sul.

Continuamos com o trabalho junto ao Distrito Industrial, os terrenos que foram doados a empresas que não evoluíram praticamente já foram doados a novas empresas. São quatro empresas nessa situação. É um processo demorado, dois já foram formalizados e mais dois estão quase prontos. Devem gerar cerca de quarenta empregos previstos para 2019. Acreditamos que mais duas ou três empresas iniciam suas obras no Distrito Industrial no ano que vem, gerando mais uns trinta empregos diretos, fora os indiretos.

Também estão funcionando plenamente o Banco do Povo, investindo nos micro e pequenos empresários e o Sebrae, junto à Associação Comercial e Industrial, dando suporte aos empreendedores da cidade. Nesta parceria com a prefeitura, vários cursos de capacitação foram realizados e mais estão previstos para 2019, procurando qualificar a mão de obra e dar mais oportunidades aos vargengrandenses no mercado de trabalho.

Gazeta: Durante os dois últimos anos, o senhor presidiu o Conderg. Quais foram as principais dificuldades enfrentadas? Como se encontra o Conderg atualmente? Vai buscar a reeleição?

Amarildo: O Conderg tinha uma dívida que superava R$ 15 milhões, nestes quase dois anos reduzimos para menos de R$ 12 milhões. Tomamos algumas decisões duras, mas necessárias, conseguimos importantes recursos para aquisição de equipamentos para o Centro Oftalmológico, entre outras importantes ações que visam preparar o Conderg para ampliar o seu protagonismo na região. O Conderg é responsável pelo Hospital de Divinolândia, SAMU e o AME de Casa Branca, e ainda não tratamos do assunto eleição, muito embora tenha muitos prefeitos capacitados para a função.

Gazeta: Durante o ano, a prefeitura conduziu a elaboração do Plano Diretor em Vargem. O projeto já está pronto? Quando deve ser colocado em votação? Uma das propostas é a criação de um parque ecológico na área de várzea do rio Verde. Como está este projeto?

Amarildo: O anteprojeto do Plano Diretor Participativo já foi entregue ao município pela empresa Cantareira Transmissora de Energia AS. Agora ele está sendo divulgado à toda população para que tome conhecimento e as equipes técnicas estão analisando o mesmo. Será feita mais uma audiência pública para discussão e depois das alterações necessárias o mesmo será enviado à Câmara Municipal. Trabalhamos com um prazo até o final do semestre de 2019 para que o mesmo possa ser votado pelos vereadores.

Junto com o novo Plano Diretor do município, devem seguir o novo Código de Postura, o Código de Obras e Edificações, a Lei de Zoneamento Urbano e Uso e Ocupação do Solo e a Lei de Parcelamento do Solo que estão sendo elaborados junto ao Departamento de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho. Também a Prefeitura, através do Desetran está estudando o Plano de Mobilidade Urbano e deverá apresentá-lo provavelmente no ano que vem. Há ainda a possibilidade de em 2019 ser elaborado o Plano de Arborização Urbana do Município, cuja exigência consta do novo Plano Diretor Participativo.

Com relação ao Parque Linear Ecológico Rio Verde, os estudos estão bem adiantados junto à parceria com a Unifeob. São vários estudos a serem apresentados no início do ano que vem e servirão de base para os trabalhos que pretendemos desenvolver para a criação do parque, sendo um dos primeiros projetos a ser contemplados, onde hoje existe a área de várzea que pertencia à família de José Ribeiro de Andrade, o Zecão.

Gazeta: Em 2019, assume o novo presidente da República, Jair Bolsonaro e também o novo governador, João Dória. Como você vê este ano para a cidade com relação aos governos federal e estadual? Há previsão de mais recursos e novos convênios?

Amarildo: Tivemos um excelente trânsito entre os governos federal e estadual, graças ao apoio dos deputados federais e estaduais, o que possibilitou a conquista de mais de R$ 20 milhões para o município em obras, veículos e serviços. Sem estes recursos, muito que realizamos e estamos realizando não seria possível.

O presidente Jair Bolsonaro assume a presidência com a esperança dos brasileiros de cumprir os compromissos que trabalhou em campanha de mais empregos, mais segurança, acabar com a corrupção e colocar o país em ordem. Precisamos que o presidente consiga melhorar a situação do País, o que irá refletir em todas as cidades e torcemos por isso. Tivemos eleito o governador João Dória, do PSDB, que também apoiou Jair Bolsonaro. Deputados estaduais e federais que apoiamos também foram eleitos. Vamos dar continuidade aos convênios fechados e continuar buscando recursos para mais obras e serviços para o município e temos a certeza de que o apoio dos governos federal e estadual continuará para Vargem Grande do Sul.

Gazeta: Neste término de 2018, o que gostaria de ter realizado, mas que ainda não foi possível e quais suas expectativas para 2019?

Amarildo: A Cidade perdeu muito em termos de desenvolvimentos em função da dívida financeira e também a dívida estrutural herdada. Quem sofre mais com isso é a população, pois neste período que tivemos que apertar os cintos para pagar as dívidas e manter o mínimo dos serviços essenciais. Foi, com certeza, o período em que mais disse não na minha vida. Conseguimos cerca de 20 milhões em recursos sim, mas todos amarrados para atender os projetos, não podendo ser usados em outras necessidades. Com mais de R$ 13 milhões em dívidas que tivemos de pagar, deixamos de fazer muito. Assim não pudemos contratar a quantidade de médicos especialistas de que tanto precisam os pacientes; deixamos de comprar mais veículos que atenderiam especialmente os pacientes, pois a frota municipal como se viu, foi deixada sucateada; poderíamos ter resolvido a fila de espera dos exames com mais rapidez; melhorar os serviços do SAE com troca de encanamentos, máquinas, equipamentos; ampliar creches para mais vagas; recapear as ruas,  investir em emprego e renda; investir em habitação, pois as últimas casas populares entregues foram iniciadas na nossa outra administração e nada foi feito depois; construir uma clínica veterinária para atender gratuitamente. Mas, com a ajuda de todos avançamos e para 2019, esperamos poder concluir várias das obras iniciadas e avançar na saúde, educação, viabilizar aquisição de um terreno para a construção de casas populares que é também um grande anseio de nossa população, entre outras.

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