As laranjas do governo

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A gestão do presidente Jair Bolsonaro (PSB) deve passar pelo primeiro teste de credibilidade de governabilidade: a reforma da previdência. A peça da Proposta de Emenda da Constituição (PEC) 2/2019 foi entregue pelo próprio Bolsonaro ao presidente da Câmara, o deputado federal Rodrigo Maia, na última quarta-feira, dia 20.

A reforma da previdência é apontada como imprescindível por muitos economistas, para garantir a viabilidade do sistema previdenciário brasileiro e também de sobrevivência do atual modelo econômico. No entanto, é um tema extremamente polêmico, que vai cortar fundo em muitos benefícios, alterar regras e enfim, vai atingir diretamente e desagradar boa parte dos trabalhadores.

Uma proposta dessa envergadura precisa de muito estudo, muito debate e principalmente, uma intensa articulação política junto ao Congresso. Se isso já é uma tarefa intrincada quando o ambiente político está em calmaria, fica ainda mais complexa e desafiadora quando há ebulição de escândalos envolvendo o governo.

Tão logo o presidente Jair Bolsonaro reassumiu as funções presidenciais após a recuperação da cirurgia para a retirada da bolsa de colostomia, teve que lidar com a revelação do uso de candidaturas de laranjas em seu partido nas últimas eleições. A crise culminou com a demissão do ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gustavo Bebianno, que foi exposto de maneira vexatória pelo vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro, filho do presidente.

No entanto, a questão dos laranjas envolvendo a família Bolsonaro começou antes, com Fabrício Queiroz, motorista e ex-assessor do agora senador Flávio Bolsonaro, também filho do presidente.

Ao final, a quantidade de laranjas que estão aparecendo tem colocado em xeque uma das principais “marcas” de Bolsonaro, a do combate a corrupção. Tanto o presidente quanto seus três filhos políticos sustentaram durante toda a campanha que fazem parte de uma linhagem de políticos que não toleram a corrupção e estão nesse meio para arrancar este mal pela raiz. Talvez a demissão de Bebianno seja um recado de que não aceitarão mesmo esse tipo de prática, independentemente de se tratar de um importante aliado e apoiador, como o ex-ministro se mostrou.

Que esta postura seja mantida e que todos os laranjas e seus respectivos responsáveis tenham o mesmo tratamento, inclusive o atual ministro do Turismo acusado do mesmo crime de Bebianno. E mais do que isso, que o governo aprenda a lidar melhor com as crises que se apresentam. Pois se cada divergência de bastidores se tornar uma postagem em rede social, a paz política necessária para que propostas fundamentais para o desenvolvimento do país sejam debatidas com a calma e a lucidez necessárias nunca será alcançada.

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