O futuro do hospital

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Mais uma vez, o futuro do Hospital de Caridade de Vargem Grande do Sul está em risco. Há meses a direção e a provedoria da entidade vem brigando junto à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) em busca da validação de uma nova empresa para gerir o plano de saúde mantido pelo hospital e que atende cerca de 3 mil usuários.

As ações para regularizar o plano vêm ao menos desde o início do ano passado. Foi criada uma nova associação para tanto, com a eleição de diretoria e conselhos, elaboração e aprovação de estatuto, além do depósito de recursos em uma conta independente, conforme as regras da ANS. Mas até o momento, mesmo atendendo a todas as exigências, a agência não validou a nova operadora.

O Hospital Saúde, antigo plano, já entrou em contato com os usuários, informando do prazo para a portabilidade de carência para outras operadoras, também uma diretriz da ANS. No entanto, mais grave do que a possibilidade do plano deixar de existir, está a de que o próprio hospital possa ficar financeiramente inviável sem o plano de saúde.

A provedoria e direção do hospital já se reuniram com o corpo clínico para explicar a situação, que é desanimadora. É de conhecimento de todos que as finanças do Hospital de Caridade, assim como praticamente a totalidade das entidades beneficentes de saúde do país, são deficitárias. O Sistema Único de Saúde (SUS), que é responsável por 70% dos atendimentos da unidade, não remunera nem um terço dos custos que o hospital tem com esses pacientes. A conta sempre fica no vermelho.

Para fechar o mês, os recursos vindos do pagamento do plano são essenciais. E é assim que o Hospital de Caridade vinha se equilibrando, além do empenho intenso de diretoria, provedoria, lideranças municipais em busca de recursos junto ao poder público. Sem essa verba proveniente do plano, será cada vez mais difícil o hospital conseguirá manter o atendimento aos usuários.

Outro problema que se pode vislumbrar é o aumento da demanda. Mesmo com a portabilidade de carência, os usuários terão que adequar seus orçamentos aos valores das novas operadoras. Muitos não conseguirão pagar e passarão a depender exclusivamente do SUS. Esses pacientes serão atendidos pelo Hospital de Caridade, aumentando ainda mais o déficit financeiro da entidade.

Caso todo esse quadro se confirme, a sobrevida pode ser de poucos meses. E se este cenário se concretizar, pelo estatuto do hospital, a administração da unidade seria repassada à prefeitura municipal, que também vive uma situação financeira bastante delicada.

O momento é de apreensão. Que não falte espírito público aos responsáveis que tomarão as decisões que irão selar o futuro do Hospital de Caridade, uma instituição com mais de 90 anos de história e que é tão importante para a população vargengrandense.

 

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