Assassino de Gláucio é condenado a mais de 20 anos de prisão

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Ele foi preso pela Polícia Civil dias depois do crime

Jhonatan de Araújo Miranda foi condenado por roubar e matar o cinegrafista Gláucio Donizetti da Costa em julho de 2018

O juiz Christian Robinson Teixeira sentenciou Jhonatan de Araújo Miranda a 20 anos e seis meses de reclusão por latrocínio – roubo seguido de morte da vítima – e fraude processual, pelo assassinato do cinegrafista e funcionário bancário aposentado Gláucio Donizeti da Costa, 55 anos, em julho do ano passado.

Jhonatan, que tem 19 anos, foi preso pela Polícia Civil de Vargem Grande do Sul no dia 14 de agosto, em Tatuí, cidade onde residia. A morte do cinegrafista e bancário Gláucio Donizetti da Costa foi causada por um ferimento na carótida, artéria da região do pescoço, produzido por uma faca. Gláucio era muito conhecido e querido em Vargem. Ele trabalhou durante 32 anos no Banco Itaú e desde então se dedicava à sua empresa de filmagens, a Prisma Vídeo.

O crime

O corpo do cinegrafista foi encontrado na sua casa, à rua Eurico Vilela, 126, no Jardim Pacaembu, às 15h, da sexta-feira, dia 3 de agosto. Ele estava dentro do box de um banheiro, coberto com roupas e objetos. Também foi constatado a presença de sangue dentro do box e uma carta foi localizada em cima do vaso sanitário.

O corpo já estava em início de decomposição, o que dificultou a constatação inicial de lesão. De acordo com a Polícia Civil, a casa estava em ordem, não havia sinais de que teria ocorrido alguma violência ou briga. Chamou a atenção o fato do chuveiro de um banheiro externo estar ligado e o DVR – equipamento que faz a gravação do circuito de câmeras de segurança da casa – que fica num quartinho, ter sido subtraído e seus cabos, cortados.

Investigação

Após um intenso trabalho de investigação, a equipe da Polícia Civil identificou Jhonatan como suspeito. Ele e Gláucio mantiveram contato pelas redes sociais e o jovem veio até Vargem para auxiliar a vítima nas filmagens da Romaria dos Cavaleiros de Sant’Ana. No dia 7 de agosto, apenas quatro dias após a descoberta do corpo de Gláucio, a polícia representou pela prisão de Jhonatan, que foi decretada pela Justiça.

Com apoio da Polícia Civil de Tatuí, a equipe diligenciou atrás do suspeito, mas ele não foi localizado. No entanto, os trabalhos prosseguiram, até que na terça-feira, dia 14, a Polícia Civil de Tatuí o encontrou. Inicialmente, ele negou qualquer envolvimento, mas diante de tantas evidências, acabou confessando quando foi ouvido na Delegacia de Vargem, na madrugada do dia 15 de agosto.

Versão

Aos policiais, Jhonatan relatou que no dia do crime, foram dormir e durante a noite tiveram uma briga e que desferiu um golpe com uma faca de cozinha serrilhada no pescoço de Gláucio.

O cinegrafista caiu entre a porta do quarto e do banheiro. Jhonatan informou que ao perceber que Gláucio estava sem vida, arrastou seu corpo até o box do banheiro. Disse ainda que não conseguia parar de olhar para a vítima, por isso o cobriu até onde pode. A pilha de roupas e objetos alcançava quase o final do box.

O crime teria ocorrido antes das 23h e Jhonatan disse que passou toda a madrugada e parte da manhã limpando a casa e tomou banho. As roupas e panos sujos com o sangue de Gláucio e a faca que utilizou no crime, jogou em um saco juntamente com o DVR e deixou em uma lixeira na casa da frente.

Ele relatou aos policiais que a partir daí teve a ideia de levar tudo o que conseguisse carregar. Enquanto procurava o que ia subtrair, encontrou a carta, leu brevemente seu conteúdo e pensou que pudesse dar margem de que o que estava relatado poderia ser relacionado à morte de Gláucio, pensando em uma maneira de não ser ligado ao crime e sim a outras pessoas.

Processo

Jhonatan foi denunciado pela promotoria por latrocínio, ocultação de cadáver e fraude processual. A primeira audiência sobre o processo foi realizada no dia 14 de janeiro. O advogado Murillo Andrade foi assistente de acusação.

Durante a audiência, em seu depoimento, Jhonatan alegou que veio à cidade para trabalhar com Gláucio na Romaria dos Cavaleiros de Sant’Ana. O rapaz disse que pediu para ir embora várias vezes, mas que Gláucio insistia em sua permanência e abusava sexualmente dele e prometia presentes e ajuda financeira a Jhonatan, que buscava sua independência econômica.

De acordo com seu depoimento, na noite do crime, Jhonatan foi para a cama mais cedo e levou uma maçã e uma faca para comer a fruta antes de dormir. Jhonatan contou que acordou com Gláucio em cima dele e que, para se defender, pegou a faca e desferiu um golpe para trás, acertando, sem intenção conforme ressaltou, o pescoço da vítima.

No depoimento, a justificativa de Jhonatan para os objetos que levou da casa do bancário aposentado em várias malas, é que Gláucio os prometia de presente a ele, após as vezes que teria abusado do rapaz.

Sentença afasta legítima defesa

Na sentença, estão relacionados todos os bens que Jhonatan roubou de Gláucio. Câmeras fotográficas, uma delas ele fotografou no dia seguinte ao crime e compartilhou com amigos dizendo se tratar da realização de um sonho, equipamentos de foto e filmagem, 50 peças de meias, 11 cuecas, 10 moletons, 14 calças jeans, 27 bermudas, 18 bonés, 58 camisetas, 11 pares de calçados, celulares, 12 vidros de perfume, um notebook, seis recortes de papel contendo anotações da vítima com seus e-mails e senhas pessoais. Tudo ele acondicionou em oito malas de viagem que ele também roubou de Gláucio. A estimativa é que ele tenha roubado R$ 34,5 mil em bens do cinegrafista.

Em sua decisão, o juiz Christian Robinson Teixeira relatou que a alegação de legítima defesa dada por Jhonatan não prospera. “Aduziu o acusado que durante sua estada passou a ser estuprado pela vítima, em razão do que acabou por matá-la em legítima defesa. Diz que permanecia sob cárcere privado o tempo todo e quando saía a locais públicos estava acompanhado da vítima. Não pensou em fugir porque tinha dinheiro a receber. Chegou a pedir socorro a seu tio, via redes sociais de seu celular. A versão, no entanto, mostra-se inverídica. Não se mostra crível que alguém vítima de estupro opte por continuar a ser estuprado por mais vezes porque ainda teria dinheiro a receber. O natural é que a vítima fuja de seu algoz tão logo vislumbre a possibilidade de se esquivar. Dada a versão do acusado, não foi esse seu agir. Preferiu continuar a ter sua dignidade sexual atacada. Além disso, o acusado alega que pediu socorro a seu tio, enquanto ainda estava na casa da vítima, sendo abusado sexualmente. Seu tio Leandro José Miranda foi ouvido judicialmente e nada esclareceu sobre tal pedido. Aliás, declarou apenas que o acusado lhe disse que estava com saudade”.

“Diversamente do cenário relatado pelo acusado, a vítima foi morta de forma premeditada. O acusado arquitetou previamente seu agir e, estando a vítima indefesa, acabou por golpeá-la com instrumento perfurocortante, causando-lhe a morte. O acusado visou seu pescoço, região corporal de reconhecida vulnerabilidade, o que demonstra seu intento criminoso”.

“Em nenhum momento o acusado procurou reportar à polícia o ocorrido seja a prática dos crimes sexuais, seja a ocorrência da morte da vítima em suposto estado de legítima defesa, o que fragiliza ainda mais sua versão. Não se trata de mero homicídio. A intenção de subtrair os bens da vítima restou evidente”. Assim, sentenciou Jhonatan a 20 anos e seis meses de prisão.

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