Comidas do coração

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Márcia Iared

O interessante de nossas mães é que não faziam muita coisa por receitas. Algumas de gratas lembranças, muitas vezes tentamos decodificar, especificando quantidades, pesos e medidas para elas.

Os deliciosos doces de frutas, eram curtidos com várias fervuras e novos acréscimos de açúcar, tornando-se impossível transformá-los em receitas, mas havia uma coisa que minha mãe fazia quase todos os dias, que de simples que era, se transformava na glória dos nossos cafés da tarde ou do preenchimento noturno daquela sensação comum, dos tempos em que quase não comíamos fora, sensação esta denominada “vontade de comer alguma coisa”. Eram os tradicionais e frequentes bolinhos de chuva.

Na nossa sala de tevê, meus irmãos mais novos, estiravam-se sobre o grande tapete, enquanto poltronas e sofás eram destinados aos televizinhos. Minha mãe era a última a se sentar na sala, mas em pouco tempo já eram solicitados os bolinhos que a levavam novamente para a cozinha. E atrás dela iam uns 3, pelo menos, para explicar como cada um preferia aquela iguaria.

Os anos voaram, até que um dia, já casada, surpreendi minha mãe sozinha na cozinha, passando os bolinhos no açúcar, enquanto algumas lágrimas corriam pelo seu rosto. Quando eu perguntei o que tinha acontecido, ela disse:

— Antigamente, enquanto eu fritava os bolinhos, uns pediam com canela, outros sem açúcar e outros ainda queriam mole por dentro, e agora não há mais ninguém para pedir nada. Cada um foi atrás do seu destino! Grande Emilinha. Sua palavra mais frequente sempre foi “Saudade”.

Bolinho de chuva

Ingredientes: 2 ovos, 4 colheres de açúcar, ½ xícara de chá de leite, 1 colher de sobremesa de manteiga, 1 pitada de sal, Farinha o quanto baste para pingar com a colher e 1 colher de sopa rasa de pó royal

Modo de fazer: Bater os ovos com o açúcar até espumar. Juntar a manteiga, o leite e mexer bem. Acrescentar farinha aos poucos, deixando a massa firme para pingar com a colher. Ao final, acrescente uma colher de sopa rasa de pó Royal. Mexer rapidamente. Fritar em óleo não muito quente, até cozinhar bem por dentro e dourar. Escorrer bem sobre o papel e em seguida envolvê-lo em açúcar e canela. Se preferir, coloque pequenos pedaços de banana nanica na massa, envolvendo-a com a colher, para colocar na panela. Servir com café ou uma jarra de chocolate quente saborizado com casquinhas de laranja.

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