Manifestação sim

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Desqualificar uma manifestação legítima, como o presidente Jair Bolsonaro fez no último dia 15, quando centenas de milhares de pessoas saíram às ruas contra o contingenciamento de recursos da Educação não é uma exclusividade deste governo.

Dilma Rousseff, Lula, FHC, Collor, todos tentaram diminuir a força das ruas quando confrontados. A diferença entre os presidentes nem foi a maneira, às vezes desrespeitosa, com a qual se dirigiram aos manifestantes. “Fiz a reforma da Previdência para que aqueles que se locupletam da Previdência não se locupletem mais, não se aposentem com menos de 50 anos, não sejam vagabundos em um país de pobres e miseráveis”, disse Fernando Henrique Cardoso, em maio de 1998.

Mas o que o presidente Bolsonaro fez ao chamar os manifestantes de “idiotas úteis” foi desqualificar toda a Educação nacional, dos professores aos alunos, dos doutorandos aos estudantes de ensino fundamental, passando pelos pesquisadores e todos os trabalhadores do setor, somente por se posicionarem contra o “contingenciamento” de verba. Que apesar de se tratar de uma “segurada” nos recursos, dificilmente não sofrerá efetivamente uma redução.

O que existe por trás dessa medida é uma tentativa de recuperar as finanças nacionais, terra arrasada depois de tantos malfeitos dos anos de governo Petista e do sequente governo Temer. Mas é justamente investindo em Educação que se recupera um país. Certo seria focar recursos justamente nessa área.

Pois não é somente nas universidades que o cinto será apertado. Haverá contingenciamento em todos os níveis da Educação. O fator tempo é muito precioso em Educação e desperdiçá-lo, prejudica enormemente o potencial de uma geração.

A Câmara dos Deputados convocou o ministro Abraham Weintraub para comentar a medida, mas aconteceu o que se esperava: oposição atacando, situação defendendo e pouco debate e propostas concretas sobre a Educação. Ou seja, mais tempo perdido. Mais energia gasta. O que realmente importa é a formação das crianças, a educação dos jovens, ensino profissionalizantes, universidades investindo não só em graduação, mas também em pesquisa. Isso gera sim desenvolvimento, riqueza. A Educação é uma ferramenta de transformação social poderosa. Cortar, contingenciar, reduzir, ou qualquer outro eufemismo empregado, nessa área é, mais uma vez, uma economia burra do governo. E se posicionar de maneira tão radical como o presidente Bolsonaro se dirigiu aos manifestantes é não entender que, mais do que questão ideológica, mais do que uma fantasia entre uma luta entre “comunistas” e os “guardiães da família brasileira”, o que se estava sendo cobrado nas manifestações era tão somente a garantia do futuro dos estudantes, que efetivamente, representam o destino do país.

Foto: Reprodução Internet / O Estadão

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