Vargengrandense lança documentário sobre a vida de mulheres no campo

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Eloá de Souza é a autora da obra

A vargengrandense Eloá de Souza de Oliveira, de 22 anos, estudante do 5º período de Publicidade e Propaganda da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), em Passos (MG), lançou o curta-documentário “Semeadas”, que retrata a vida de mulheres que moram e trabalham na zona rural da cidade mineira. Lançada em 1º de maio, Dia do Trabalho, nas redes sociais Facebook, Youtube e compartilhado pela página do Mídia Ninja no Facebook, a obra apresenta entrevistas com essas mulheres. O documentário faz parte do Projeto de Extensão “Mulheres da Zona Rural de Passos – MG”, com orientação da professora Luciana Grilo Ricardino do Curso de Comunicação Social – Habilitação em Publicidade e Propaganda na UEMG Passos. De acordo com Eloá, para chegar ao resultado final o projeto foi realizado em várias etapas. “Além das visitas à comunidade rural, foram feitas ações de cidadania voltadas para a mulher da zona rural, oficinas e palestras através de parcerias com o CRAMP, o Centro de Referência em Atendimento à Mulher de Passos, Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, Coletivo Soul Mulher, Secretaria Municipal de Educação, Secretaria Municipal de Saúde, Sindicato dos Produtores Rurais, Emater e Rádio INDFM”, contou. O documentário apresenta entrevistas com mulheres, cujas histórias de vida retratam algumas características do cotidiano nas comunidades rurais de Passos. “Foram entrevistadas dez mulheres das comunidades da Mumbuca, Águas e Antiga Usina Rio Grande. O quadro diverso mostra a realidade de mulheres empregadas formalmente, aposentadas, donas de casa e trabalhadoras informais do campo”, ressaltou. Eloá contou que foi um grande aprendizado poder conhecer a extensa zona rural de Passos e entrevistar mulheres singulares, podendo perceber em cada uma delas, as dificuldades e as alegrias de se viver longe da cidade. “Durante as gravações, objetivei retratar com naturalidade suas histórias de vida e as percepções que essas mulheres têm sobre assuntos como trabalho, saúde e educação, como também a percepção delas para com outras mulheres do campo”, disse a estudante. Eloá vê a experiência como aprendizado, porém ressaltou alguns pontos negativos no projeto realizado, como ver de perto a falta de oportunidades de emprego, dificuldade de acesso à saúde, comunicação e locomoção, além do preconceito e machismo presente. “Do lado negativo percebi um quadro onde faltam principalmente oportunidades de emprego, sendo os trabalhos existentes, em sua maioria precários e exaustivos, como por exemplo, a panha de café. Outro ponto observado mostra a dificuldade ao acesso a saúde pública para essas mulheres, bem como a dificuldade de comunicação e locomoção. Além disso, fica evidente a estigmatização e preconceito ainda existente com a vida da mulher rural, fruto de uma cultura machista impregnada em nossa sociedade”, destacou Eloá. “Por outro lado, a maioria dessas mulheres, mostra gostar de sua rotina e tranquilidade do campo e se recusa a vida agitada da cidade. Apesar de todas as dificuldades apresentadas, fico feliz e lisonjeada em poder conhecer mulheres fortes que se superam a cada dia, sempre muito acolhedoras, mulheres que apesar das barreiras, nunca param, mantendo tradições, sempre cuidando da terra, se dedicando a família e a comunidade”, ponderou a estudante. Embora inicialmente divulgado apenas nas redes sociais, os planos para o projeto vão muito além das telas do computador e celular. “Estamos planejando fazer exibições para as mulheres nas comunidades rurais, na UEMG Passos e em outros espaços na cidade como a Estação Cultura e a Casa da Cultura, ainda estamos esquematizando”, contou Eloá. “A intenção é que esse registro alcance diversas pessoas. Ainda não tenho previsão, mas com certeza poder exibir esse documentário na minha cidade natal seria maravilhoso, e com certeza está nos meus planos futuros”, completou a estudante.

Fotos: Arquivo Pessoal

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