Vargengrandenses lutaram na Revolução Constitucionalista

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O Dia da Revolução Constitucionalista de 1932, feriado estadual de São Paulo, é celebrado anualmente em 9 de julho, em homenagem ao movimento contra a ditadura de Getúlio Vargas, realizado pelos paulistas. Este ano, a data cai na próxima terça-feira.

Fronteira com o estado de Minas Gerais, Vargem Grande do Sul participou da guerra. Soldados e munícipes lutaram bravamente no combate. A Gazeta de Vargem Grande buscou saber a história do conflito na cidade junto ao estudioso da história do município, Mario Poggio Jr. em seu conjunto da obra sobre a Revolução Constitucionalista de 1932.

Histórico

Os paulistas exigiam do Governo Provisório a elaboração de uma nova Constituição e a convocação de eleições para presidente. A revolta se iniciou no dia 9 de julho, liderada pelo interventor do estado, Pedro de Toledo. No total, foram 87 dias de combates até 4 de outubro de 1932. São Paulo contou com 200 mil voluntários, sendo 60 mil combatentes, contra 100 mil soldados do governo Vargas.

Os paulistas, que foram derrotados, esperavam o apoio de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, no entanto, ambos os estados não aderiram à causa.

Em 1997, o então governador do estado de São Paulo, Mário Covas, oficializou o dia 9 de julho como feriado civil em São Paulo, uma homenagem ao soldado constitucionalista que lutou pela queda da ditadura de Vargas.

Vargem na guerra

De acordo com artigos de Mario Poggio Jr, Vargem se empenhou na luta com doação de mercadorias, prestação de serviços, apoio à causa, criação de centros de acolhimento, como a Casa do Soldado e, principalmente, adesão de vargengrandenses voluntários, para compor as forças paulistas constitucionalistas. A cidade contou com a cobertura jornalística realizada pelo jornal O Liberal, de propriedade do jornalista Walter Tatoni.

De acordo com Mario, os vargengrandenses que participaram foram o professor Achilles Rodrigues do Patrocínio, diretor da escola Alexandre Fleming e pai do advogado Antônio Carlos do Patrocínio Rodrigues, o “Lin”; Agenor Teixeira; Alexandre Teixeira, o “Xandico”; Anthero do Patrocínio Rodrigues; Antônio Federighi Filho; Antônio Pinto Fontão; dr. Asistides Peres; Avelino A’ Afflicto; Benedito Bastos; Edmundo Russomano, autor do “Canto dos Bandeirantes”; professor Henrique de Brito Novaes, que colaborou na Intendência de Guerra em Itapetininga e no “Lunch Expresso”; Homero Russio; Horácio Liberal Andrade, gerente da Caixa Econômica Estadual; J. Serra, que lutou no Batalhão Henrique Dias; José de Andrade Fontão; José Oliveira Fontão, o “Zé Almofadinha”, que combateu na Coluna Romão Gomes com a patente de Tenente; João Pinheiro Costa; Joaquim Eduardo dos Santos; Luiz Lodi, 2º sargento; Luiz Zoldan; Manoel Osório de Oliveira, o “Bididinho”, que lutou no “2º Batalhão do Regimento 9 de Julho”; Mario Poggio, que lutou pelas forças riopardenses; dr. Moacyr Peres, que lutou no “2º Batalhão do Regimento 9 de Julho”; Oswaldo F. Fontão; Oswaldo Fontão Varzim; Ozório Alcides do Nascimento, que combateu no “Batalhão Henrique Dias”; Pedro Fiorini; Pedro Ribeiro; Petrônio Lupetti, Raymundo de Novaes Gomes; Rogério de Oliveira Fontão; Ruy Alvarenga Saturnino Alves; Sebastião Belchior; Segismundo dos Santos; Vidal Fontão, o “Nego Serra”, que combateu no Batalhão Henrique Dias; Vicente de Sylos, que prestou auxílio às tropas em São Roque e muitos outros.

Abastecimento

Em uma época em que a mulher era discriminada, Purcina Cândida de Jesus teve a coragem de procurar o comandante das forças constitucionalistas da região e propor-lhe apoio, ao invés de seus filhos serem levados para a frente da batalha. Sua família fornecia alimentos,  trocava as montarias e restaurava as selas. Havia senha previamente combinada, para saber se as tropas eram amigas. Benedito Albuquerque, o “Ditinho Chofer” participou da Revolução, sendo convocado para ser motorista do tenente Gunor, responsável pela inspeção da fronteira entre São Paulo e Minas Gerais.

Com o início da Revolução, o então prefeito capitão Francisco Ribeiro da Costa, tomou a frente para organizar medidas, como a instituição do tabelamento de preços, criação da guarda municipal, etc. A população contribuiu como pode, com donativos em espécie, mercadorias e prestação de serviços, como por exemplo, Bertholino Aleixo Pereira, que beneficiou todo arroz doado, e crianças participaram com a realização de espetáculos infantis para arrecadar mercadorias para envio aos soldados.

Com a aproximação da tomada da cidade pelos mineiros, o que de fato aconteceu e depois foi retomada, muitas famílias se abrigaram em sítios da redondeza, em razão do perigo das trocas de balas.

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