Rafaela: oportunidades e desafios de trabalhar como mototaxista

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Rafaela e o marido, Mateus, que faleceu aos 25 anos; ela e o marido com os filhos

Nos últimos anos, o serviço de moto táxi, embora continue majoritariamente masculino, passou a englobar cada vez mais mulheres na categoria. A mototaxista vargengrandense Rafaela de Cássia Ribeiro Moreira, de 28 anos, trabalha na área há dois anos e cinco meses. À Gazeta de Vargem Grande, ela contou como foi parar na profissão. “Eu comecei através do meu marido, Mateus Domingues, que foi fazer um bico no moto táxi e me chamou para trabalhar também até ele arrumar um serviço como caminhoneiro, que era a profissão dele”, disse.

Como fator positivo de haver mulheres nesta profissão que antigamente era realizado apenas por homens, ela citou a maior confiança passada entre as mulheres profissionais e clientes. “Há diferencial positivo em ser mulher nessa profissão, pois várias mulheres preferem andar com mulheres, principalmente algumas que já são mais de idade”, falou.  “Para nós, profissionais que também somos mulheres, também é melhor lidar com mulher no meu ramo de trabalho, já que alguns homens, não todos, têm malícia, então prefiro sim lidar com mulher. No entanto, eu carrego os dois sem problema algum. Me respeitando, eu não vejo problema”, completou.

Para Rafaela, ser mulher é um diferencial na profissão

A mototaxista contou que, embora as mulheres sejam minoria no ramo, ela nunca sofreu nenhum preconceito relacionado a gênero e também nunca presenciou ou soube de situações com outras profissionais.

Como principal desafio ela destacou o medo. “Há medo de ser assaltada e de colocar uma pessoa estranha na garupa da moto e fazer algum mal pra gente, mas graças a Deus, nunca passei por nenhum desses casos”, citou.

Rafaela contou que já sofreu dois acidentes na profissão, mas que nenhum deles foram mais graves que alguns machucados na perna, porém a mãe de três filhos corre o risco do trânsito diariamente e encontra em suas crianças o combustível para enfrentar todos os desafios que a profissão exige, principalmente após ter passado por uma grande perda.

“Nessa profissão corremos vários riscos, principalmente de acidentes, e foi assim que perdi meu marido em 2017. Ele sofreu um acidente trabalhando e eu pensei em parar com a profissão, mas segui forte pelos meus três filhos que precisam de mim perto deles. Os dois meninos, de três e quatro anos, são dele e tenho uma menina, de sete anos, de outro relacionamento”, contou.

A mototaxista aconselhou as mulheres que estão entrando na área para que tomem cuidado. “O único conselho que eu dou é para que pensem bem se é essa profissão que elas de fato querem para a vida, porque é uma profissão de riscos, principalmente para nós ,que somos mães. Então todas devem tomar o máximo de cuidado”, alertou Rafaela. Fotos: Arquivo Pessoal

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