Memória curta

0
182

A política é uma arte. Só por meio dela é que são conseguidos avanços para a sociedade, é mantida a boa relação entre poderes, povos e até vizinhos. Demonizar a política e os políticos é a melhor ferramenta daqueles que visam a tirania. Ao generalizar todos os políticos como sendo todos ruins, ladrões e oportunistas, quem ganha é justamente o mau político, que vai usar da frustração dos eleitores e da apatia das urnas para chegar ao comando e instalar seu plano de poder.

Por isso é necessário sempre destacar os bons políticos. Aquelas pessoas que não usam do poder em benefício próprio, que não exploram as relações entre o público e o privado e principalmente os que efetivamente são responsáveis com o dinheiro público.

Tudo isso para combater a falta de memória das pessoas. Cansados de tantas notícias ruins envolvendo mandatários, muita gente se esquece do passado, acreditam em frases repetidas à exaustão e verdades fabricadas de caráter propagandista.

Muito se repetiu que a Saúde na cidade era ótima na gestão passada, mas muitos se esqueceram que nos últimos meses faltavam remédios básicos, como tramal e até dipirona. Os gastos vultuosos em uma UPA que nunca funcionou conforme o determinado pelo Ministério da Saúde. Os mais de R$ 5 milhões pagos ao ano a empresas para oferecerem os mesmos serviços que hoje são feitos na cidade por R$ 1,5 milhão a menos.

Falou-se muito da Educação também. Mas foi nesse departamento que foram encontrados indícios fortes de desvios de recursos públicos em contratos que ainda estão sendo analisados pela Justiça e que podem gerar condenações até na esfera criminal aos envolvidos.

Muito também foi alardeado sobre os benefícios aos servidores públicos, que receberam reajustes e um novo plano de cargos e carreiras. Mas e os salários atrasados no final da gestão anterior? E os recursos não depositados em caixa para os vencimentos dos funcionários municipais que tiveram que ser pagos nos primeiros meses da atual gestão?

É evidente que a postura do atual Executivo com relação ao funcionalismo tem desagradado a categoria. Não dar nem o percentual da inflação no primeiro ano, reajustar o mínimo nos anos seguintes e não aumentar o valor do vale-alimentação são medidas impopulares e que poderiam ter sido melhor analisadas. Prometer um reajuste após o parcelamento dos precatórios e levar mais de dois meses para apresentar uma proposta neste sentido é sim motivo para queixas dos trabalhadores. Afinal, a inflação vai corroendo os salários e o custo de vida em um país com crise econômica como o Brasil só aumenta.

Na sessão de Câmara da última segunda-feira, dia 2 de setembro, quando teve as contas de seu último ano como prefeito aprovadas, Celso Itaroti (PTB) comemorou a decisão dos vereadores e do Tribunal de Contas do Estado, como sendo um atestado de que foi um bom prefeito com os cofres municipais e que todas as críticas e ações judiciais foram injustas. Vale recuperar mais uma vez a memória dos vargengrandenses e lembrar que ex-prefeitos também tiveram suas contas aprovadas e após isso, a Justiça verificou mau uso de dinheiro público, que levaram políticos a cumprirem pena de reclusão. Ou seja, um parecer do TCE não é atestado de inocência.

Um político que distorce a realidade e usa mais marketing do que fatos concretos esse sim deve ser esquecido pela população.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor insira seu comentário
Por favor insira seu nome aqui