Estudo mostra desigualdade na renda entre brancos e negros

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Nesta quarta-feira, dia 20, é celebrado o Dia Nacional da Consciência Negra

O Dia Nacional da Consciência Negra é celebrado nesta quarta-feira, dia 20. A data foi instituída oficialmente em 2011 e faz referência à data de morte de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares. Símbolo da luta e resistência dos negros escravizados no Brasil, Zumbi foi morto em 1695 por bandeirantes.

Criada em 2011, a lei que define o dia 20 de novembro como Dia Nacional da Consciência Negra não transformou a data em feriado nacional. Portanto, cabe aos governos de cada estado e cidade do Brasil optar por ser feriado ou não.

Em Vargem Grande do Sul, a data não é considerada feriado. No entanto, um projeto de lei do vereador Wilsinho Fermoselli (DEM) incluiu o Dia da Consciência Negra no calendário municipal de eventos, incentivando palestras, mostras e debates sobre o tema.

Esta data traz à tona questões importantes como o racismo e a desigualdade que permeia no âmbito social. O Dia Nacional da Consciência Negra busca relembrar a luta dos africanos escravizados e reforçar a importância de novas lutas para tornar a sociedade justa.

De acordo com o Departamento de Cultura e Turismo de Vargem Grande do Sul, o tema será abordado no “Trilhas Culturais”, evento promovido pelo Projeto Guri em parceria com a Cultura. O encontro visa reunir os talentos da cidade nas mais diferentes áreas: música, dança, artesanato, grafite, entre outros. O Trilhas Culturais será realizado no dia 27 de novembro no Salão de Festa da Igreja São Benedito, a partir das 19h.

Renda

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE) mostram que a desigualdade salarial entre negros e brancos no país ainda é uma questão problemática no mercado de trabalho. De acordo com estes dados, os trabalhadores brancos possuem renda 74% superior, em média, em relação a pretos e pardos. O IBGE classifica como negro a soma das pessoas autodeclaradas pardas ou pretas.

O estudo “Desigualdades Sociais por Cor ou Raça” foi divulgado pelo IBGE na última quarta-feira, dia 13. Nele é possível observar que pretos e pardos representam 56% da população brasileira, estão em desvantagem no mercado de trabalho e ainda apresentam os piores indicadores de renda, condições de moradia, escolaridade, acesso a bens e serviços. O estudo ainda mostra que estão mais sujeitos à violência e baixa representação em cargos de gerência.

A pesquisa evidencia que a média salarial do brasileiro branco, entre trabalhos formais e informais, é de R$ 2.796. Entre os pretos e pardos, segundo os dados de 2018, é de R$ 1.608. Em comparação, para cada R$ 1.000 pago a um trabalhador branco, paga-se R$ 575,00 a um preto ou pardo.

Além da diferença de salário por cor, o IBGE divulgou dados da diferença por sexo. A cada R$ 1.000 recebidos por homens brancos, R$ 758,00 é pago a mulheres brancas, R$ 561,00 a homens pretos ou pardos e R$ 444,00 a mulheres pretas ou pardas.

Em cargos gerenciais, a pesquisa do IBGE mostra que quase 70% das vagas são ocupadas por brancos e menos de 30% delas para pretos ou pardos. Outro dado do estudo é que apesar de representarem mais da metade da força de trabalho, equivalente a 55%, pretos e pardos são praticamente dois terços dos desocupados e subutilizados, sendo 66%. A taxa de desocupação dos brancos é de 9,5%, enquanto a dos negros e pardos é 14,1%.

De acordo com o IBGE, 47% dos pretos e pardos, que é quase metade deles, estavam na informalidade no ano passado, enquanto a taxa dos brancos é de 35%. O IBGE mostra ainda que a cada quatro pessoas no grupo dos 10% com menores rendimentos, três são pretas ou pardas e uma é branca. Entre os 10% mais ricos, a proporção se inverte. Considerando medidas adotadas pelo Banco Mundial, o percentual de pretos e pardos abaixo da linha da pobreza é mais que o dobro dos brancos, diferença que se amplia ainda mais ao caminhar para a extrema pobreza.

O celular, de acordo com esta pesquisa do IBGE, está presente em 82,9% da população branca e 74,6% da preta ou parda e a lava-roupa tem percentual de 79% e 55,3%, respectivamente. Os dados mostram também que 45% da população preta ou parda não tem saneamento, enquanto o percentual entre os brancos é de 28%.

Nos indicadores educacionais divulgados pelo IBGE, apesar da melhora, as diferenças ainda são relevantes. A taxa de analfabetismo de 2016 para 2018 passou de 9,8% para 9,1% entre pretos e pardos, enquanto entre os brancos é 3,9%.

A porcentagem de pessoas com mais de 25 anos com o ensino médio completo passou de 37,3% para 40,3%, porcentagem que entre os brancos está em 55,8%. A porcentagem de pretos e pardos de 18 a 24 anos que frequentavam ou já haviam concluído o ensino superior era de 18,3%, quase metade do percentual de brancos, que marcou 36,1%

Os números da violência, segundo o IBGE, pioraram. Enquanto a taxa de homicídios entre 2012 e 2017 manteve-se estável na população branca, sendo 16 mortes a cada 100 mil habitantes, ela aumentou na população preta ou parda de 37,2% para 43,4 mortes a cada 100 mil.

Mesma função

Um estudo apresentado pelo Instituto de Pesquisas Locomotiva aponta que a desigualdade salarial entre negros e brancos no Brasil faz com que deixem de circular anualmente R$ 808,83 bilhões na economia brasileira.

O estudo intitulado como “O Desafio da Inclusão” explicitou a diferença que existe entre negros e brancos com a mesma formação no mercado de trabalho. Os dados mostram que um branco com curso superior ganha, em média, 31% a mais do que um negro com curso superior e na mesma função. A pesquisa ouviu duas mil pessoas em 70 cidades brasileiras.

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