Para especialista, negro ainda é preterido pelo mercado

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Gaby Lourenço é consultora de Gestão de Pessoas. Foto: Arquivo Pessoal
Gaby Lourenço é consultora de Gestão de Pessoas. Foto: Arquivo Pessoal

À Gazeta de Vargem Grande, a vargengrandense Gaby Lourenço, de 37 anos, que é consultora de Gestão de Pessoas e diretora da Gestores do Varejo, em Ribeirão Preto (SP), falou sobre os resultados do estudo “Desigualdades Sociais por Cor ou Raça” do IBGE.

Gaby comentou que entende que o ponto mais importante sobre essa questão está no fato do negro ainda ser preterido ao entrar no mercado de trabalho e conquistar posições de liderança e destaque.

Para exemplificar, ccitou o caso da jornalista Maju Coutinho. “Tivemos um caso recentemente, que acabou vazando dos bastidores e que mostrou exatamente o que acontece de forma velada em algumas empresas, foi o caso da Maju Coutinho, da Rede Globo, que tem sofrido discriminações desde que passou a informar sobre as previsões do tempo no Jornal Nacional e que ao assumir o posto de âncora do Jornal Hoje teria, supostamente, sofrido discriminações dentro da própria emissora”, disse.

“A jornalista em questão foi uma das que mais teve ascensão na carreira, mesmo com tantas críticas infundadas e tantas perseguições, porém, diferentemente dela, muitos negros ainda sofrem resistência para entrar e para fazer carreira nas organizações”, completou.

Quanto à diferença salarial, a vargengrandense pontuou que, em sua opinião, isso ainda é um retrocesso e é uma ignorância muito grande das empresas que participam dessa prática, visto que quanto melhor se remunera uma pessoa, seja ela quem for, melhor será o retorno ou o resultado que ela apresentará para a empresa.

“Pagar um salário menor para determinado grupo, é jogar contra o próprio negócio e fere a inteligência desse empresário. Vale lembrar que não apenas o negro, mas outros grupos considerados minorias também recebem remuneração menor, como as mulheres, os homossexuais e os portadores de necessidades especiais, por exemplo. E definir esses critérios tão rasos como a cor da pele, gênero ou orientação sexual para remunerar uma pessoa, além de ferir a inteligência de quem o faz, fere também a nossa Constituição”, destacou Gaby.

Para ela, mudar esse cenário está nas mãos do próprio negro e das outras pessoas na mesma condição. “Falando especificamente do negro, cabe a nós, primeiramente, reconhecermos que somos iguais, que rendemos tanto quanto qualquer outra pessoa na empresa e que, por essa razão, merecemos a mesma remuneração, ou seja, estou falando da necessidade de ir à luta mesmo, por melhores condições, pois, percebo sempre que, para não perderem o emprego, muita gente, negra ou não, acaba se sujeitando a muitas situações complicadas na empresa e o salário é apenas uma delas”, comentou.

Gaby disse que vê esse exercício de consciência como fundamental e citou um caso seu como exemplo. “Há algum tempo atrás, em reunião com o meu cliente eu não sabia cobrar o valor correto pelo meu trabalho, isso ainda acontece com muitos empresários prestadores de serviço e, quando a pessoa não sabe cobrar, o cliente é quem determina o quanto deseja pagar pelo serviço, e esse valor, claro, é sempre inferior ao que realmente vale”, disse.

Gaby comentou que levando esse exemplo para o profissional CLT, quando ele não sabe o quanto o seu trabalho vale, ou o quanto o mercado paga, ou ainda, se ele achar que o que ganha está adequado, essa realidade não mudará.

“Então, o primeiro passo é a consciência, e ao avistar alguma diferença salarial, após o período de experiência, ou após o que foi acordado com a empresa no momento da contratação, vale a pena conversar com o responsável sobre esse fato”, aconselhou.

Segundo ela, um ponto relevante e que vem contribuindo para uma mudança positiva nesse cenário é o fato do negro estar buscando melhores qualificações, sendo em cursos superiores e pós-graduação.

“Isso é importante porque, indiretamente, acaba forçando o empresário a praticar uma remuneração mais justa e condizente com seus conhecimentos, porém, é importante mencionar que o reconhecimento e as mudanças ainda ocorrem de maneira lenta. Estamos em constante evolução e sempre comemoro situações de melhora nesse cenário, ainda que os fatores raciais represente um grande retrocesso em nossa sociedade”, finalizou.

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