A desigualdade que fere

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Escravizar um homem é uma das maiores atrocidades que a espécie humana praticou e a escravidão de negros foi um dos capítulos mais sangrentos da história recente. O Brasil foi um dos últimos países a abolir a escravidão e a comunidade negra paga até hoje o preço desta ação abominável.

Dados recentes do estudo Desigualdade Sociais por Cor ou Raça, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados na quarta-feira, dia 13, apontam que pretos e pardos representam 56% da população brasileira.

No censo de 2010, quando Vargem Grande do Sul apresentava uma população estimada em 39 mil habitantes, cerca de 1.700 moradores se declararam pretos e 9.600 se afirmaram como pardos. Ou seja, essa população representava na época 28% dos moradores da cidade.

Segundo o estudo do IBGE, apesar de ser a maioria da população brasileira e grande parte da vargengrandense, os negros e pardos apresentam os piores indicadores de renda, condições de moradia, escolaridade, além de serem as principais vítimas de violência.

A renda mensal de um branco brasileiro é de R$ 2.796,00 já a de um negro é de R$ 1.608,00. O IBGE aponta que segregação ocupacional, oportunidades de educação e remunerações inferiores em ocupações semelhantes explicam essa discrepância.

Ou seja, a escravidão pode ter acabado no país, mas ela ainda causa efeitos profundos na população negra. Por isso, o Dia da Consciência Negra, celebrado na próxima quarta-feira, dia 20, é uma data de extrema importância. Mais do que a questão econômica, o brasileiro negro sofre com o racismo, com a desigualdade e com a violência, uma vez que o mesmo estudo mostrou que pretos ou pardos têm 2,7 vezes mais chances de ser vítima de homicídio do que brancos.

O escritor Laurentino Gomes lançou recentemente uma trilogia sobre a escravidão e suas consequências para o país, lembrando que em três séculos, navios negreiros trouxeram mais de cinco milhões de escravos da África para o Brasil. No primeiro volume da obra, lançado mês passado, o escritor já dá mostras da violência e brutalidade a qual os negros eram submetidos. Durante o período do mercado negreiro, ao menos 1,8 milhão de pessoas morreram somente na travessia do oceano. Uma média de 14 escravos que morriam todos os dias e eram arremessados ao mar.

Para Laurentino Gomes, a Lei Áurea, assinada em 13 de maio de 1888, que pôs fim oficial à escravidão no Brasil, não terminou com seus efeitos, sentidos até hoje, como os dados do IBGE mostram. “Os escravos e seus descendentes jamais tiveram acesso à educação, trabalho e terra. Essa enorme massa da população brasileira, que é majoritária, não ganhou cidadania”, disse. “Tudo isso deixa muito claro que a escravidão e o preconceito resultante dela permaneceram no DNA da sociedade brasileira”, afirmou.

É disso que o Dia da Consciência Negra trata. Desse mal ainda enraizado em todas as camadas do Brasil. Combater o preconceito é uma dívida que ainda está longe de ser paga.

Foto: Reprodução Internet

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