Criança nasce por meio de parto humanizado domiciliar em Vargem

0
788
Bruna, o marido Fabricio e os filhos com Sinara e Fernanda. Foto: Duda Oliveira

Um dos primeiros partos humanizados em domicilio que aconteceu em Vargem Grande do Sul foi o da empresária Bruna Sant’ Ângelo Doretto, de 33 anos. Mãe de três filhos, ela passou por todas as experiências no nascimento de suas crianças e optou pelo parto junto às enfermeiras obstetras Fernanda Evaristo e Sinara Ciozane Silva Nascimento, do projeto Renascer em Casa.

À Gazeta de Vargem Grande, Bruna contou porque optou pelo parto em sua casa ao invés das maneiras convencionais. Entre conversas e vendo experiências de conhecidos, a certeza que Bruna tinha era de que não queria ter que passar outra vez pelo o que passou no nascimento de seu segundo filho. Ao pesquisar sobre o assunto, ela contou que se deparou com o Projeto Renascer em Casa.

Bruna relatou que no início, a ideia era de que as enfermeiras Fernanda e Sinara, que incentivam mulheres sobre o parto natural, a auxiliariam até o momento de ir ao hospital. No entanto, ela explicou que logo a ideia mudou e junto a seu marido, Fabricio Doretto, de 31 anos, decidiu ter o bebê no seu lar.

Segundo Bruna, ela recebeu muitos julgamentos e foi chamada de louca diversas vezes, mas estava certa de que era aquilo que queria, já que as enfermeiras explicaram tudo, desde as porcentagens de risco a como aconteceria no dia. “Eu estava ciente que poderia ter que ir para o hospital, mas eu tinha tanta certeza que conseguiria e que tudo daria certo, que me senti segura e fortalecida. Acho que essa força veio por saber que teria o apoio da minha família, que estava com uma equipe 100% especializada e estaria no conforto do meu lar. Assim, tudo fluiu lindamente”.

Bruna falou sobre como foi o parto de seus dois filhos. “Meu primeiro filho Theo hoje com sete anos, foi uma cesárea agendada. Claro que o primeiro filho é tudo novo, você entra em um mundo desconhecido, então você fica presa ao sistema. Agendaram e eu fui, fiquei em jejum, tudo como me pediram e ocorreu tudo bem, voltamos pra casa e a saga começou: o desconforto dos pontos, a dificuldade pra andar e a dependência de outras pessoas para te ajudar. Isso me gerou uma depressão pós-parto, foi horrível, mas venci”, relembrou.

“Para o Felipe, meu segundo filho, hoje com quatro anos, estava com a cesárea agendada também, mas um dia antes minha bolsa rompeu em casa e fui às pressas ao hospital. Chegando lá me avisaram que eu estava com dilatação e que então eu teria parto normal. O que? Eu não aceitava. Como assim? Parto normal? Eu pirei, não queria, não estava nos meus planos, mas parecia que eu falava com as paredes, fiquei lá com dores por horas, sem ninguém da minha família, implorando por um gole de água, mas ninguém te ouve. A única coisa que você pensa é que vai morrer”, disse.

Após passar por três partos diferentes, Bruna afirmou que se pudesse escolher, repetiria o domiciliar. “Até agora, ainda me emociono em lembrar que momento único vivemos com a chegada do nosso filho. Foi um parto respeitoso, tudo no meu tempo, recebi amor, carinho, comida e bebida também”, brincou emocionada.

“Meu marido recebeu nosso filho e entregou nos meus braços, ele chegou cheio de saúde, eu o acolhi e juro, parece que não quero desgrudar dele nunca mais, que emoção, e de verdade, você parece não acreditar que conseguiu, que tudo aquilo que sonhou se tornou real, porque eu realmente pari meu filho sozinha, ninguém o arrancou de mim, foi mágico, nunca mais vou me esquecer”.

Bruna enfatizou que hoje a maioria dos hospitais já está tendo essa humanização. “Acho que aqui em Vargem falta muito, as pessoas que tomam conta dessa área da saúde poderiam abrir uma oportunidade de um curso para as enfermeiras participarem dessa experiência também, que eu acho que para elas também seria muito legal. Hoje as mulheres veem o parto normal como um momento de dor, sofrimento e loucura, então as pessoas veem isso com os olhos muito ruins e não é. Eu fiz o parto em casa porque foi uma opção minha e eu pude fazer, mas muitas mulheres hoje não têm”, disse.

“Eu acho importante e ficaria feliz se aqui tivesse, se as mulheres, quando participam daquela roda de gestantes, ouvissem mais sobre isso, seria importante, porque você vai ao pré-natal e esse assunto do parto nem é abordado pelos médicos. Você passa os nove meses pensando como vai ser quando chegar a hora e eu acho que isso deixa a mulher despreparada, mais ansiosa e nervosa”, disse. “Eu acho que se o assunto fosse mais abordado, a mente das mulheres iam se abrir mais, seria bem bacana”, completou.

“Para as mulheres que sonham em ter seus bebês em casa, aconselho que planejem e que busquem uma equipe preparada. Hoje os estudos apontam que é muito seguro ter seu bebê em casa, se você teve um pré-natal sem riscos, pesquisem, vivam esse momento único e transformem ele no dia mais importante da sua vida. Nada é mais lindo e maravilhoso que parir seu filho, Deus nos deu esse dom, não deixe que o medo te faça desistir. Se eu consegui, você também consegue. Acredite”, finalizou.

Parto em casa

À Gazeta, Sinara Ciozane Silva Nascimento, uma das enfermeiras obstetras que auxiliou no parto de Bruna, comentou sobre o parto domiciliar. Ela destacou a ampliação de conhecimento e informação atualizada, real, monitorizada, contínua e exclusiva, dentro das evidências científicas sobre gestação, parto, puerpério e cuidados neonatais de forma integral, tendo a opção de dar à luz e receber o bebê no conforto de sua casa, entre os benefícios do parto em casa.

Para ela, não há desvantagens em se optar pelo parto domiciliar, e sim riscos como em qualquer outro parto, uma vez que as evidências científicas comentam os mesmos riscos de dar à luz em qualquer outro ambiente, inclusive o hospitalar. “Uma equipe de parto domiciliar planejado é composta por profissionais capacitadas com registro ativo em seus órgãos fiscalizadores. Essa mesma equipe tem total responsabilidade e consciência de que assumem mulheres de risco habitual, sendo estatisticamente, 90% da população de mulheres em condição gestacional no mundo, apenas 10% são mulheres de alto risco, sendo essas de cuidado integral em assistência de alta complexidade. Nós assumimos gestantes com equipe hospitalar de retaguarda para eventuais intercorrências”, pontuou.

Segundo Sinara, realizar um bom acompanhamento de pré-natal, estudar sobre gestação, compreender as opções que tem, buscar por boa equipe de parto domiciliar planejado (PDP), e o principal, que é desejar muito viver essa experiência, estão entre os detalhes necessários que uma gestante precisa saber para tomar a decisão de realizar o parto em sua casa. “Se é o real desejo dessa mulher, então entendemos que não há dúvidas sobre o desfecho do nascimento se dar com sucesso materno e neonatal”, disse. Fotos: Duda Oliveira

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor insira seu comentário
Por favor insira seu nome aqui