Construção civil deve impulsionar economia de Vargem em 2020

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No Jd Canaã, as casas do MCMV não param de ser construídas. Foto: Reportagem

Um dos setores que mais cresceu em 2019 no Brasil, dando sinais claros de recuperação, foi o setor imobiliário brasileiro, com a construção civil encerrando o ano com crescimento de 2%, o dobro da previsão da economia brasileira, que está em torno de 1%.  O mesmo deve se aplicar ao mercado de Vargem Grande do Sul.

A reportagem da Gazeta de Vargem Grande entrevistou alguns investidores e pessoas envolvidas com a construção civil e a expectativa é de crescimento maior para 2020, mas sem exageros, um aumento ainda lento, com os pés no chão.

Segundo o empresário Jair Gabricho, sócio da Sbardellini & Gabricho Ltda, que possui duas lojas de materiais de construção em Vargem e mais outras na região, o ano de 2020 “será o ano da retomada do crescimento em vários setores e em especial no segmento de materiais de construção”.

Ele comentou que a construção civil vem sofrendo desde o ano de 2013. “Foram vinte trimestres seguidos em queda. No período de 2013 a 2018 o setor retraiu 30%, ante um crescimento de mais de 60% no período de 2006 a 2012. Entre 2013 a 2018 foram mais de 1.2 milhão de demissões no setor. Em 2019, ocorreu uma estabilização e devemos fechar o ano com um crescimento de 2%, criando um pouco mais de 50 mil novos empregos”, explicou o empresário.

O industrial Marcelo Terra, presidente do Sindicato da Indústria Cerâmica e Oleira de Vargem Grande do Sul também acha que a perspectiva é de melhora. Cauteloso, disse que 2019 foi um ano que teve altos e baixos no setor que preside, que houve um pouco de melhora e parou.

Ele citou que a capacidade ociosa das cerâmicas hoje é muito grande, com a maioria delas operando com 60% de sua capacidade e que em Vargem durante a crise que começou há alguns anos, fecharam sete cerâmicas e duas estão paradas. Quanto ao preço dos produtos, disse que eles estão defasados desde 2012. Com todo este impacto no setor, ele acredita que 2020 poderá haver um recomeço no crescimento da economia.

Para o engenheiro Dionísio Anselmo Cacholla da DAC Engenharia, que é construtor e também opera com loteamentos, com os bancos pagando menos juros nas aplicações financeiras, haverá uma tendência de se aplicar na construção de imóveis, pois o aluguel passa a ser atrativo, além de o investidor ter a segurança do patrimônio construído.

Ele também acredita que no ano que se inicia há uma tendência de melhorar a economia brasileira. Para ele, em Vargem Grande do Sul o motor junto ao setor de construção civil e geração de emprego em 2019 foi o programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) do governo federal. “Se houver recursos junto à Caixa Federal e o governo manter o programa, em 2020 a tendência é que o MCMV ainda seja o carro chefe da construção civil na cidade”, afirmou.

Entrevistado pelo jornal, o gerente Marcelo Modro Costa da agência local da Caixa Federal concordou que o programa Minha Casa Minha Vida tem um papel preponderante no desenvolvimento do setor imobiliário de Vargem Grande do Sul.

“Estou na cidade desde janeiro e visitando as construtoras locais e as lojas de materiais de construção, constatamos a importância do programa. É o produto que hoje tem mais peso para movimentar o comércio local relacionado à construção civil”, afirmou.

Também opinaram sobre as expectativas para o ano que vem, o corretor de imóveis Marcelo Guimarães Aliende, que atua no setor imobiliário com compra, venda e construção, através das empresas SS Arquitetura e a Solar VGS Empreendimentos Imobiliários, que tem como sócia sua esposa, a arquiteta Solange Sbardellini

“Eu acho que o ano de 2019 foi bastante recessivo no setor, apesar de estar com algumas obras em andamento. Acredito que para o ano novo que se inicia deva melhorar um pouco, pois estamos acreditando nas intenções do governo federal de incrementar o setor”, foi sua síntese sobre o que acha que vai acontecer em 2020.

Para Filipe Pirola Maldonado, que atua no ramo de construção civil e reformas em geral, através da sua empresa F.P. Maldonado Bom Negócio – E.P.P, “o ano de 2019 foi o ano de sonhar, atingir metas e criar novos objetivos”.

Disse que a empresa Bom Negócio realizou muitas reformas, ajudando a todos que podia com esforço e dedicação. “Foi um ano de mudanças, não somente nas casas, mas na vida de cada um. Todos da equipe estão empenhados e animados para que 2020 traga novas realizações, sonhos não faltam. A expectativa está em alta”, afirmou otimista.

Leiam abaixo as entrevistas com o empresário Jair Gabricho e com o gerente da Caixa Federal Marcelo Modro Costa.

Caixa Federal local financiou mais de R$ 16 milhões para o setor de construção

Quem anda por Vargem Grande do Sul com os olhos voltados para as construções civis, há de notar que a maioria delas é destinada para as pequenas casas que florescem nos muitos loteamentos aprovados nos últimos anos na cidade. São as casas do programa do governo federal Minha Casa Minha Vida, iniciado em 2009 durante a gestão do ex-presidente Lula e que tinha como meta conceder subsídio do governo federal para as famílias de baixa renda.

Na entrevista que concedeu ao jornal Gazeta de Vargem Grande, o gerente da agência local da Caixa Federal, Marcelo Modro Costa disse que este ano houve uma alteração para o valor máximo permitido para enquadramento no programa, que era de R$ 110 mil, passando em Vargem para R$ 145.800,00.

O programa atende famílias com renda até R$ 10 salários mínimos, podendo financiar até 80% do valor do imóvel, que tem de ser novo ou para construção. O prazo máximo é de 360 meses, com uma das taxas mais baixas do mercado, 5% de juros ao ano mais a TR. Explicou que a taxa pode variar de acordo com a renda familiar e outros fatores que contribuem em abaixá-la até 0,5%, como por exemplo, para as famílias com renda até R$ 2.600,00. A prestação não pode ultrapassar 30% da renda familiar.

Também o programa concede subsidio de acordo com a renda familiar, quanto menor a renda, maior o subsidio. Citou como exemplo, uma família com renda até R$ 1.800,00 pode ter um subsidio de até R$ 11.600,00 na aquisição de seu imóvel.

Segundo informou o gerente, a maior parte dos empréstimos é para imóveis cujos valores não ultrapassam R$ 110.000,00, sendo que em 2019 a agência local financiou a construção ou aquisição de aproximadamente 120 novas residências na cidade no programa MCMV.

As expectativas para 2020 são otimistas também para o gerente Marcelo Modro Costa. Considerando a manutenção das condições atuais do programa, ele acredita que o mesmo possa vir a crescer no ano que vem. “A expectativa geral é de crescimento no país para 2020”, afirmou.

Ele acredita que haverá um crescimento maior para o mercado imobiliário local, inclusive para quem quer construir fora do programa Minha Casa Minha Vida-MCMV. “Melhorando a economia, melhoram os salários, mais pessoas são empregadas e acreditamos num crescimento até mais acentuado para as construções fora do MCMV”, afirmou.

Empresário prevê crescimento de 4% no setor

Um pouco otimista com os rumos do possível crescimento econômico do Brasil em 2020, o empresário Jair Gabricho entende que a estabilização e o retorno do crescimento da economia brasileira no setor imobiliário se devam a vários fatores, quais são: Inflação controlada, economia estabilizada, juros baixos e a diminuição do estoque de imóveis acabados.

“Para o ano de 2020, devemos retomar definitivamente o crescimento e acredito que se não ocorrerem mudanças drásticas na economia, inflação e nas formas de financiamento, cresceremos em torno de 4% em 2020 e teremos um crescimento ainda mais robusto em 2021, algo em torno de 8%”, afirmou.

Na sua concepção, se houver de fato um crescimento mais robusto, ele acredita que possa até haver falta pontuais e regionais em alguns produtos, como por exemplo tijolos ou telhas. “Como passamos por uma crise muito longa, muitas empresas fecharam, diminuíram produção, mudaram de setor e devido à desindustrialização, pode até faltar produto, podendo gerar aumento de preço por exemplo”, explicou ao jornal.

Analisa o empresário, que também é sócio proprietário da marca Fuzil e de outros empreendimentos em Vargem, e que emprega mais de uma centena de colaboradores, o setor da construção civil poderia criar rapidamente mais de 1,2 milhão de novas vagas, se houvesse mais dinheiro e projetos para obras de infraestrutura e para o programa de casas próprias destinadas a famílias de baixa renda, como o Minha Casa, Minha Vida.

“As grandes obras de infraestrutura dependem basicamente dos investimentos dos governos, de privatizações e concessões. Como sabemos os governos têm pouco dinheiro no orçamento para essas obras, assim sendo, temos que acreditar e esperar que sejam continuados, ampliados e implantados os projetos de privatizações e concessões”, explicou ao jornal.

Jair Gabricho acredita que somente os investimentos privados no setor de infraestrutura não serão suficientes, sendo necessário que o governo federal, junto com o Congresso, consiga racionalizar os gastos públicos, ampliando as reformas iniciadas, visando reforma administrativa ampla, diminuindo drasticamente o tamanho da máquina administrativa, por meio de adequações de cargos e salários, modernização de processos, melhorando a eficiência dos gastos públicos, principalmente nas áreas essências como Saúde, Educação e Segurança. “Dessa forma sobra mais dinheiro para investimentos em grandes projetos de infraestrutura e em programas como Minha Casa Minha Vida, gerando um ciclo virtuoso de trabalho e renda”, vaticinou.

Continuando sua explanação ao jornal sobre o desenrolar da economia brasileira para o ano que vem, Jair Gabricho disse que o valor orçado do governo federal para 2020, tanto para investimento como para o programa de Minha Casa Minha Vida, é insuficiente e muito abaixo do necessário, principalmente os da faixa 1, ou seja, famílias que ganham até R$ 1.800,00 mensais. “Os recursos são tão escassos, que acredito só serão liberados para situações excepcionais, por exemplo, famílias de baixa renda que perderam suas casas em catástrofes. Ainda assim, espero que nas outras faixas de financiamentos não encontremos problemas e dessa forma finalmente voltarmos a crescer consistentemente em 2020”, afirmou.

Com relação aos investimentos em Vargem Grande do Sul para o ano que vem, Jair comentou que está mais otimista ainda. Pretende juntamente com os sócios, finalizar o layout de uma das lojas de material de construção que atua no centro da cidade e também na loja voltada para o setor agrícola. A intenção é ampliar a oferta de produtos na linha de acabamentos. “Com estes investimentos esperamos agregar valores extras além do crescimento esperado, calculamos um crescimento de 20%”, finalizou.

Foto: Reportagem

Caique Aparecido de Lima, de 26 anos, financiou sua casa de 46 m² pela Caixa Econômica Federal. Casado e pai de dois filhos, ele trabalha na usina Abengoa e agora está construindo o muro. A obra custará R$ 110 mil e Caique financiou através do programa R$ 88 mil. Para os R$ 22 mil restantes, ele usou o seu Fundo de Garantia (FGTS) e também conseguiu um subsídio. “O programa é muito bom, se não fosse o Minha Casa Minha Vida, eu não teria condições de construir”, disse.

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