Em 2019 não houve caso de hepatite em Vargem

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Em 2019 não houve caso de hepatite em Vargem. Foto: Reprodução Internet

A hepatite é o nome dado à inflamação do fígado e além de ser causada por vírus, pode ser causada pelo uso de alguns remédios, álcool e outras drogas, assim como por doenças autoimunes, metabólicas e genéticas. De acordo com informações do responsável do Departamento de Saúde, em 2019 não houve casos registrados de hepatite em Vargem. Em 2018, seis casos foram registrados, sendo o último em outubro daquele ano.

As hepatites virais em alguns casos são doenças silenciosas que nem sempre apresentam sintomas, aumentando o risco da infecção tornar-se crônica e causar danos mais graves ao fígado, como cirrose e câncer. Os tipos de hepatite são classificados por letras do alfabeto em A, B, C, D (Delta) e E. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento para todos independente do grau de lesão do fígado.

À Gazeta de Vargem Grande, o Departamento de Saúde explicou as recomendações, especificações e cuidados para a doença. “As hepatites B e C são doenças virais de transmissão inter-humana,  as formas mais comuns de transmissão da hepatite B são através, principalmente, da relação sexual e do sangue, pelo uso de agulhas mal esterilizadas, piercings, tatuagens, uso coletivos de agulhas não esterilizadas e etc”, informou.

“A Hepatite C é transmitida praticamente e exclusivamente pelo sangue. O que é importante frisar é que a vacina da hepatite B é muito eficiente, desta forma é necessário que todos se vacinem. No caso da hepatite C ressaltamos que o paciente que realiza o tratamento correto a chance de cura é até de 90% dos casos”, completou.

No Brasil, os tipos mais comuns são causados pelos vírus A, B e C, e na região Norte há maior incidência do vírus D, que causa infecção quando junto ao vírus tipo B, vírus que há muitos portadores silenciosos, assim como o C. A hepatite E é relatada raramente no país. De acordo com dados do Ministério da Saúde, mais de 70% dos óbitos no Brasil são decorrentes do tipo C, seguido do tipo B com 21,8% e do A com 1,7%.

A recomendação do Ministério da Saúde é que a população vá ao médico regulamente para fazer os exames de rotina, que detectam as hepatites, principalmente aquelas pessoas que não se imunizaram para hepatite B ou que têm mais de 40 anos e que podem ter se exposto ao vírus da hepatite C no passado, como em transfusão de sangue e cirurgias.

As hepatites nem sempre apresentam os sintomas, mas eles podem ser cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras.

Prevenção

As formas de prevenção são variadas. A vacina, disponível gratuitamente no SUS é uma forma de prevenir os tipos A e B, e automaticamente o D, que só cria infecção quando está em contato com o B. Para os demais tipos não há vacina e o tratamento é indicado pelo médico.

A vacina para hepatite A é oferecida no Calendário Nacional de Vacinação para crianças de 15 meses a cinco anos incompletos, e também no Centro de Imunobiológicos Especiais (CRIE) para pessoas de qualquer idade que tenham hepatopatias crônicas de qualquer etiologia incluindo os tipos B e C; coagulopatias; pessoas vivendo com HIV; portadores de quaisquer doenças imunossupressoras; doenças de depósito; fibrose cística; trissomias; candidatos a transplante de órgãos; doadores de órgãos, cadastrados em programas de transplantes; pessoas com hemoglobinopatias. Devido ao surto local observado em São Paulo, a vacinação para hepatite A foi ampliada para populações específicas: homens que fazem sexo com homens.

Contra a hepatite B, a vacina é dada em crianças em quatro doses: ao nascer, dois, quatro e seis meses. Para os adultos que não se vacinaram na infância, são três doses, que dependem da carteira de vacinação. É importante que todos que ainda não se vacinaram tomem as três doses da vacina. Pessoas que tenham algum tipo de imunodepressão ou que tenham o vírus HIV precisam de um esquema especial com dose em dobro, dada no CRIE. Em 2017, foram distribuídas 18 milhões de vacinas. Atualmente, 31.191 pacientes estão em tratamento para hepatite B.

Transmissão

Há várias formas de contrair hepatite. A hepatite A, assim como a hepatite E, é de transmissão oral-fecal e as formas de prevenção são semelhantes: condições precárias de saneamento básico e água, de higiene pessoal e dos alimentos.

O vírus B, C e D podem ser transmitidos por contato com sangue no compartilhamento de materiais cortantes e hospitalares. Esses tipos de hepatite também podem ser pegos por relação sexual desprotegida e transmissão vertical, podendo ocorrer durante a gravidez e o parto. Nesse caso, a amamentação não está contraindicada caso sejam realizadas ações de prevenção tais como a profilaxia para o recém-nascido: 1ª dose da vacina e imunoglobulina nas primeiras 12 horas de vida e completar o esquema com as demais doses para prevenção da hepatite B e D. Com relação à hepatite C, não existem evidências de que a transmissão possa ser evitada com a contraindicação à amamentação.

Outra forma de contração é por meio de transfusão de sangue ou hemoderivados, muito comum no passado, porém considerada atualmente rara. Isso se dá pelo controle de qualidade mais eficiente com a melhoria das tecnologias de triagem de doadores e sistemas de controle.

Tratamento

A hepatite A é uma doença aguda e o tratamento se baseia em dieta e repouso, geralmente melhora em algumas semanas e a pessoa adquire imunidade, ou seja, não terá uma nova infecção.

As hepatites B e D têm tratamento e podem ser controladas, evitando a evolução para cirrose e câncer e a hepatite C tem cura em mais de 90% dos casos quando o tratamento é seguido corretamente.

Todas as hepatites virais devem ser acompanhadas pelos profissionais de saúde, pois as infecções podem se agravar.

Dados 2017

Dados do Ministério da Saúde mostram que em 2017 o Brasil registrou 40.198 casos novos de hepatites virais e que em 2018, o Boletim Epidemiológico informou que os casos da doença mais que dobraram em homens de 20 a 39 anos, como no tipo A. Um crescimento expressivo foi registrado em São Paulo, que saiu de 155 casos em 2016 para 1.108 em 2017, sendo grande parte deles transmitidos por via sexual em homens dessa idade.

O panorama atual mostra que de 1999 até 2017 são 718.837 pessoas notificadas com hepatites virais e que mais de um milhão de pessoas tiveram contato com o vírus da hepatite, o que representa 0,71% da população. Dessa quantidade, 60,7%, o equivalente a 657 mil pessoas, são elegíveis para tratamento, ou seja, têm vírus circulante no sangue. A maior concentração dos casos está na população com mais de 40 anos de idade.

A hepatite tipo B tem taxa de detecção de 6,5 casos por 100 mil habitantes e em 2017 teve 13.482 casos registrados em 2017. Dentre as hepatites virais, a hepatite C continua notificando maior número de casos, sendo 11,9 casos para cada 100 mil habitantes, onde 10% dessas pessoas também tem HIV.

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