Morando nos EUA, advogada fala sobre rotina no país com mais de 300 mil casos de covid-19

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Kau Cortez e sua família moram em São Francisco. Foto: Arquivo pessoal

A advogada Claudia Helena Poggio Cortez tem família em Vargem Grande do Sul e atualmente reside nos Estados Unidos com o marido, Dario, e a filha Julia. O país tem enfrentando um aumento severo nos casos de covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Neste domingo, dia 5 de abril, os registros indicavam 331.151 pessoas com a doença nos EUA e mais de 9 mil mortos.
À Gazeta de Vargem Grande entrou em contato com a conhecida Kau Cortez nesta semana. Ela enviou o seguinte relato à reportagem.
“Moramos eu, meu marido e minha filha na região de Sao Francisco, na Califórnia, onde desde 17 março está em vigor uma ordem para que fiquemos em casa. Originalmente, essa determinação duraria até o dia 7 de abril, mas foi estendida para 3 maio, com enormes chances de ser estendida mais uma vez. Embora a ordem do governo tenha entrado em vigor no dia 17 de março, muitas empresas antes disso ja haviam determinado que seus funcionários trabalhassem de casa – esse foi meu caso”, contou.
“Com essa ordem do governo, só podemos sair de casa para ir ao supermercado, banco, farmácia ou buscar comida em algum restaurante – que só podem oferecer comida para viagem. Tambem podemos caminhar/nos exercitar ao ar livre, desde que mantendo no mínimo dois metros de distância de qualquer pessoa que encontrarmos. Ainda se acha tudo com facilidade nos supermercados, com exceção de álcool gel, lenços desinfetantes e papel higiênico. Criancas e adolescentes esto tendo aulas online e, pelo menos na Califórnia, eles retornarão as aulas normais somente em agosto (o ano escolar termina em maio)”, relatou.
“Eu estou trabalhando de casa (meu trabalho é todo feito via computador) e a escolinha da minha filha está fechada. Meu marido trabalha em academia e, como elas estão fechadas, ele não esta trabalhando até que elas reabram. Temos saído para caminhar pelo menos uma vez ao dia com nosso cachorro e nossa filha, e saio sempre à noite para correr e mudar um pouco o ambiente. Temos a sorte de ter bastante espaço em casa para nossa filha e nosso cachorro gastarem energia, mas todos acabamos ficando um pouco entediados”, disse.
“Quando precisamos de algo do mercado, deixamos para ir nos horários em que estão mais vazios, e só um de nós vai. Muitas pessoas, especialmente idosos, estão usando os serviços de aplicativos para terem suas compras entregues em casa para que não tenham que sair e não corram o risco de se contaminar. É uma fase de readaptação para todos, mas para um bem maior: evitar que muitas pessoas fiquem doentes ao mesmo tempo, sobrecarregando hospitais, o que inevitavelmente levaria a mais mortes. Todo mundo aqui leva muito a sério a ordem de ficar em casa e de manter a distancia mínima de dois metros nas farmácias e supermercados”, destacou.

 

Importância de ficar em casa

 

“A Califórnia é o estado mais populoso dos Estados Unidos e apesar do numero de casos de covid-19 estar crescendo rapidamente, já se é reconhecido que a ordem para que fiquemos em casa teve um grande impacto em evitar mais contaminações e dar mais tempo ao governo para se preparar para o pior e para o pico do problema por aqui, que estima-se deve acontecer em duas semanas. Na California, até o dia 2 de abril eram 11.092 infectados, e 242 mortes. Nova Iorque é o estado com maior número de infectados: eram 92.743 casos e 2.408 mortes na mesma data, e nos Estados Unidos um total de 245.213 casos e 5.983 mortes. A previsão do presidente Trump e de seus assessores é de que serão entre 100 mil e 200 mil mortos por covi-19 em todos os EUA, isso com as medidas de distanciamento social que o governo está recomendando. Sem elas, os números seriam maiores”, avaliou.

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