Na Irlanda, vargengrandense conta como governo tem enfrentado a covid-19

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Juliana, o marido Keith e a filha NIna moram em Dublin, na Irlanada. Foto: Arquivo Pessoal

A Gazeta de Vargem Grande continua publicando uma série de entrevistas com vargengrandenses que moram em outros países, para que todos tomem conhecimento dos procedimentos que os governos destes locais estão tomando com relação ao combate da epidemia de coronavírus.
A vargengrandense Juliana Schiavo, casada com Keith e mãe da pequena Nina, mora na cidade de Navan, ao lado de Dublin, capital da Irlanda e trabalha numa empresa de logística de transporte. Ela contou que a empresa por se tratar de logística, está funcionando, mas reduziu os dias de trabalho para quatro na semana, sendo que teve setores que foi reduzido a três dias. Falou que devido ao agravamento da expansão do coronavírus, o governo obrigou a todos a cumprirem o lockdown, que é o isolamento mais severo, permanecendo o máximo dentro de suas casas e só saindo para fazer as coisas essenciais.
No relato enviado ao jornal, explicou que o governo da Irlanda começou fechando escolas e universidades no dia 13 de março e com isso as empresas começaram a flexibilizar quanto aos funcionários que tinham filhos, para que pudessem conciliar o trabalho com as crianças. “Somente tínhamos a opção de tirar os dias de férias remuneradas ou dias não remunerados. No nosso caso, o Keith trabalhava de manhã enquanto eu ficava com a Nina e eu ia à tarde e ele ficava com ela”, falou através do Facebook.
Como no início da epidemia os números não eram tão altos na Irlanda, o governo foi tomando as medidas aos poucos. Mas, como havia uma projeção bem alta, caso nada fosse feito, o poder público começou a orientar para que houvesse o distanciamento entre as pessoas e que não houvesse o aglomeração de mais de 100 pessoas em um mesmo local.
Disse Juliana que muitas pessoas não levaram a sério as recomendações e câmeras públicas mostraram os pubs lotados. Como já era o fim de semana da festa de Saint Patrick, padroeiro da Irlanda, cuja data é comemorada no dia 17 de março, no domingo dia 15, devido às imagens, o governo falou que ia tomar as devidas ações para que fossem cumpridas e poucas horas depois o comitê de pubs anunciou o fechamento voluntário, já que não conseguiriam cumprir a ordem. A festa de Saint Patrick foi então cancelada pela primeira vez.
No dia 20 de março, o governo intensificou as medidas comunicando o fechamento de todos os lugares que não fossem essenciais. “Muitas pessoas estavam em casa, e como o tempo ficou bom pra cá (o que é muito difícil) os parques ficaram lotados. Daí o governo fechou os parques também”, relatou a vargengrandense.
No dia 27 de março veio a medida mais dura, e, sem anúncio, o governo colocou todos em lockdown, com o isolamento de todas as pessoas em suas casas. Somente serviços essenciais podem funcionar como supermercados, farmácias, restaurantes na parte de entrega (com o mínimo de contato possível), correios e empresas que atuam com logística de transporte, postos de gasolina.
Para explicar o alcance das medidas impostas pelo governo irlandês, Juliana disse que não se pode sair de casa a não ser que seja super necessário, como comprar comida, remédios e fazer caminhada até 2km de casa. “Todos os lugares que ficaram abertos disponibilizam luva e antibacteriano para limpeza de carrinhos de mercado por exemplo. Existem marcações no chão, indicando o distanciamento necessário. Nos shoppings existem cartazes avisando que é somente para uma pessoa sentar nos bancos. Somente deixam entrar um tanto de pessoas nos mercados. Colocaram marcações no chão nos caixas, placas de vidro etc…”, explicou.
Para obter mais resultados com o isolamento, Juliana Schiavo disse que no rádio e em todos os lugares existem o anúncio pedindo distanciamento, além de cartazes explicando o que está acontecendo e alertando. Para ela, a atmosfera é bem pesada em qualquer lugar que as pessoas vão. Disse que muitas pessoas estavam seguindo as regras antes, mas agora muito mais e que a polícia tem poderes para fazer com que as pessoas cumpram.

 

Alguns problemas enfrentados no local onde ela mora

Segundo explicou a vargengrandense, que trabalha como assistente administrativa, o governo não tem o número necessário de kits para testar todo mundo. “Existia um backlog (um atraso) de 10 mil testes e eles fizeram centros de teste em estádios de futebol. Caso você acha que está com o vírus, tem que ligar para o seu médico e ele vai indicar quando ir fazer. Mas muitas pessoas não estão sendo testadas, ainda mais se depender do transporte público. Uma menina do meu trabalho ficou duas semanas em casa achando que tinha a covid-19, mas não conseguiu ser testada”, disse.

 

Números

A entrevista foi enviada à redação da Gazeta de Vargem Grande no dia 2 de abril, quinta-feira, e segundo relatou Juliana, nesta data havia 3.849 casos computados na Irlanda de pessoas infectadas, sendo que foram registrados 402 novos casos de quarta para quinta-feira, com 98 mortes, sendo 13 de quarta para quinta também.
Além das medidas acima tomadas, para ajudar no combate à epidemia, o governo irlandês chamou de volta os médicos e enfermeiras que moravam em outros países e 170 haviam voltados ao país. Também 40 mil aposentados na área da saúde voltaram a atuar, relatou a vargengrandense.
Explicou que lá o governo está pagando 350 euros por semana para as pessoas que perderam o emprego, algo em torno de R$ 2.000,00, mas existem critérios para aplicar, como tempo de contribuição por exemplo, sendo que 15 mil pedidos foram negados e quase 400 mil pedidos foram feitos.

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