Denúncias de abuso sexual infantil aumentam na quarentena

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Foto: Reprodução Internet

Na última segunda-feira, dia 18, aconteceu o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Para marcar a data em Vargem Grande do Sul, durante todo o mês de maio, a prefeitura está realizando uma campanha de combate e conscientização.
A ação está sendo realizada pelo Departamento de Ação Social representado pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), em parceria com Conselho Tutelar.
À Gazeta de Vargem Grande, a prefeitura informou que atualmente a equipe técnica do CREAS atende 13 casos de violência ou abuso sexual que se encontram distribuídos em seis bairros da cidade, além da zona rural. “Ressaltamos que essa é a quantidade que chega ao CREAS, mas existem casos que já estão em âmbito jurídico ou mesmo ainda em fase de denúncia que não chegaram ao CREAS”, pontuou.
Segundo a prefeitura, o trabalho de conscientização e orientação ao longo do mês sobre o tema será realizado por causa da data. “É muito importante que a sociedade dê atenção a esse assunto para que juntos possamos combater este tipo de crime, bem como proteger as crianças e os adolescentes e responsabilizar devidamente os autores da violência”, disse.
A violência sexual, conforme o pontuado pela prefeitura, é crime e deve ser sempre comunicado às autoridades, que todo fato é importante e deve ter a devida atenção. De acordo com o informado, cabe às autoridades identificar o abuso sexual através das diversas técnicas às quais foram treinadas.
De acordo com a prefeitura, houve aumento das denúncias na quarentena. “Contudo, cabe ressaltar que os casos atendidos atualmente de adolescentes, correspondem a crimes ocorridos quando estes ainda eram crianças e que só foram revelados agora, o que consideramos um dado importante para pensarmos sobre a real rede de proteção oferecida pelo poder público e sobre como a sociedade tem lidado de forma omissa nos casos de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes”, esclareceu.
Em cerca de 92% dos abusos atendidos atualmente pelo CREAS, conforme o informado, as vítimas são do sexo feminino. Segundo o relatado, sabe-se que os estigmas e estereótipos construídos ao longo do tempo refletem diretamente na ausência de denúncias de abuso contra crianças e adolescentes do sexo masculino, assim como refletem na forma com que todas as vítimas são tratadas pela sociedade e até mesmo pela rede de proteção.
“Vivemos em uma sociedade patriarcal e machista que muitas vezes culpabiliza a vítima, ainda que esta seja criança ou adolescente e em especial se for do sexo feminino. Além disso, há o desencorajamento de toda a sociedade na efetivação de uma denúncia formal, deixando de lado o sofrimento da vítima e a própria justiça diante de um crime muito sério”, comentou.
Conforme o explicado, o tema é muito delicado e é muito importante a forma como a família recebe a notícia e a forma de como as vítimas e seus familiares são acolhidos pela rede. “Tendo em vista os casos ocorridos há anos e só agora revelados pelos adolescentes, fica evidente que a criança não esquece e quando isso retorna à tona, já na adolescência, retorna de forma pior, mais cruel e com a sensação de que ninguém os defendeu enquanto podia, enquanto eram crianças”, disse.
A prefeitura pontuou ainda que não se deve deixar ‘o tempo curar’, como muito ouvem de pais das vítimas. “É preciso ação, é preciso dar voz às vítimas, incluindo os familiares, e fazer justiça por elas, pois uma vez que não se faz a denúncia, continuamos a alimentar uma cultura de estupro e de aceitação do agressor”, completou.
A denúncia também pode ser feita de forma anônima através do Disque 100 (Disque Direitos Humanos), através do 180 ou recorrendo ao Conselho Tutelar de Vargem Grande do Sul.

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