Investigação minuciosa da Polícia Civil leva à esclarecimento de assassinato de andarilho

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A Polícia Civil de Vargem Grande do Sul esclareceu o homicídio de um andarilho ocorrido na cidade na madrugada da segunda-feira, dia 17. A vítima foi morta a pauladas. Quatro pessoas foram presas pelo crime, ocorrido durante uma briga iniciada por conta de um pedaço de fumo de corda. De acordo com o delegado Antônio Carlos Pereira Júnior, os quatro acusados foram indiciados por homicídio doloso qualificado por motivo fútil e por meio que impossibilitou a defesa da vítima.
Em entrevista à Gazeta de Vargem Grande, o delegado contou que a Polícia Civil esteve no local onde a vítima foi encontrada, na rua Ivo Rodrigues, próximo à ponte que liga a rua Prudente de Moraes à rua Assunta Romano Felipe. O corpo do homem estava caído de bruços e ao lado havia um pedaço de madeira de cerca de 1,20 metro. Ele apresentava um ferimento na parte de trás da cabeça. Perto do corpo também foi localizada uma bolsa de lona com roupas e cobertores, porém não foi encontrado nenhum documento de identificação.
Com a suspeita de que se tratava de um morador de rua, os policiais procuraram as entidades municipais que atendem essa população em vulnerabilidade, mas não foi possível identificação exata da vítima. No entanto, na Casa de Passagem Heitor de Andrade Fontão foi localizado documentos de uma pessoa bastante parecida com a vítima, mas dois colaboradores da entidade afirmaram que não se tratava do mesmo sujeito.
Na funerária, foi colhida amostra das digitais da vítima, que foi analisada pelo Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton Daunt (IIRGD) através do sistema que permite a checagem desses dados pela Polícia Civil. Em poucos minutos, foi constatado que a vítima se tratava de Vanderlei Modesto, 43 anos, natural de Bandeirantes (PR).

Suspeitos

Com a identificação da vítima, a polícia focou a investigação na motivação e autoria do crime. A equipe passou toda a segunda-feira conversando com pessoas em situação de rua da cidade e também quem pudesse contribuir com informações. Assim, apuraram que na noite do domingo, dia 17, a vítima estava com as pessoas conhecidas como Pequeno, Dério, Bruno e um adolescente.
Os policiais em seguida conseguiram levantar a identificação de cada um deles: Edson Donizete Vidal dos Santos, 24 anos, de Santa Cruz das Palmeiras, conhecido como Pequeno, Dério Batista Pereira, 20 anos, natural de Vargem, mas que vive em situação de rua, Bruno Felipe Chagas da SIlva, 21 anos, além do adolescente de 17 anos. Estes dois últimos, residentes em Vargem.

O crime

Na terça-feira, Bruno e o adolescente foram localizados e trazidos à Delegacia. Cada um foi interrogado e informaram que na noite de domingo estavam os cinco na praça Capitão João Pinto Fontão e que Vanderlei tinha um pedaço de fumo que todos iriam consumir. No entanto, a vítima teria dito aos demais que o fumo não estava com ele e sim com o Pequeno.
Houve uma discussão e no final, Vanderlei admitiu que era ele quem estava com o fumo. A briga continuou e outras acusações antigas surgiram, mas logo a discussão foi encerrada e decidiram sair dali e seguiram para uma lanchonete, na rua Quinzinho Otávio. O grupo chegou ao estabelecimento e percebeu que estava fechado. Então resolveram tomar rumo à Via Expressa Antônio Bolonha, seguindo pela rua Ivo Rodrigues.
Quando estavam próximos à ponte que liga as ruas Prudente de Moraes e Assunta Romano Felipe, a discussão foi retomada. Um deles pegou a madeira que estava em um terreno ao lado e desferiu um golpe em Vanderlei. Outros também agrediram a vítima. Eles deixaram Vanderlei desfalecido no chão e se separaram.

Prisões

A Polícia Civil apurou que Bruno, Dério e Pequeno teriam passado a noite em uma área subindo para o Jardim Fortaleza. Na sequência, Dério e Pequeno tomaram rumo ignorado. De acordo com o delegado Antônio Carlos, os depoimentos de Bruno e do adolescente apresentaram poucas divergências. Após serem ouvidos, ambos foram liberados, uma vez que não se tratava mais de situação de flagrante.
No entanto, o delegado representou na Justiça o pedido de prisão temporária dos três maiores de 18 anos e o pedido de custódia do adolescente pelo homicídio de Vanderlei. As equipes passaram então a procurar os outros dois envolvidos, uma vez que um deles possuía autorização para viajar a Casa Branca. No terminal rodoviário de Vargem, nada nesse sentido foi constatado. Os policiais também sabiam que Dério costumava ficar em um semáforo de São João da Boa Vista, próximo à Santa Casa, lavando vidros de carros para conseguir dinheiro.
Assim, o delegado e a equipe foram até São João e ao adentrarem o município vizinho, resolveram antes passar na rodoviária de lá para verificarem se os suspeitos poderiam ter passado por lá. Tão logo chegaram no local, avistaram Pequeno e Dério no estacionamento da rodoviária sanjoanense. Ali a dupla já foi indagada a respeito do caso e acabaram confirmando a participação na morte de Vanderlei.
Eles foram trazidos à Delegacia de Vargem para darem informações e acabaram sendo detidos, uma vez que tiveram os mandados de prisão decretados. Na sequência, os policias localizaram Bruno e o adolescente, que também foram recolhidos. Todos confirmaram a participação no assassinato. “Um acabou acusando o outro de atitude mais grave, mas não restou dúvidas da participação dos quatro na morte do Vanderlei”, ressaltou o delegado.
Segundo esclareceram Pequeno e Dério, eles dormiram nas proximidades do Jardim Fortaleza e no dia seguinte voltaram à praça da Matriz, onde foram informados por outros moradores de rua que a Polícia tinha perguntado sobre eles. Eles conseguiram dinheiro e pegaram um ônibus para São João no ponto existente perto da Etec.
Os quatro foram presos e responderão pelo assassinato de Vanderlei. “Gostaria de enfatizar o esclarecimento rápido do crime que envolveu toda a equipe de policiais da delegacia e que foi decisiva a participação do Ministério Público, tanto do promotor Leonardo quanto do promotor Felipe, o escrivão judicial da segunda vara, Leonardo Buosi, além do juiz Christian, que analisaram os pedidos de prisão com bastante rapidez, o que foi essencial para que os autores não tivessem tempo hábil para empreender fuga”, observou o delegado.

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