Liberdade de expressão e notícias falsas

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A semana foi um marco para o jornalismo brasileiro. Em poucos dias, houve a divulgação da decisão de Folha de São Paulo e Grupo Globo, dois dos maiores conglomerados de mídia do país, de deixar a cobertura matinal do Palácio dos Bandeirantes, e a deflagração da operação da Polícia Federal no combate a Fake News. Dois fatos que deverão entrar para a história.
A polarização política do país ficou mais clara na eleição que opôs Dilma Roussef (PT) e Aécio Neves (PSDB). Nas eleições passadas, quando Jair Bolsonaro (sem partido) venceu Fernando Haddad (PT) essa decisão ganhou ares mais acentuados e contornos violentos. No entanto, com a posse de Bolsonaro, muitos acreditavam que o clima de tensão seria amenizado para que o presidente pudesse colocar em prática as reformas que o Brasil tanto precisa.
Porém, o que se viu foi exatamente o contrário. Bolsonaro agravou o discurso, se mantém em clima perpétuo de eleições e abrigou sob sua sombra os mais questionáveis métodos para manter sempre em ponto de ebulição seus devotos mais fervorosos. Entre esses métodos, a disseminação de notícias falsas, as conhecidas Fake News, é uma arma poderosa.
Manipular fatos, misturar dados reais com narrativas dissimuladas, chafurdar notícias antigas e tirá-las do contexto são armas usadas com muita habilidade por pessoas que deixam de lado a ética e a responsabilidade para reger de maneira inescrupulosa uma parcela da população que, por falta de esperança, conhecimento ou simplesmente por concordarem e aceitarem mesmo qualquer tipo de selvageria – como racismo, homofobia, misogenia, entre outras – aceitam qualquer informação que lhes é atirada sem o mínimo de cuidado, apuração ou apreço pela verdade. Não importa se venha de ideologia de direita ou esquerda.
Tudo isso levou ao embate entre o jornalismo convencional e a nova mídia, composta por blogs de notícias, canais do youtube, etc. Mas, com o presidente Jair Bolsonaro insuflando diariamente o embate ou contrário de promover a pacificação, os profissionais de imprensa se tornaram alvo fácil para certos grupos. Assim, a agressão a jornalistas se tornou recorrente. O que é inaceitável, pois estão ali cumprindo o seu dever.
Concordar ou discordar de uma notícia publicada é algo extremamente saudável ao debate democrático. Porém, tratar jornalistas como criminosos é ignorância. Agredir estes profissionais é selvageria.
A quantidade de informação disponível nunca foi tão grande. Exatamente por isso é necessário buscar todas as fontes, para não cair em uma notícia falsa, escrita justamente para manipular. Para isso, basta acessar todas as plataformas disponíveis. Ler jornais impresso, checar sites com credibilidade, confrontar com vídeos no youtube.
Nesse sentido, a operação da Polícia Federal contra as Fake News é um serviço à democracia, pois visa impor ao rigor da lei plataformas que abusando da premissa da liberdade de expressão, espalham a desinformação. Nada é mais democrático que a liberdade para falar o que pensa. Mas o limite se encontra na responsabilidade legal dessas expressões. Assim, se todos fizerem sua parte, com jornalistas expondo os mais variados ângulos de uma notícia, a Justiça coibindo meios de comunicação irresponsáveis e os leitores buscando em várias fontes éticas os dados necessários para estabelecer suas convicções, a possibilidade de um caudilho – de direita ou de esquerda – usar da democracia para torná-la uma ditadura, diminui drasticamente.
Por isso a imprensa deve ser vista como uma das armas de defesa da sociedade e não como a vilã.

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