A sina do jornalista

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Desde pequena, o cheiro de papel e tinta me inebriou. Sempre gostei de me aproximar de livros, jornais, revistas e cheirá-los, acredito que graças a essa prática, me tornei uma pessoa que aprecia e dá valor a leitura e ao conhecimento.
Imaginar, conversar com personagens e sonhar com as histórias começou a fazer parte do meu cotidiano quando conheci o “O Caso da Borboleta Atíria” – um livro icônico da Série Vagalume que minha mãe guardou de recordação da sua época de escola. Mesmo sem saber ler e escrever, amava folhear aquelas páginas ilustradas contando a história do meu jeito e com as minhas palavras.
Hoje, mais experiente e após mais 20 anos desde então, percebo que minha sina era a de contar histórias. E essa é a sina de todo jornalista, deve ser por isso que me tornei uma.
Recordo-me meu primeiro dia na redação da Gazeta, em agosto de 2009. Crua, sem saber absolutamente nada de como agir ou executar o papel jornalístico, carregava em minha bolsa a vontade de aprender, o medo de errar e curiosidade de conhecer pessoas, contar suas histórias e retratar pelo meu olhar seu cotidiano.
Foi um calvário! Mas foi enobrecedor, empolgante, contagiante e assustador. Quando me vi, dois anos depois, estava na faculdade de jornalismo contando minhas experiências para colegas que ainda não tinham tido oportunidade de estar em uma redação de jornal.
Por seis longos e felizes anos atuei como repórter da Gazeta de Vargem Grande. Cobri muito assunto importante, fiz bons amigos e alguns desafetos. Vi veículos de comunicação nascer e morrer. Participei de matérias que não concordei, mas exerci aquela boa e velha imparcialidade, ingrediente fundamental para a construção de credibilidade tanto do jornalista, quando do folhetim que representa.
Hoje, depois de cinco anos da minha última reportagem publicada pela Gazeta, voltei a escrever nessas páginas, na edição número 2.000. Parafraseando Tadeu, ao me convidar para escrever esse artigo : “2.000 é um número cabalístico” e coincidência ou não, o sentido figurado de cabalístico é ser enigmático, incerto, misterioso, adjetivos e significados que retratam perfeitamente o tempo que vivemos.
Em tempos que a Fake News (no português, notícias falsas) bombardeiam nossos celulares, páginas na rede sociais com conteúdo muitas vezes sem fonte fidedigna, começamos a notar a ascensão da Imprensa Escrita, com reportagens carregadas de detalhes, fontes sérias, fotografias e infográficos.
O imediatismo está aqui, por isso é essencial nos reinventarmos e proporcionar ao nosso leitor internauta um conteúdo sério, de qualidade, sem posicionamento político ou segundas intenções. Enquanto houver um leitor, sempre haverá um veículo de comunicação e o fundamental é que por traz dele exista um profissional comprometido com a verdade dos fatos.
A Gazeta de Vargem Grande, minha gratidão por todo aprendizado e os votos de mais milhares de edições. Ao meu leitor, um convite: faça jornalismo! É mais do que uma profissão ou prática, é uma experiência de vida!

por Rafaela Caio

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