GAZETA, EDIÇÃO 2000

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GAZETA, EDIÇÃO 2000

POR Marco Aurélio Lodi
Quando abri o jornal no sábado, dia 20, pela manhã, como de costume desde 1994, me deparo com a duas milésima edição da Gazeta. Feliz, por fazer humilde e pequena parte desta história, pensei: “O Tadeu me paga! Como não me avisou pra que eu pudesse preparar um texto?”.
De imediato fui me identificando com as crônicas comemorativas daquele dia e tentei remeter meus pensamentos ao passado e me lembrar de quando e como minha relação com o jornal começou.
Recordo-me que na época, e atleta ainda aqui em Vargem, havia uma coluna na Gazeta chamada ‘Gente de Talento’; coluna esta que a cada semana homenageava uma figura vargengrandense que se destacava em âmbitos variados como ciência, educação e esporte. Todos os sábados à tarde, depois que meu avô Arnaldo Lodi lia o jornal, eu o pegava só pra ver quem era que estava no “Gente de Talento”, daquela semana. Sem internet, sem Facebook, nem Instagram, meu sonho era aparecer naquela coluna. (Uma ideia, poderiam voltar com ela).
Continuei me dedicando ao judô, afinal, eu precisava ter algum talento para aparecer no jornal. Um dia cheguei para treinar na academia, uma semana após ter sido campeão em um importante campeonato de Judô e a secretária da academia disse: “Veio aqui uma moça chamada Débora, ela trabalha na Gazeta, estava procurando você! Pediu pra você ir lá assim que puder!”. Imediatamente veio a minha cabeça: “Será?”, e fui pra lá. Foi quando em 15 de fevereiro de 1995 minha “cara” estampou a coluna “Gente de Talento”, o que me ajudou muito a manter meu foco e acreditar mais em meu potencial.
Nada, nada, era a Gazeta que havia me procurado, era como hoje aparecer na TV. Nesta coluna tantos ídolos meus me antecederam que, na minha cabeça de adolescente e sonhador em ser campeão olímpico, eu entrava para um hall ímpar que me dizia que estava no caminho certo.
Como sempre lia o jornal, todas as vezes em que eu o abria, dentre tantos textos e notícias, me chamava a atenção os escritos de uma tal Lygia de Freitas. Muitos de seus textos não vinham com sua foto. Então sem conhecer sua fisionomia ou saber de sua história, me tornei seu fã incondicional pelas ideias daquilo que escrevia na Gazeta. Um dia, andando a esmo com minha mãe, fomos na casa de uma tia e lá chegando essa tia estava com uma visita. Uma senhora muito delicada e frondosa. Ao pegar sua mão na chegada, cumprimentei-a com um: “Boa tarde, tudo bem, meu nome é Marco!”. Ao que ela respondeu: “Boa tarde Marco, prazer Lygia de Freitas!”. Na hora liguei o nome a tudo que eu lia e pasmo e congelado, não tive outra reação senão perguntar se era ela que escrevia todos os sábados na Gazeta. Quando ela disse que sim, meus olhos brilharam e depois de umas horinhas de conversa sai de lá decidido que ia escrever um texto qualquer e levar para o Tadeu publicar. Tinha vontade, mas nenhuma experiência. E assim o fiz, em 1996, com 17 anos.
Quando vi meu primeiro texto impresso numa folha de jornal, resolvi que pra escrever tinha que ter opinião e estudo, hoje sei que tem que ter também sensibilidade.
De lá pra cá, apesar de quando em vez discordamos politicamente, o que é saudável no processo, em parceria com a Gazeta publicamos muitos textos como: ‘Sofrendo de Alegria’, a trilogia ‘Depois dessa’, ‘Somente essa’ e ‘Por fim, o fim’.
As anuais balbúrdias à Romaria, que com Débora Lislie, o Bruno Manson, o Fernando Franco e a Ana Luiza, escrevíamos e chamávamos de ‘Copromancia’, textos filosóficos como o ‘Meu sistema filosófico é histérico’, bem como o registro da criação e primeira formação da Equipe do Programa Bombardeio; textos de Natal, Aniversário da cidade, muitas conquistas no esporte enquanto atleta e enquanto professor, como a felicitação e divulgação de todos os campeões paulistas formados, todos os faixas pretas, o prestígio as atividades do Projeto Social Jita Kyoei de Judô, enfim, muitas histórias da minha vida em Vargem Grande do Sul, onde a Gazeta estava presente registrando tudo com afinco, disciplina e amor.
Durante anos ela me serviu de incentivo e me empurrou a sair da zona de conforto, além de me proporcionar inúmeros momentos felizes nas leituras dos finais de semana religiosamente. E isto eu tenho certeza que ocorreu com muitos outros vargengrandenses, que como eu, tem uma história que vale a pena ser contada.
Parabéns à Família Ligabue. Parabéns à Gazeta de Vargem Grande. Espero poder escrever na edição de 10.000 da Gazeta sempre com sucesso e lisura.

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