Cidade ainda padece com poluição de seus córregos e rio

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Aves buscam alimentos no Córrego Sant’Ana

Quem passa pela calçada da Rua Padre José Valeriano, entre as ruas do Rosário e Quinzinho Otávio e olha as águas do Córrego Santana, não dá para imaginar que foram gastos alguns milhões de reais pelo poder público municipal no tratamento de esgoto da cidade e que, segundo informou a prefeitura, mais de 90% de todo o esgoto produzido na cidade, atualmente é captado e tratado na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) inaugurada no início do ano 2000.
O Córrego Santana é considerado um dos berços da cidade de Vargem Grande do Sul, pois foi também em suas margens que a cidade teria iniciado sua povoação. Segundo consta nos registros históricos, o padre José Valeriano de Souza, vigário de São João da Boa Vista desde 1 de novembro de 1855, celebrou, em 1874, a 1ª missa no Bairro da Porteira, como era conhecida a cidade naqueles tempos, em casa de João Carneiro (o Boiadeiro), situada à margem do córrego que vai desaguar no Rio Verde, e que posteriormente viria a ser designado de Córrego Santana.
A água que no início do córrego quando ele adentra o espaço urbano, antes da primeira ponte existente na Av. Hermeti Piochi de Oliveira é límpida, naquele local torna-se escura, mal cheirosa, notadamente poluída por descargas de esgoto doméstico e provavelmente de outros estabelecimentos aos arredores. Principalmente nesta época do ano em que as águas diminuem, pode-se notar o quanto ele é poluído, apesar de todo o investimento feito com dinheiro público para o tratamento do esgoto da cidade.
Também a reportagem do jornal verificou alto índice de poluição de esgoto no Córrego Graminha, que deságua no Córrego Santana, no final da Av. Hermeti Piochi de Oliveira e também no Rio Verde, principalmente embaixo da ponte da Rua XV de Novembro.

Esgoto clandestino
A reportagem do jornal Gazeta de Vargem Grande procurou o prefeito Amarildo Duzi Moraes (PSDB) para questionar a poluição ainda existentes nestes locais e o prefeito falou sobre o que tem realizado para combater a poluição dos rios da cidade.
Lembrou que apesar destes pontos de poluição, hoje de fato mais de 90% do esgoto da cidade é captado e tratado na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE). Disse que pelos levantamentos feitos junto ao Serviço de Água e Esgoto (SAE) do município, estes pontos de poluição acontecem devido ao lançamento indevido de esgoto de residências e outras instalações nas galerias de águas pluviais que acabam indo parar dentro do Rio Verde e dos dois córregos, Santana e Graminha, que passam pelo centro urbano de Vargem. “São oriundos principalmente de tanques e máquinas de lavar roupas e provavelmente de alguns sanitários de casas localizadas próximas a estes pontos”, explicou o prefeito.

Fotos: Reportagem

Investimentos feitos na atual administração na área

Amarildo lembrou que na sua atual gestão, fez um investimento para captação do esgoto da Vila Esperança, que corria a céu aberto. Antigamente, quando da povoação do bairro, havia uma rede de manilha que captava o esgoto e por gravidade, jogava no Rio Jaguari-Mirim, mas que com o passar dos anos acabou sendo totalmente danificada. “No começo deste ano fizemos uma estação elevatória no local e um novo emissário ligando ao da Cohab I, que leva todo o esgoto do bairro para a ETE”, explicou. Outra estação elevatória foi construída na Estrada das Perobeiras no final do ano passado, que está captando todo o esgoto do Jardim Fortaleza, Redentor e outros bairros próximos e canalizando para a ETE. Até então, todo o esgoto de centenas de residências destes bairros era jogado sem tratamento no Rio Verde.

Tratamento

Segundo Amarildo, os emissários que foram construídos quando da construção da ETE no final de 2008 e os que foram construídos atualmente, captam entre 90 a 92% de todo o esgoto produzido na cidade e que são lançados nas redes próprias de coletas de esgoto do município. Ocorre, segundo o prefeito, que em torno de 5% a 6% de esgoto existente em casas próximas aos rios da cidade, não estão sendo jogados nas redes próprias.

Próximos passos
Indagado sobre o que pretende fazer para eliminar estes esgotos clandestinos, o prefeito afirmou ao jornal que na margem direita do Córrego Santana na Av. Hermeti Piochi de Oliveira vai melhorar a captação destes esgotos com recursos provenientes do FEHIDRO, no valor aproximado de R$ 110.000,00. “Estamos planejando juntamente com o superintendente do SAE, Klabin Dei Romero, consultando inclusive empresas do ramo, para detectarmos as residências que estão lançando de forma indevida estes tipos de esgoto diretamente nos rios. Uma vez detectada a residência, os proprietários senão notificados a corrigir o lançamento do esgoto”, falou Amarildo. Explicou o prefeito que é um serviço que já era para ter sido feito, mas que com o advento da pandemia do coronavírus, teve de ser adiado.
O SAE também identificou algumas residências construídas às margens do Córrego Santana e Rio Verde que ao invés de ter o esgoto lançado na rede que passa na rua, acabam jogando os detritos diretamente nos rios. Os moradores também serão identificados e notificados a lançarem os esgotos na rede apropriada.

Funcionamento da ETE
Indagado sobre o funcionamento da ETE, o prefeito afirmou que a mesma recebe fiscalização periódica da Cetesb, que avalia o seu funcionamento, sendo que a última foi no mês passado e o relatório apontou a normalidade do tratamento. “Hoje captamos algo em torno de 92% do esgoto produzido na cidade, com as novas medidas que serão tomadas, queremos avançar mais uns 5%. De todo o esgoto captado, 100% dele é tratado na ETE e devolvido em condições aprovadas pela Cetesb ao Rio Verde”, afirmou o prefeito.
Ainda sobre as irregularidades de quem não faz as ligações de água pluvial e esgoto corretamente, o prefeito disse que o volume de água dos quintais das residências que são lançadas nas redes de esgoto, é outro problema sério que atinge o SAE. Explicou que quando chove, aumenta muito o volume de tratamento, com muita sujeira sendo levada aos emissários, provocando inclusive o entupimento dos mesmos, causando prejuízos e problemas para a ETE.

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