Moradores se queixam que animais morreram durante castração

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Programa de castração foi retomado ano passado pela prefeitura. Foto: Arquivo Gazeta

Prefeitura alega desconhecer essas reclamações


A prefeitura tem oferecido o serviço de castração de cães e gatos para moradores de Vargem Grande do Sul. As cirurgias são feitas por uma clínica contratada e de acordo com o divulgado pela administração, de janeiro a julho deste ano, foram castrados aproximadamente 600 animais entre cães e gatos que se encontravam em situação de abandono, além dos animais de famílias que estavam em situação de vulnerabilidade social. Segundo a prefeitura, os trabalhos são acompanhados pelo Departamento de Saúde em parceria com o Departamento de Meio Ambiente.
O programa de castrações foi retomado em 2019 e realizou 1.500 procedimentos entre cães e gatos. Segundo a prefeitura, para o ano de 2020, foram contratadas mais 1.500 castrações. Totalizando da retomada até o momento, mais de 2.100 esterilizações.
Alguns moradores, no entanto, alegaram que alguns animais que foram submetidos à cirurgia acabaram morrendo. Procurados pela Gazeta de Vargem Grande, eles contaram que a clínica responsável pelas cirurgias não os procurou para contar a respeito da morte dos animais.
Uma das entrevistadas contou que se tratava da gata da cunhada. Ela entrou em contato com a pessoa responsável por cadastrar os animais e segundo ela, depois de muito tempo, buscaram a gata para fazer a castração. Passado algum tempo, sua cunhada ligava para saber da gata e a clínica não respondia. Até que depois de um tempo, informaram apenas que havia ocorrido imprevistos e que a gata havia morrido.
Em outro caso, levaram quatro dias para contar que a gatinha levada para castração havia morrido. Segundo sua dona, não deram detalhes dos motivos. Ela contou que ninguém pegou o contato da família para avisar caso desse algo errado e que ninguém disse nada sobre possíveis riscos da operação.
Outra queixa foi sobre duas cachorras de pessoas que moram na mesma rua. As duas foram levadas para castração e morreram.
A Gazeta contatou a prefeitura para saber sobre estes casos, solicitou ainda informações sobre os riscos de uma cirurgia de castração e questionou quantos animais acabaram não resistindo à operação.
A prefeitura pontuou que todo procedimento cirúrgico apresenta um risco, inclusive antes do ato cirúrgico quando é aplicada a anestesia. Foi explicado que o Departamento de Agricultura e Meio Ambiente não havia recebido reclamação sobre mortes de animais que passaram pelo processo de castração, tendo conhecimento através do jornal.
“Além disso, para realização do procedimento cirúrgico de castração o tutor é orientado dos riscos do procedimento e, ciente assina um termo de autorização. O termo além de deixar claro os riscos também orienta quanto as medidas necessárias que o tutor deve ter após a cirurgia”, disse.
A prefeitura comentou ainda que o pós-operatório conta com administração de medicação e utilização de roupa cirúrgica e/ou colar Elizabetano para evitar que os cães e gatos mordam, cocem ou lambam o corte com os pontos. “Os cuidados do pós-operatório são de inteira responsabilidade do proprietário do animal e devem ser tomadas com afinco para que o corte não seja aberto, pois o risco de mortandade mediante a uma nova aplicação de anestésicos para uma nova sutura em curto período de tempo é altíssimo”, falou.
Após a cicatrização do corte, segundo o informado, os tutores devem contatar o Departamento para que este solicite à equipe veterinária responsável a retirada dos pontos. Conforme a prefeitura, em casos de adversidades relacionadas ao procedimento, o Departamento deve ser informado para comunicar a equipe veterinária, que fica a disposição para atendimentos de caráter emergencial.
“Caso a equipe veterinária observe qualquer sintoma de doença apresentado pelos animais que chegam para o procedimento de esterilização, os mesmos são submetidos a exames para análise pré-operatória. Informamos ainda que, quando o animal sofre algum tipo de complicação durante a cirurgia ou até mesmo após a cirurgia, a equipe veterinária o mantém internado pelo tempo que for necessário para observação, tratamento e realização de exames”, disse.
A prefeitura pontuou que qualquer procedimento cirúrgico, tanto em animais quanto em seres humanos, está sujeito a riscos ocasionados pela aplicação de anestésicos. “Os animais são seres vivos com características próprias e nem sempre é possível prever a reação dos mesmos mediante a ação da anestesia, que age deprimindo o sistema nervoso central responsável pelo controle do corpo”, falou.
Ao influenciar um conjunto de mecanismos neuro-hormonais, a prefeitura comentou que o ser vivo não fica livre de riscos durante todo o processo. “Os anestésicos, de maneira geral, podem provocar a diminuição da pressão arterial, diminuição da oxigenação sanguínea, hipotermia, arritmia, e até parada cardiopulmonar. É por esse motivo que o Termo de Autorização para Procedimento Cirúrgico é submetido à aprovação dos tutores, para que os mesmos, após sua leitura, estejam cientes dos riscos da cirurgia”, completou.

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