Do papel jogado no chão ao fogo na mata

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Na quarta-feira, por volta das 10h, uma mulher comia um salgado no ponto de ônibus existente próximo ao Centro de Saúde. Assim que terminou sua refeição, atirou o papel na rua. Enquanto isso, na Serra da Paulista, em São João da Boa Vista, no Parque Estadual de Águas da Prata e na estrada do Barro Preto, em Vargem Grande do Sul, bombeiros, policiais, brigadistas, Guarda Civil Municipal e muitos voluntários arriscavam suas vidas para combater as chamas que destruíam a vegetação.
As situações podem não possuir relação, mas são exemplos de descaso com o meio ambiente e suas consequências. Atirar um papel no chão deixa a cidade suja, contribui com o entupimento de bueiros, o que em época de chuvas é um potencializador de alagamentos e o pior de tudo é um exemplo de como ainda se está longe de conseguir sensibilizar as pessoas de um ato tão corriqueiro, porém tão nocivo, que é jogar papel no chão.
No outro extremo, as queimadas que destroem a mata da Serra da Mantiqueira, também estão destruindo o Cerrado Brasileiro. Estão consumindo a floresta Amazônica e o Pantanal. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que o número de focos de incêndio entre janeiro e agosto deste ano equivale a tudo que queimou no Pantanal entre 2014 e 2019.
Muitos dos focos têm início com a queimada usada para “limpar” um terreno. A dinâmica é desmatar, queimar, limpar a área, plantar monocultura e depois reclamar a posse da terra. Assim, vai se expandindo as áreas de plantio, diminuindo a mata nativa, acabando com o pequeno produtor e dizimando as comunidades locais.
Se a sociedade não consegue conscientizar uma pessoa de que jogar papel no chão é prejudicial para toda a cidade, como mudar o modus operandi dessas pessoas que visam o lucro e a saída mais fácil?
Claro que há incêndios que começam de maneira natural. Mas a ação humana é muito evidente em diversos focos de chamas.
Em Vargem Grande do Sul, todos lamentam ao ver os animais fugindo da queimada, todos sofrem com a fumaça e a fuligem que invadem as casas. Muitas pessoas adoecem, desenvolvem problemas respiratórios. E mesmo assim, tem gente que não entende a consequência dos seus atos ao atear fogo em uma área de mata, para “limpar” o terreno.
Esse é o tamanho do desafio. Fazer com que as pessoas compreendam que jogar um papel no chão, atear fogo em uma área, fazer uma ligação clandestina de esgoto, extrair água de um rio sem licença, cortar uma árvore porque ela suja a calçada sem a devida permissão são atos que demonstram a falta de consciência, o descaso com o meio ambiente, a falta de respeito com o próximo, além de em muitas situações, se tratarem de atitudes criminosas.

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