Reportagem da revista Marie Claire traz trabalho da documentarista Fernanda Ligabue

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Fernanda registrou a devastação provocada pelas queimadas

A edição de outubro da revista Marie Claire trouxe entre suas reportagens, a matéria “Brasil em Chamas”. No texto, o fotógrafo Victor Moryiama e a documentarista vargengrandense Fernanda de Paiva Ligabue comentam sobre a viagem que fizeram para documentar as queimadas que destruíram grandes extensões de vegetação nativa do Cerrado e da Amazônia em agosto.
À Gazeta de Vargem Grande, Fernanda falou sobre a destruição causada não apenas pelas chamas, mas também pelo poder de devastação das monoculturas, dos riscos que correm as comunidades tradicionais e agricultores familiares nestas regiões brasileiras:
“Essa reportagem da Marie Claire é muito importante para ajudar a população brasileira a ter acesso a informação sobre o que realmente está acontecendo hoje no Brasil profundo. Fui convidada em agosto para dirigir um documentário sobre o impacto do avanço das monoculturas nos biomas Cerrado e Amazônia. A expansão da soja e de outras monoculturas em biomas riquíssimos sem estudos de impacto ambiental e sem fiscalização por parte de órgãos do governo causam uma verdadeira desertificação nessas regiões. Além disso, as disputas por essas terras geram cada vez mais conflitos agrários, expulsando comunidades tradicionais, indígenas, ribeirinhas, quilombolas e agricultores familiares que vivem e protegem esses biomas com sua forma de cultivo mais sustentável e integrada à natureza”, destacou Fernanda.
“Ao longo dos mais de 4mil quilômetros percorridos nessa investigação, pude registrar inúmeras queimadas ilegais consumindo a vegetação nativa. Mesmo o governo federal tendo publicado um decreto em julho proibindo as queimadas por 120 dias durante o período mais intenso de seca nessas regiões, o desmantelamento dos órgãos de fiscalização como Ibama e ICMBio promovidos por Bolsonaro e a certeza da impunidade devido a uma intensa política anti-ambiental de seu governo e do ministro Ricardo Salles, geram um ambiente propício para que criminosos interessados em expandir áreas de cultivo e de pastagem de forma ilegal coloquem fogo em áreas de proteção, desmatando imensas regiões de florestas nativas e colocando em risco todo um ecossistema”, avaliou a documentarista.
Fernanda ainda lembrou que os números de focos de queimadas na Região Amazônica em agosto passado foi o maior dos últimos 22 anos, conforme dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). “O que mais me preocupa é o fato que essa prática de desmatamento e essa concepção insustentável de utilização intensiva da terra para o cultivo de monoculturas sem estudos nenhum de impacto ambiental, sem preservação de matas e áreas de proteção, vem se intensificando por todo país e em Vargem pude registrar em setembro muitas queimadas criminosas também”, afirmou.

Vargem
“Em 34 anos que vivo aqui, nunca havia visto uma cena tão aterrorizadora, uma seca tão intensa, um céu tão cinza e carregado por tanta fumaça. Isso tudo é consequência de uma relação nociva do ser humano com o meio ambiente. Sofremos as consequências das políticas anti-ambientais desse governo que incentiva uma prática de produção agrícola insustentável e hoje vivemos em uma cidade que a cada ano está mais desflorestada e que vive hoje também sobre ameaça de queimadas ilegais”, disse.
“Nós não podemos aceitar essa situação, temos que denunciar e exigir fiscalização e medidas de proteção para preservação do meio ambiente não só da floresta amazônica, cerrado ou pantanal que teve agora em setembro a maior queimada de sua história, quando perdeu quase 14% de sua vegetação natural. Temos também que lutar pela preservação de nossa cidade se quisermos ter um futuro melhor. Preservar a natureza tem impactos importantíssimos na nossa saúde, no nosso bem estar na sociedade e também na economia local. Quem lucra com desmatamento são poucos, quem lucra com a preservação da natureza são todos”, finalizou.

Fotos: Fernanda Ligabue for Rainforest Foundation

Agosto de 2020: Queimada no Cerrado durante expedição da Rainforest Foundation para monitorar a relação entre a produção de soja no Brasil e o desmatamento no Cerrado e na Amazônia
Fernanda registrou a devastação provocada pelas queimadas
Agosto de 2020: Cecília Rodrigues, moradora do assentamento 12 de Outubro em Cláudia (MT), tenta apagar fogos que queimaram a reserva legal e ameaçaram toda a comunidade

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