Consciência Negra: a falta de representatividade na política

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Negro mais votado nestas eleições, pastor Juliano falou à Gazeta. Foto: Divulgação

O Dia da Consciência Negra é celebrado anualmente na sexta-feira, dia 20. Em Vargem Grande do Sul, apesar de não se tratar de feriado municipal, a data é marcada pela Semana da Consciência Negra desde 2009, após um projeto de lei de iniciativa do vereador Wilson Luís Fermoselli Ronqui (DEM), aprovado por unanimidade pela Câmara Municipal, receber a sanção do prefeito Amarildo Duzi Moraes (PSDB), em seu primeiro mandato.
Na cidade, 70% da população se declara branca, 24% se declara parda e 5% se declara preta, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PNAD Contínua) 2019. No Brasil, 42,7% dos brasileiros se declararam brancos, 46,8% como pardos, 9,4% como pretos e 1,1% como amarelos ou indígenas.
A participação de negros na política vargengrandense ainda não é ampla. O último vereador negro foi Gilson Donizete do Lago, o Gilson do Sindicato, na legislatura de 2013 a 2016. José Carlos Rossi (PSD), que foi prefeito entre 1989 a 1992 e foi candidato à Chefe do Executivo esse ano, se declara pardo.
Dos 133 candidatos ao Legislativo, 11 se declaram pardos e seis pretos. O que corresponde a 8,27% e 4,5%, respectivamente, totalizando 12,77%. O único vereador eleito para a legislatura de 2021 a 2024 que se declarou pardo foi o João Cassimiro, o conhecido Parafuso (PSD).
O candidato que se declarou negro com maior votação foi Juliano Benedito da Silva, o Pastor Juliano (Republicanos), primeiro suplente do partido. À Gazeta, ele falou sobre a representatividade política em Vargem.
Segundo ele, um dos principais motivos que encontrou para a tomada de decisão de se candidatar, foi pensando que através da política, pudesse realizar mais pelo município. “Ou seja, potencializar algo que já fazemos há anos aqui na cidade, que é ajudar e auxiliar muitas famílias menos favorecidas, reintegrar pessoas à sociedade, trabalho esse que já realizamos e continuaremos a realizar. Penso que como vereador, poderia contribuir ainda mais”, disse.
Sobre o resultado obtido, Juliano agradeceu a todos os votos que recebeu. “Foram 367 votos, isso eu tenho como um resultado satisfatório, tendo em vista que essa é a primeira vez que coloco meu nome à disposição. Mas melhor que isso, foi poder me aproximar ainda mais das pessoas e tomar conhecimento de muitas outras demandas da população, esse resultado tenho como ótimo”, comentou.
Juliano pontuou que se sente honrado em ser o negro mais votado na cidade nesta eleição. No entanto, acredita que esse não foi o fator determinante para alcançar esse resultado. “Penso que todos somos iguais perante Deus e a sociedade, e pensar que o que me fez chegar até aqui foi o simples fato de ser negro não é legitimo”, falou.
“Sendo negro sei e conheço as dores que sofremos, entendo que cheguei a esse resultado porque demonstrei durante a campanha que é possível qualquer cidadão de bem, seja ele branco, preto, pardo, amarelo, enfim, qualquer cidadão tem que acreditar que pode chegar em qualquer lugar, seguindo os princípios básicos de fé, ética, bons costumes e cidadania”, completou.
Sobre a representatividade dos negros na política de Vargem, o pastor comentou que, observando o cenário atual, pensa que aquele que está hoje no cargo e os que irão assumir a partir do próximo ano, têm que pensar no cidadão vargengrandense.
“Entendo que temos dificuldades e é legitimo alguém para defender a causa, mas melhor será se todos pensarmos em coletivo. Temos ótimas pessoas em nossa cidade prontas e preparadas a assumirem qualquer cargo político, inclusive negros”, finalizou.

Casa da Cultura destaca personalidades da história da luta negra no Brasil e no mundo. Leia mais na Pág. C8

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