Membros da Mesa Diretora do Hospital permanecem até dia 31

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Tadeu Fernando Ligabue
A Mesa Diretora do Hospital de Caridade, cujo provedor até o dia 31 de dezembro de 2020 era o empresário Wagner Vilela Cipola, atendendo ao pedido do prefeito Amarildo Duzi Moraes (PSDB), vai permanecer até o dia 31 de janeiro enquanto procura-se uma solução para a direção da entidade. Conforme já relatado pelo jornal Gazeta de Vargem Grande, a direção do Hospital teve seu mandato encerrado no último dia do ano passado e como não houve chapa para concorrer a uma nova eleição, desde o dia 1º de janeiro o Hospital permanecia sem direção. Também os membros do Conselho Deliberativo, que era presidido por Cássio Abrahão Dutra e o Conselho Fiscal, presidido por Aparecido Giácomo Ranzani, falecido recentemente, deverão continuar até o final de janeiro.
A crise envolvendo a direção do Hospital de Caridade foi amplamente divulgada pela Gazeta de Vargem Grande na edição do dia 30 de dezembro e também no site do jornal, alertando a população e as autoridades para o problema. Conforme a matéria publicada, a Mesa Diretora enviou ofício ao prefeito Amarildo Duzi Moraes no dia 14 de dezembro, solicitando que ele indicasse um interventor para a entidade, uma vez que não houve interessados em montar uma nova diretoria e de acordo com o estatuto, o Hospital ficaria sem direção a partir do dia 1º de janeiro e caberia ao prefeito indicar o novo provedor.
O prefeito questionou o ofício, fazendo várias considerações, argumentando a princípio que por se tratar de um estatuto, não haveria força de lei para que ele nomeasse um interventor, sem documento comprobatórios do que era alegado pelo Hospital ao solicitar que o prefeito interviesse na instituição.
O vice-provedor do Hospital na ocasião, o empresário Wilson Secco, respondeu através de ofício ao prefeito todos os questionamentos feitos, rebatendo as argumentações apresentadas pelo chefe do Executivo em seis páginas contidas no ofício datado do dia 23 de dezembro. No final, Wilson Secco afirma que a solução para os problemas do Hospital estaria nas mãos do Executivo Municipal mediante a nomeação de um interventor.
Na quarta-feira passada, dia 31, em reposta às indagações formuladas pelo jornal, o prefeito Amarildo Duzi Moraes (PSDB) depois da repercussão do caso, disse que se fosse necessário, ele faria a intervenção para que o atendimento no Hospital não fosse prejudicado. “Entretanto, a provedoria do Hospital precisa cumprir pequenos aspectos formais para que seja possível essa intervenção. Estamos em contato com a provedoria do Hospital objetivando essas adequações”, informou o prefeito à Gazeta de Vargem Grande.

Direção da entidade e prefeito Amarildo se reúnem

Na segunda-feira, dia 4 de janeiro, o prefeito Amarildo Duzi Moraes reuniu-se no seu gabinete com os representantes da Mesa Diretora do Hospital para juntos buscarem uma solução. Além do prefeito, o jornal apurou que também participou da reunião o vice-prefeito Celso Ribeiro (Podemos), o provedor Wagner Cipola, o vice-provedor Wilson Secco, o presidente do Conselho Deliberativo Cássio Abrahão Dutra, o diretor administrativo do Hospital, Assis Mazuco Manoel e o advogado da entidade, Antônio Carlos do Patrocínio Rodrigues.
Segundo o jornal foi informado, atendendo a pedido do prefeito, a direção do Hospital se comprometeu em ficar provisoriamente até o dia 31 de janeiro, enquanto se busca uma solução para o problema. O provedor Wagner Cipola teria sido irredutível em não continuar depois desta data.
Também tomou conhecimento o jornal, que o ex-provedor da entidade, o empresário Jair Gabricho, teria sido convidado para fazer a mediação entre a administração municipal e o Hospital de Caridade na busca das soluções, principalmente na construção de uma nova diretoria para assumir a partir de 1º de fevereiro, a direção do Hospital. Jair inclusive, já estaria tomando par da atual situação financeira da unidade de saúde e também conversado com o Corpo Clínico da entidade. Procurado pelo jornal, Jair disse que preferia não se manifestar por enquanto a respeito do assunto.

Hospital tem déficit histórico


O déficit do Hospital de Caridade de Vargem Grande do Sul é histórico. Em janeiro de 2018, quando tomou posse, o provedor Wagner Cipolla disse em entrevista ao jornal Gazeta de Vargem Grande que iria tornar o Hospital uma “empresa lucrativa”. Wagner assumiu tendo como vice-provedor o agropecuarista Carlos Alberto de Oliveira Filho, o Beto, falecido este ano. Na entrevista feita na ocasião, ele afirmou que assumia o hospital com um déficit apurado em mais de R$ 3.200.000,00 e que a previsão para 2018 era que este déficit aumentaria para R$ 6.900.000,00.
Apesar dos números negativos, o empresário estava otimista. Na época assumiu como secretário o industrial José Carlos Buscariolli e como tesoureiro o contador Denilson Fonseca Fracari. O Conselho Deliberativo era presidido por Cássio Abrahão Dutra e o Conselho Fiscal por Aparecido Giácomo Ranzani, falecido esta semana.
O jornal também ouviu em 2018, o provedor Wilson Secco que deixava o cargo e ele afirmou que assumiu um mandato provisório e que a principal causa do déficit do Hospital era com relação ao pagamento do SUS, que não reajustava a tabela desde 2008 e cujo valor pago por uma diária com cinco refeições, serviço de enfermagem, limpeza e troca de roupas, naquele ano era de R$ 9,42. O jornal apurou que 72% dos atendimentos no Hospital na ocasião, eram de pacientes provenientes do SUS.
Sobre a questão da dívida, Wilson disse que quando assumiu, a dívida consolidada era de aproximadamente R$ 1.300.000,00 – até então o Hospital fora administrado tendo como provedor o empresário Luciano Carril – e que a previsão para 2017, era de um déficit de R$ 1.500.000,00, sendo que nestes valores não incluíam R$ 300.000,00 para pagamento de férias vencidas e cerca de R$ 400.000,00 para eventuais condenações de ações em andamento.

Hospital fecha 2020 com R$ 4,3 milhões de dívidas

Passados todos estes anos em que esteve à frente do Hospital como provedor, Wagner Cipola e todos os membros da Mesa Diretora e Conselhos, apesar de todo esforço e abnegada administração, pois não recebem nenhum centavo para o trabalho que realizaram, encerraram o ano com um passivo de mais de R$ 4 milhões.
Com uma administração enxuta, sem ter muito onde cortar, ser provedor do Hospital de Caridade tornou-se uma função para lá de espinhosa, tanto que não se conseguiu até agora, montar uma nova diretoria para dirigir a entidade. Sem dizer que o provedor responde com seus bens, qualquer problema jurídico/administrativo em que houver erro de conduta na sua administração.
Segundo explicou ao jornal o vice-provedor Wilson Secco, o déficit está nos pagamentos feitos pelo SUS. Atualmente o órgão federal repassa ao Hospital de Caridade R$ 176.000,00 por mês e este valor não é reajustado desde 2008. Nas contas realizadas, se fosse feito um reajuste desde esta época, o valor corrigido hoje seria de R$ 438 mil. Se o governo federal pagasse esse valor, o Hospital não estaria passando por esta situação, explanou Wilson Secco.
Da dívida contraída até o dia 31 de dezembro, o Hospital está se desdobrando para pagar os funcionários e outros débitos, como R$ 400 mil para fornecedores e R$ 250 mil em plantões médicos. Mas, ainda tem o financiamento de R$ 1,6 milhão consignado junto ao SUS e R$ 800 mil salários em atrasados para os médicos. Isso sem contar as ações na Justiça por danos morais que o Hospital responde por possíveis falhas que possam ter ocorridas contra pacientes.

Prefeitura e entidades ajudam
A prefeitura repassou em 2020 cerca de R$ 1.400.000,00 ao Hospital, mas o dinheiro é insuficiente, segundo apurou o jornal. Também a Associação Setembro nestes anos tem contribuído sobremaneira com ajuda financeira ao Hospital. Sem estes aportes, o Hospital de Caridade de Vargem Grande do Sul já estaria com as portas fechadas.
Mas, mesmo com todas estas contribuições de fora, o déficit do Hospital permanece e a nova diretoria que assumir ou caso isso não aconteça, o interventor a ser indicado pelo prefeito Amarildo Duzi Moraes vai ter que debruçar sobre o problema para achar as soluções possíveis.
Diante do tamanho e da gravidade do problema que enfrenta a principal entidade que cuida da saúde dos vargengrandenses, só a união, a abnegação e o esforço de todas as autoridades e da comunidade para se encontrar a solução, principalmente nestes tempos tão nefastos da pandemia da Covid-19 que assola o mundo e também Vargem Grande do Sul e onde o Hospital cumpre um papel insubstituível na manutenção da vida dos cidadãos de todas as classes sociais do nosso município.

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