Sant’Ana sempre presente na história vargengrandense

Largo da Matriz de Sant’Ana, em 1921. Foto: Arquivo Gazeta

A história de Vargem Grande do Sul está ligada à devoção a Sant’Ana. Décadas antes das primeiras Romarias dos Cavaleiros de Sant’Ana, a padroeira era louvada em festejos com as ruas enfeitadas com bandeirolas, conforme contou o pesquisador da história de Vargem, Mario Poggio Junior. No entanto, a devoção à Sant’Ana, mãe de Maria e avó de Jesus Cristo, está fundamentalmente ligada à criação do povoado, que originou Vargem.
A extensa sesmaria de Várzea Grande, pertencente ao sargento-mor José Garcia Leal, abrigava uma fazenda com lavouras, criação de gado e benfeitorias, como serraria, um engenho e até uma casa de laticínios. Com o falecimento do sargento-mor, houve a primeira grande divisão dessas terras, em 1854. Anos depois, em 1873, nova divisão é requerida por seus descendentes. Foi quando foram doadas as terras que formariam o povoado de Sant’Ana de Vargem Grande.
Segundo livro escrito sobre a história da Câmara Municipal, por Dôra Avanzi e Zezé Miranda, que conta com profunda pesquisa sobre a origem de Vargem, quando se inicia essa segunda e última divisão da fazenda Várzea Grande, nas antigas terras dos irmãos Garcia Leal, o coronel Francisco Mariano Parreira vai ao fórum de Casa Branca tratar das doações de terrenos destinados à fundação do povoado de Vargem Grande.
Funcionário público de São João da Boa Vista, Mariano Parreira havia sido designado para oficializar a criação do povoado, que em 1870 contava com 600 eleitores. Em carta aos seus filhos, datada de 9 de junho de 1930, Mariano Parreira conta como procedeu. “Reuni todos os títulos de doações de terrenos à Sant’Ana, entreguei-os aos louvados Lourenço Ferreira Costa e Luís Alvarenga, com uma petição na qual requeri o pagamento a Sant’Ana para o patrimônio onde foi dado e existe”.
A última divisão da fazenda resultou em 65 propriedades e, entre os herdeiros, três doaram terrenos para a formação do povoado: Antônio Rodrigues do Prado, José Moreira e dona Maria Antônia Eufrazina Alves da Cunha, que são considerados fundadores de Vargem Grande junto com o coronel Francisco Mariano Parreira e os irmãos José e Salvador Garcia Leal. Suas doações, no valor de 300$000 (trezentos mil réis), configuram patrimônio pago a Sant’Ana.
O processo de divisão e doação de terras foi concluído em 26 de setembro de 1874, data marcada com a celebração de uma missa às margens do Córrego Sant’Ana, em casa de João Carneiro, conhecido como João Boiadeiro. O celebrante, padre José Valeriano, de São João da Boa Vista, teve seu nome dado à rua onde foi rezada a primeira missa de Vargem Grande.

Primeira capela
Ainda em 1874, Mariano Parreira consegue licença para construir a primeira capela no povoado, erguida no alto de uma colina, onde havia um cruzeiro e o encontro dos caminhos que levavam a São Sebastião da Grama, a São João da Boa Vista e o caminho para a Vila Polar e Itobi. Era o centro geográfico da atual Praça Capitão João Pinto Fontão. A comissão criada para a construção da capela de Sant’Ana estavam Ildefonso Garcia Leal, José Gregório de Carvalho, Francisco José da Costa, João Batista Figueiredo e outros. A pequena capela, voltada para o lado da atual Matriz, media apenas 6,60 metros por 4,40, mas já nascia como núcleo central do povoado.

Evolução
Em 1884, Antônio Pinto Fontão, presidente da Câmara de São João, manda arruar o povoado e, em 1886, pede à Assembleia Provisória que a Capela de Sant’Ana do Rio Verde seja elevada à condição de Freguesia. Vargem Grande cresce e muda de nome: o antigo Bairro da Porteira, torna-se Sant’Ana do Rio Verde, depois Sant’Ana de Vargem Grande e Vargem Grande. Em 1944, o município fixa o seu nome atual – Vargem Grande do Sul.

Sant’Ana de brincos
Júlio Parreira, filho do Cel. Mariano Parreira e D. Maria Cândida, administrou Vargem entre 1893 e 1894. Em sua gestão, foi inaugurada, com grandes festividades, a primeira Igreja Matriz de Sant’Ana (1894), para a qual contribuíram subscrições públicas do povo de São João da Boa Vista e Vargem Grande, trabalho coordenado pelo coronel Mariano Parreira. Em 1891, sua mãe, d. Maria Cândida, doara uma imagem de Sant’Ana à Capela Curada, com um delicado tributo: pequenos brincos de ouro e ametista, em agradecimento aos progressos do pequeno povoado.

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