Sexta-Feira Santa: dor, silêncio e reflexão

Sobre a Sexta-feira, Santa Pe. Luís Fernando lembra que é preciso olhar a realidade com olhos de Cristo. Foto: Gazeta

A Sexta-Feira Santa é considerada um dos dias mais solenes do cristianismo. Nessa data, relembra-se a crucificação e morte de Jesus Cristo. Não há celebração de missa nesse dia. Em vez disso, acontecem momentos de oração, como a tradicional Via-Sacra, que relembra o caminho percorrido por Jesus até o Calvário. Entre os religiosos, destaca-se que este é um dia de silêncio, jejum e penitência.
As várias paróquias de Vargem Grande do Sul vão celebrar esta Sexta-Feira Santa, 3 de abril, com profunda reflexão sobre o sacrifício e o amor de Cristo pela humanidade. Na Paróquia Nossa Senhora Aparecida haverá às 15h, a celebração da paixão. Na Igreja Matriz de Sant’ Ana haverá às15h, a Adoração da Cruz e às 19h, a Celebração da Descida da Cruz na Praça Matriz de Sant’Ana, com a Procissão do Senhor Morto.


Na Paróquia Santa Luzia e São João Paulo II, às 7h haverá a Adoração no Salão Paroquial até às 14h30 e às 15h, acontecerá a Adoração da Cruz na Igreja Matriz de Santa Luzia, e às 19h30 acontecerá a Procissão do Senhor Morto, saindo da Igreja São Francisco no Jd. Primavera e seguindo até a Matriz de Santa Luzia na Cohab Mons. Celestino C. Garcia (Cohab I).
A Sexta-Feira Santa será celebrada na Paróquia Santo Antônio a partir das 15h, com a Celebração da Paixão do Senhor na Matriz Santo Antônio. Já na Paróquia São Joaquim, a liturgia vai das 7h às 15h, com Adoração do Santíssimo e às 15h, haverá a Celebração da Paixão do Senhor e Adoração do Cristo na Cruz.


Para falar sobre o significado da Sexta-Feira da Paixão, a Gazeta de Vargem Grande convidou o padre Luís Fernando da Silva, que é natural de Vargem do Sul e atualmente está residindo em São Paulo- SP. Ele está visitando Vargem nesta semana e hospedando-se na Paróquia de Sant´Ana. Padre Luís tem pós-graduação em Espiritualidade pela Universidade Salesiana de São Paulo e é mestre em Teologia Sistemático-Pastoral pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Atualmente exerce a função de Secretário Executivo do Regional Sul-1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Ao jornal, ele explicou o significado da Sexta-feira da Paixão. “A Sexta-feira da Paixão nos coloca diante da cruz de Jesus. Não é um espetáculo, nem apenas uma recordação histórica. É um convite a olhar o amor levado até o fim. Jesus não fugiu da cruz; ele a assumiu por amor, por responsabilidade com a humanidade, por fidelidade ao Pai”, explicou.


Para padre Luís Fernando, neste dia a Igreja silencia. Não há missa. Há contemplação. “Tudo nos conduz a perceber que, na cruz, Deus não responde com força ou poder, mas com entrega, humildade e misericórdia”, falou.
Ao comentar sobre a cruz como descida de Deus até nós, afirmou que uma das ideias mais profundas do Papa Francisco é esta: “O caminho da cruz não é só subida, é também descida. Jesus desce até a dor humana. Desce até aqueles que sofrem, até os rejeitados, até os esquecidos. A cruz revela um Deus que não fica distante, mas entra na realidade humana, toca as feridas e assume o sofrimento do mundo”.


Conclui dizendo que por isso, a Sexta-feira da Paixão não fala apenas de Jesus, mas de todos os crucificados da história. Prossegue dizendo que nas meditações da Via-Sacra, aparece um ponto muito concreto: diante da dor, sempre existe uma escolha.


“Podemos ser como Pilatos, que lava as mãos. Ou como a multidão, que segue sem pensar. Ou ainda como aqueles que permanecem, que amam, que assumem responsabilidade. Jesus não foi indiferente. Ele escolheu amar até o fim. E a cruz nos pergunta: e nós, o que escolhemos? indagou.
Ao analisar a Sexta-feira da Paixão, padre Luís Fernando afirma que ela não termina na dor fechada em si mesma. Ela se abre para um caminho: transformar a paixão de Cristo em compaixão concreta. “Como recordava o Papa Francisco, participar da cruz é ajudar quem caiu, sustentar quem sofre, carregar o peso do outro”, comentou.


Para o secretário da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a cruz deixa de ser apenas um símbolo e se torna um estilo de vida: acolher quem sofre; não fugir da responsabilidade; amar mesmo quando custa.
Prossegue sua explicação sobre a Sexta-Feira Santa dizendo que este é um dia marcado pelo silêncio. Mas não é um silêncio vazio. É o silêncio do amor que se doa; O silêncio de quem confia mesmo na dor; O silêncio de Deus que parece ausente, mas está agindo no mais profundo da história. “Na cruz, tudo parece fim. Mas, na verdade, ali começa algo novo”, afirma.
Finaliza seu artigo dizendo que a Sexta-feira da Paixão nos ensina que: o amor verdadeiro assume o sofrimento; Deus está presente nas dores humanas; não podemos ser indiferentes diante do mal; a cruz é caminho de entrega e de vida e que a Sexta-Feira Santa é um dia para não fugir da realidade, mas para olhar para ela com os olhos de Cristo.

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