Polícia Civil revela como eram agressões a bebê em São João

A Polícia Civil divulgou, segundo o portal G1, que as investigações apontam que um casal submetia um bebê de 1 ano a um cenário de terror com agressões físicas e psicológicas contínuas em São João da Boa Vista. A mãe, de 20 anos, e o padrasto, de 33 anos, foram presos preventiva e temporariamente pela Polícia Civil nesta semana sob a suspeita de torturar e tentar matar a criança.
As apurações policiais revelaram que a violência durava pelo menos quatro meses, período em que o menino sofreu diversos tipos de abuso. De acordo com o delegado Fabiano Antunes de Almeida, responsável pela investigação, a criança apanhava de colher de pau, era trancada nua no banheiro, sofria enforcamento, sufocamento com toalhas para abafar o choro e submersão da cabeça em bacia com água quente.
A rotina de tortura também incluía privação de sono, caminhadas forçadas de madrugada, ministração de remédio de tarja preta para induzir o sono e aplicação de gelo para tentar ocultar marcas. As agressões eram concentradas em áreas de pouca visibilidade, como nádegas, solas dos pés e mãos. Mensagens extraídas dos celulares dos investigados detalhavam a violência.

Traumatismo craniano
O caso mais grave ocorreu no dia 19 de junho de 2026, quando o bebê sofreu um traumatismo craniano grave, com hematoma subdural e hemorragias retinianas. O socorro foi prestado pelo Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu), que levou o menino à Santa Casa de São João em estado grave, com rebaixamento de consciência e parada cardiorrespiratória. Devido ao quadro, ele precisou ser transferido para uma Unidade de Terapia Intensiva em Campinas.
A princípio, o casal alegou que a vítima teria sofrido uma queda da cama. Contudo, laudos periciais e o atendimento médico constataram a incompatibilidade entre a versão informada e a gravidade das lesões na cabeça. Durante a operação de busca e apreensão realizada na residência do casal, a polícia apreendeu uma arma de choque, algema, arma falsa e celulares.

Prisão
A prisão preventiva dos suspeitos ocorreu nesta segunda-feira, dia 31 de agosto, e ambos permaneceram detidos após audiência de custódia realizada na terça-feira, dia 1º de setembro. A dupla foi encaminhada à Central de Polícia Judiciária da cidade e segue investigada por tortura e tentativa de homicídio qualificado contra menor de 14 anos, aguardando interrogatório formal.

Bebê está com o pai
O pai biológico do menino relatou ter percebido machucados prévios na mão e no rosto do filho antes de tomar conhecimento da real dimensão dos fatos. O bebê permaneceu internado por um mês na UTI, recebeu alta hospitalar, apresenta bom estado de saúde e está atualmente sob a guarda e os cuidados do pai.
A defesa dos suspeitos declarou à reportagem da EPTV que não teve acesso aos laudos que embasaram os mandados de prisão e que demonstrará a realidade dos fatos ao longo do processo judicial. O caso corre sob segredo de Justiça.

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