Setor enfrenta dificuldades com preços baixos e queda nas vendas da variedade Atlantic, usada na produção de chips e batata palha

A safra de batata deste ano trouxe preocupações para produtores e donos de beneficiadoras em Vargem Grande do Sul, especialmente os que trabalham com a variedade Atlantic, destinada quase exclusivamente à indústria. A procura pela batata industrial está em forte desaceleração, impactando diretamente quem depende do escoamento desse produto.
Conhecida mundialmente por seu formato arredondado, pele e polpa brancas, alto teor de matéria seca e baixos níveis de açúcares redutores, características ideais para a fabricação de chips e batata palha, a batata Atlantic enfrenta, este ano, um cenário atípico: queda na demanda e preços desvalorizados. “A situação está muito difícil. O mercado da indústria está 100% parado. Os preços estão baixos, não tem pedido, não tem saída. Está muito devagar”, desabafa Marconi Jesus Andreatto, 55 anos, que trabalha com batata desde o ano 2000. Ele é proprietário da Beneficiadora de Batata Santana, onde há 10 anos lava exclusivamente batata voltada à indústria.
Segundo ele, mesmo com contratos fechados na faixa de R$ 100,00 por saca de 50 kg, os preços para o mercado “spot” (excedente fora de contrato) estão muito abaixo do ideal, variando entre R$ 70,00 e R$ 90,00 por saca. Em julho de 2024, o preço da mesma saca chegou a R$ 155,00, evidenciando a queda expressiva nos valores pagos atualmente.
Além da baixa comercialização, a variedade Atlantic apresenta desafios próprios. Sensível a vírus, exige manejo rigoroso e cuidados específicos. Outro problema é a armazenagem: a batata não conserva bem, pois tende a reverter açúcares com o tempo, o que compromete a aparência e a qualidade do produto frito, algo essencial para o padrão exigido pela indústria.
Neste cenário, muitos produtores e beneficiadores que apostaram na lavoura voltada à indústria enfrentam dificuldades para cobrir custos e manter as operações. Com uma estrutura voltada 100% à produção industrial, Andreatto ressalta a incerteza do momento: “A gente está continuando com a indústria, mas o mercado está parado. Estamos tentando segurar, esperando uma melhora”, observou.
O setor aguarda agora sinais de recuperação do mercado e possíveis novos contratos com grandes processadoras. Até lá, produtores seguem com os pátios cheios e o caixa apertado, esperando que a próxima safra traga não apenas produtividade, mas também mercado.












