Especialista destaca impacto positivo do Centro Especializado de Aprendizagem

Para Betânia, medida é extremamente válida. Foto: Unifae

Foi aprovado o projeto de lei que autoriza a abertura de um Crédito Adicional Suplementar de R$ 1.643.127,10, para a aquisição da casa pertencente à Família Longuini, na esquina da Praça Washington Luís com a Rua do Comércio, ao lado da Prefeitura Municipal.
No local, a prefeitura planeja instalar um centro especializado de apoio a alunos da rede municipal com dificuldade de aprendizagem, onde serão realizadas avaliações educacionais multidisciplinares nas especialidades de fonoaudiologia, psicopedagogia, psicologia e assistência social e também apoio à Divisão de Alimentação Escolar.
Com o nome de Centro Especializado de Apoio a Crianças com Dificuldade de Aprendizagem, este novo local atenderá à alta demanda de crianças com dificuldades de aprendizagem e atrasos no desenvolvimento na Rede Municipal de Ensino de Vargem Grande do Sul, com o intuito de realizar avaliação e intervenção em crianças que não possuam diagnóstico médico, nos dizeres do prefeito à justificativa ao projeto.
Atualmente, segundo a justificativa para a compra do imóvel, não existe no município uma instituição que faça o trabalho de avaliação e intervenção multidisciplinar com o intuito de levantar hipótese diagnóstica e apoiar a saúde na elaboração de laudos.

Especialista
A Gazeta de Vargem Grande entrevistou a coordenadora do curso de Psicologia, especialista na área educacional do Centro Universitário das Faculdades Associadas (Unifae), Betânia Alves Veiga Dell’Agli, para saber se a medida é, de fato, válida para a cidade e qual o impacto que um programa como esse pode ter.
Betânia é Doutora em Educação pela Faculdade de Educação da Unicamp e neuropsicóloga. Para ela, a medida é extremamente válida, desde que o serviço seja realizado por profissionais capacitados que compreendam as necessidades educacionais das crianças e que consigam fazer do diagnóstico possibilidades de intervenções adequadas.
“Há muito se diz do cuidado que devemos ter com os ‘rótulos’ dados. No entanto, se o laudo se voltar para o desenvolvimento da criança é um trabalho excepcional e pioneiro em termos do serviço público. É uma garantia de que as crianças possam receber de acordo com suas necessidades e isso é um direito da criança”, disse.
Questionada se o projeto de lei está de acordo com as políticas públicas de atendimento às crianças com esses diagnósticos de dificuldade de aprendizagem, a coordenadora do curso de Psicologia da Unifae afirmou que sim.
“Sem dúvida está de acordo. As políticas públicas prevêem o atendimento de acordo com as necessidades das crianças e, para conhecermos as necessidades de crianças com algumas peculiaridades no seu desenvolvimento, faz-se necessário uma avaliação e intervenção especializadas. Já avançamos muito nas questões legais voltadas a alguns transtornos do neurodesenvolvimento. Ainda há muito o que se fazer. Esta iniciativa coloca em ‘ação’ o que é de direito das crianças”, explicou.
Ela ressaltou que o impacto de um programa como esse tem várias dimensões. “Para as crianças, que podem ter um desenvolvimento mais adequado; para a família, que terá um local adequado ao tratamento do seu filho; para a escola, que terá suporte para melhor intervir; e para a sociedade em geral, que se beneficiará com pessoas com mais capacidades”, pontuou.
“Além disso, devemos pensar que os problemas de aprendizagem causam impacto na saúde mental (depressão, ansiedade, dentre outros) da pessoa e, sendo assim, há uma redução de custos na saúde”, argumentou.
Ela contou que é fundadora do Projeto Casulo, em São João da Boa Vista, que propõe atendimento semelhante. “É um trabalho de extrema importância. Há muitos anos tive contato com um serviço oferecido pela Prefeitura de Poços de Caldas, o Cemada, que fazia um trabalho assim. Hoje, infelizmente, não existe mais, mas, na ocasião, fazia um trabalho excelente. É um trabalho que está na interface da saúde, educação e assistência social”, disse.

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