Saúde é onde mais se gasta e de onde vem mais reclamações

Este ano a prefeitura investiu cerca de R$ 50 milhões na Saúde. Foto: Prefeitura Municipal

Difícil uma sessão de Câmara onde alguns vereadores não fazem severas críticas ao sistema de saúde municipal. Sempre em contato com seus eleitores, os vereadores levam para o plenário as reclamações ouvidas e tentam fazer chegar ao prefeito e responsáveis pela saúde o que lhes são relatados. Também fazem inspeções nos vários postinhos quando são acionados para constatar e denunciar algo que não esteja de acordo com o bom andamento do setor.
Porém, o público já notou que tem vereador fazendo da saúde a sua plataforma política, visando uma reeleição do cargo ou alçar voo mais alto, quem sabe uma disputa para prefeito nas eleições que ocorrerão no ano que vem.
Muitas vezes trata-se de casos isolados, como o atendimento não adequado de um médico que o paciente reclamou, de um funcionário que não deixou o paciente no lugar devido ou de outro funcionário que não transportou o doente na hora certa, de médicos que não cumpriram com suas obrigações ou horários de trabalho, fatos que os pacientes da rede pública reclamam com razão e repercutem na Câmara Municipal com os vereadores cumprindo seu papel político e social.
É correto afirmar que os vereadores cumprem seu papel de fiscalizar e certamente a saúde no município tem muito que avançar, como em todo o Brasil e as críticas contribuem sobremaneira para que isso ocorra.
Mas, é bom lembrar os avanços que ocorreram, estão acontecendo e os investimentos feitos em Vargem na área da saúde, para que a população tome conhecimento e ajude os políticos e responsáveis pelo setor a direcionar da melhor forma possível as verbas gastas com a saúde municipal.
Com uma população de 40 mil habitantes, cuidar da saúde destes cidadãos é de grande complexidade, principalmente pela universalização da mesma conforme determina a Constituição Federal de 1989, cujo artigo 196 afirma que “A saúde é direito de todos e dever do Estado”, o que levou à criação do Sistema Único de Saúde (SUS) em 1990.
Antes, apenas os trabalhadores com carteira assinada e sem dívida com a Previdência Social tinham direito à assistência médica pública. As pessoas que hoje têm um pouco mais de 30 anos, fazem parte do grupo que passou a ter assistência gratuita de saúde ainda no ventre da sua mãe, certamente seus pais não tiveram a mesma opção.
Em Vargem, o problema de saúde acompanhava o que ocorria em todo o Brasil. Nesta época, era assustador o número de crianças que morriam por falta de atendimento, inclusive os recém-nascidos. Na década de 70, por exemplo, estudos mostram que 72% dos que morriam no país tinham menos de 50 anos e, destes, 46,5% eram crianças menores de quatro anos, enquanto que em países como Suécia, Inglaterra e Estados Unidos, as mortes nesta faixa etária eram de apenas 20%.

Prefeitura investiu quase R$ 50 milhões
O orçamento municipal aprovado para este ano, dotou o departamento de Saúde com uma verba de R$ 49.139.585,00, a segunda maior verba orçamentária para 2023, ficando pouco abaixo do que será gasto com a Educação. Corresponde a 26,52% de todo o orçamento de 2023, que foi de R$ 185.250.000,00. Para o ano que vem, a verba para o departamento será de R$ 53.601.880,00, que perfaz 25,54% do total de R$ 209.837.700,00.
A Constituição obriga que os municípios gastem no mínimo 15% do orçamento na saúde e em Vargem, o investido é quase que o dobro. É um valor expressivo para fazer frente a todos os serviços prestados à população vargengrandense. A reportagem do jornal Gazeta de Vargem Grande pretende fazer um raio x da saúde do município para mostrar a população em números o que é gasto, onde é investido, qual o número de médicos, funcionários, postinhos, veículos, exames, cirurgias, etc, para que se tenha uma visão global de como funciona a saúde municipal.
A matéria deverá ser publicada em algumas edições, conforme o jornal vai apurando e entrevistando as pessoas responsáveis pelo setor.

Uma grande estrutura para atender a população
O atendimento à saúde primária da população de Vargem Grande do Sul está centrado nos onze postinhos de saúde que existem no município. Com a universalização do atendimento médico à população após a Constituição de 1988, com a criação do SUS, os postinhos passaram a abrigar as Equipes de Saúde da Família (ESF), onde trabalham além do médico, enfermeiros e/ou dentista, também os agentes comunitários.
Já as Unidades Básicas de Saúde (UBS), segundo explicou Alessandra Lodi, auxiliar de enfermagem e responsável pela Saúde Básica do Município é composto apenas por atendimento médico, enfermagem e/ou dentista, enquanto as ESF é um bônus em uma UBS, ou seja, uma UBS se torna ESF quando é acrescido o programa de agente comunitários de saúde, sendo que atualmente todas as UBSs do município têm agentes comunitários.
As ESFs estão localizadas nos seguintes bairros de Vargem: Jd. Dolores, ESF I, dr. Natalino Lopes Aliende; Jd. Sta. Marta, ESF IV Benedito Martins; Jd. São José, ESF II, dr. Fausto Ferraz; Jd. Paulista, ESF III, dr. Arcelino Anadão; Jd. Sto. Expedito, ESF VI, dr. Valério Sebastião Fernandes; Vila Sta. Terezinha/Santana, ESF XIII e XIV, dr. Nabil Zarif; Jd. Iracema, ESF IX, dr. Lauro Corsi; Vila Polar, ESF X e ESF XI UBS dr. Edward Gabriolli e no Centro, ESF XII, dr. Renato Jonas Milan.
Para os atendimentos de urgência e emergência, existe o Posto de Pronto Atendimento (PPA) Alfeu Rodrigues do Patrocínio, localizado na Av. Walter Tatoni, Vila Santana, perto do Hospital de Caridade e cujo prédio está passando por ampla reforma, devendo ficar pronto no início do ano que vem. Atualmente funcionando provisoriamente com médicos 24 horas no Centro de Saúde Dr. Gabriel Mesquita.
A prefeitura ainda conta com o Serviço de Atendimento de Saúde Psicossocial (SASP) dr. Ernani de Andrade e Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Pr. Pedro Marques da Silva, localizados no Centro, com especialistas em psiquiatria, equipe multidisciplinar constituída de psicólogos, assistente social, terapia ocupacional, fonoaudióloga, enfermeiros e técnicos em enfermagem.
Outro importante órgão da saúde municipal é o Centro de Especialidades Médicas (CEM) Itamar Della Nina Cerva, localizado na Via Expressa Antônio Bolonha, antiga UPA, que cujos médicos atendem especialidades como geriatria, dermatologia, neuropediatria, ortopedia, cardiologia e vascular.
Para as mulheres, o município conta com o Centro de Atendimento à Mulher (CAM) Ordália Duzi Moraes, localizado próximo ao Hospital de Caridade, onde prestam serviços médicos da área de ginecologia e obstetrícia, além de uma equipe multidisciplinar voltada ao atendimento de gestante.
Ainda fazem parte da rede de atendimento à saúde do vargengrandense, o Centro Odontológico (CO) e o Centro de Especialidades Odontológicas (CEO), sendo que na região, somente Vargem Grande e São João da Boa Vista oferecem à população este tipo de atendimento. Ainda oferece o Centro de Fisioterapia, com duas salas amplas equipadas com moderna aparelhagem, sendo uma no PPA e outra no Jd. Dolores; a Vigilância em Saúde (VISA), que engloba a Vigilância Sanitária e Epidemiológica e a Farmácia Municipal.
Na próxima edição, o jornal vai falar da entrevista com a diretora de Saúde, Maria Helena Zan, enfocando o número de médicos, funcionários, exames fornecidos, remédios oferecidos pela rede municipal, veículos e outros fatores que tornam a saúde municipal um dos principais pilares da administração pública, consumindo em torno de R$ 4 milhões por mês na assistência à saúde dos vargengrandenses.

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