
Estudantes brasileiros do ensino básico começaram o ano de 2025 sem celular na escola, durante aulas, intervalos e atividades extracurriculares. No dia 13 de janeiro foi sancionada a Lei 15.100/2025, que proíbe o uso de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais em escolas públicas e privadas de todo o país. O objetivo da lei é proteger a saúde mental, física e psíquica das crianças e adolescentes.
A proibição de celulares nas salas de aula visa criar um ambiente mais propício ao aprendizado, minimizando distrações e promovendo o foco nas atividades pedagógicas. A medida tem como objetivo equilibrar o uso da tecnologia na educação, garantindo que ela seja uma aliada no processo de ensino, sem comprometer a atenção e o desenvolvimento dos estudantes.
Com o fim das férias de julho a reportagem da Gazeta de Vargem Grande ouviu a coordenadora de gestão pedagógica da escola Benjamin Bastos, Paula Dutra Sati de 50 anos, que relatou, que ao contrário do que muitos imaginavam que seria difícil para os alunos se adaptar, o resultado surpreendeu: “atenção redobrada nas aulas, mais participação e uma convivência muito mais saudável”, disse a profissional à Gazeta.
“Nos intervalos, em vez de rostos escondidos atrás de telas, vemos grupos conversando, rindo, lendo e brincando. A socialização floresceu. E até os próprios alunos ajudam a manter a regra, denunciando quando alguém tenta burlar o combinado,” comentou Paula.
Ela explicou também, que o trabalho de conscientização já acontecia antes mesmo da lei, mas a concretização é contínua e diária, tanto com os estudantes quanto com as famílias, para lembrar que redes sociais precisam de uso responsável. “Afinal, muitos problemas começam com boatos online, e é na prevenção que se constrói um ambiente escolar mais seguro e acolhedor”, destacou.
“Hoje, todos sabem, dentro da escola, o foco é estar presente de corpo e mente. E a experiência mostra que, quando desconectamos das telas, nos conectamos de verdade uns com os outros.”
Na escola Benjamin Bastos, “a mudança está sendo positiva, inclusive nos resultados referentes à aprendizagem” finalizou.
Maior concentração e melhores notas
Reportagem publicada pelo jornal Valor Econômico em julho mostrou que relatórios e levantamentos preliminares sobre a aplicação da lei indicam avanços no desempenho acadêmico, maior socialização entre os alunos e uma redução significativa nos casos de cyberbullying. Em São Paulo, onde a legislação sobre o uso de celulares é mais restrita, levantamento divulgado pela empresa DW apontou aumento médio de até 20% nas notas dos alunos no segundo bimestre, em comparação ao mesmo período de 2024.
A mesma reportagem ressaltou que um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) feito com 210 estudantes do Distrito Federal mostrou que 66% perceberam aumento na comunicação entre colegas desde a entrada em vigor da nova legislação. Entre alunos de escolas privadas, a pesquisa identificou ainda um ganho na concentração em sala de aula.
Além disso, o Relatório de Tendências de Comportamento Digital 2025 trouxe dados que apontam a redução de 28% nos casos de cyberbullying nas escolas que passaram a aplicar as restrições previstas na lei.












