Um dos momentos que mais simboliza as festas de final de ano, a ceia de Natal, é o ponto alto da noite de 24 de dezembro. Pratos preparados com muito carinho, reunião em família e amigos, mesa cheia, e aquela pequena confusão que aquece o coração e enche a barriga dos convidados. Mas essa tradição, que cada família interpreta da sua maneira, tem como origem uma mistura de tradições e heranças religiosas que encontraram no Brasil o seu tempero particular.
A origem da ceia é ligada aos antigos banquetes do solstício de inverno, dia mais curto do ano, que marca o início desta estação no Hemisfério Norte. Muito antes da celebração do Natal cristão, povos germânicos e nórdicos festejavam o Yule, por volta do dia 21 de dezembro, pedindo pelo retorno da luz, coragem para se enfrentar o período crítico do inverno e a continuação da vida. A festa era marcada por rituais de agradecimento, consumo de alimentos armazenados para o inverno e celebrações comunitárias.

Com a cristianização da Europa, muitos desses rituais foram incorporados ao calendário religioso. A partir do século IV, quando a Igreja passou a celebrar o nascimento de Jesus em 25 de dezembro, a refeição festiva transformou-se em símbolo de união e comunhão entre fiéis. A tradição de compartilhar uma refeição sagrada foi central para fortalecer o sentido comunitário da data.
E no Brasil, a chegada dos colonizadores portugueses e, posteriormente, de imigrantes italianos, espanhóis e alemães trouxe ao Brasil não apenas o cristianismo, mas uma diversidade gastronômica que foram incorporados à ceia. Assim, o bacalhau português, as rabanadas, o panetone de influência italiana e os assados de origem germânica passaram a conviver com as frutas tropicais, farofa, salpicão, arroz à grega, pratos de origem bem brasileira.

O antropólogo Roberto DaMatta, explica que o Natal no Brasil adquiriu um significado afetivo muito forte. “A ceia é o momento em que a família reafirma sua união, reencena suas memórias e expressa sua identidade”, afirma no livro O que Faz o Brasil, Brasil?.
Assim, inspirada em costumes europeus e cristãos, a ceia brasileira tornou-se única, unindo pratos de diversas origens e temperos. E nada mais brasileiro do que cada família ainda criar e manter suas próprias tradições neste momento de celebração e união. E para ajudar quem ainda não decidiu o cardápio, o Guia de Natal da Gazeta traz nas próximas páginas sugestões que os talentos da culinária vargengrandense enviaram especialmente para este ano. Confira!












