Esporte transforma a vida e o desenvolvimento de criança com TEA

O goleiro vem se desenvolvendo dentro e fora das quadras

O esporte é uma importante ferramenta de inclusão e desenvolvimento para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), promovendo ganhos que vão além do condicionamento físico. Em Vargem Grande do Sul, um exemplo é o handebol, que vem possibilitando que crianças e adolescentes com autismo encontrem no ambiente esportivo um espaço de acolhimento, socialização e superação de desafios, como relata Geisa Leandrin, mãe de Gustavo Leandrin de Oliveira, em entrevista ao Jornal Gazeta de Vargem Grande.
O Transtorno do Espectro Autista é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por dificuldades na comunicação e na interação social, além da presença de comportamentos e interesses restritos ou repetitivos. O espectro abrange indivíduos com diferentes características e níveis de suporte, o que faz com que cada pessoa autista seja única. Entre os desafios enfrentados no dia a dia estão a sensibilidade sensorial a sons e luzes, a resistência a mudanças na rotina, a seletividade alimentar, os distúrbios do sono e, em muitos casos, quadros de ansiedade.
Segundo especialistas, o diagnóstico precoce do autismo é fundamental para o desenvolvimento da criança, pois permite intervenções que favorecem a aquisição de habilidades sociais, comunicativas e de autonomia. A intervenção antecipada também auxilia as famílias a compreenderem melhor as necessidades dos filhos e a adotarem estratégias adequadas para o seu desenvolvimento ao longo da vida.
Nesse contexto, o esporte tem papel relevante como recurso terapêutico complementar. Segundo artigo publicado no blog da organização Autismo e Realidade, a prática esportiva regular contribui para o desenvolvimento motor, melhora a coordenação, o equilíbrio e o tônus muscular. Do ponto de vista emocional, auxilia na redução da ansiedade e de comportamentos repetitivos, enquanto, no aspecto social, favorece a interação, o aprendizado de regras, a autoconfiança e o senso de pertencimento.
Existem modalidades esportivas especialmente indicadas para pessoas com TEA por oferecerem previsibilidade, organização e estímulos sensoriais controlados. A natação, por exemplo, é amplamente recomendada por auxiliar na regulação sensorial por meio da temperatura e da pressão da água, além de promover relaxamento e fortalecimento muscular. As artes marciais se destacam pela disciplina, rotina e repetição de movimentos, que favorecem o autocontrole e a organização mental. Já esportes individuais e coletivos, como boliche, hipismo, futebol, basquete e handebol, contribuem para o planejamento motor e o desenvolvimento das habilidades sociais.

Gustavo
É nesse cenário que se insere a história de Gustavo Leandrin de Oliveira. De acordo com sua mãe, Geisa Leandrin, o menino iniciou no handebol em 2023 por meio das aulas oferecidas pelo Departamento Municipal de esportes e Lazer da Prefeitura de Vargem Grande do Sul. O responsável pelo projeto é o professor Juliano Garcia. Atualmente, Gustavo treina no ginásio poliesportivo do município, espaço que se tornou fundamental para sua evolução esportiva e pessoal.
Geisa relata que o início no handebol foi marcado por dificuldades de adaptação. Durante cerca de dois anos, Gustavo treinou em diferentes posições dentro da quadra, mas não conseguia se desenvolver plenamente no jogo. Ela lembra que as dificuldades geravam frustração e, em muitos momentos, desencadeavam crises. Apesar disso, a família optou por persistir, mantendo o incentivo e o acompanhamento constante.
A virada aconteceu quando Gustavo passou a treinar como goleiro. A identificação com a posição foi imediata. A partir desse momento, sua mãe contou à Gazeta que ele apresentou melhora significativa no desempenho, maior concentração e segurança durante os treinos e jogos. Como goleiro, Gustavo começou a disputar campeonatos em outras cidades e, desde então, acumula conquistas importantes, incluindo títulos e prêmios individuais.
Segundo Geisa, o esporte trouxe impactos positivos que vão além das competições. O handebol proporcionou socialização, novas amizades e ajudou Gustavo a lidar melhor com frustrações relacionadas a vitórias e derrotas, fortalecendo seu equilíbrio emocional e sua autonomia.
Para a mãe, experiências como a do filho reforçam a importância da conscientização sobre o autismo em diferentes setores da sociedade, como escolas, saúde, projetos sociais e eventos comunitários. A informação e o respeito são fundamentais para reduzir preconceitos e promover a inclusão e a valorização da neurodiversidade.
Outro ponto destacado por Geiza é a necessidade de políticas públicas que incentivem o esporte inclusivo, especialmente por meio da capacitação de professores e profissionais de educação física, garantindo práticas mais acessíveis e ambientes preparados para atender pessoas com deficiência.
Nesse processo, a família exerce papel essencial como suporte emocional, incentivando e acompanhando a criança na prática esportiva. Em conjunto com o professor, que atua como mediador, é possível transformar o ambiente esportivo em um espaço verdadeiramente inclusivo.

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