A professora Lucila Garcia (PSD), que já disputou uma eleição municipal buscando uma vaga como vereadora em 2024, agora parte em busca da eleição para deputada federal. O Estado de São Paulo terá para as eleições de 4 de outubro um total de 1.118 candidatos a deputado federal e 1.421 candidatos a deputado estadual.
O deputado federal é o parlamentar responsável por representar os interesses do Estado na Câmara dos Deputados, em Brasília, atuando na elaboração e votação de leis de abrangência nacional, além de fiscalizar os atos do Poder Executivo federal. Entre suas principais ferramentas está a destinação de emendas parlamentares, recursos que podem ser direcionados diretamente a municípios para investimentos em áreas como saúde, educação, infraestrutura e assistência social.
Dessa forma, ter representantes da cidade e da região em Brasília amplia as chances de o município conseguir maior atenção e verbas federais para suas demandas locais. Nesta semana, a Gazeta de Vargem Grande traz a entrevista com a professora Lucila, que pela primeira vez, busca uma vaga de deputada federal. Confira a entrevista:
Gazeta de Vargem Grande: O que te motivou a disputar uma cadeira em Brasília? Houve algum momento ou experiência que despertou essa decisão?
Professora Lucila: Sempre fui uma pessoa politicamente ativa. Desde a infância, defendo minhas convicções nos diferentes espaços em que atuo: como estudante, entre amigos e familiares, na Pastoral da Juventude, no Caminho Neocatecumenal da Igreja Católica, como cidadã e, especialmente, como servidora pública.
Acredito que a vida exige um comportamento político. Política e cidadania são conceitos complementares: a primeira está relacionada à construção e ao governo da coletividade; a segunda, ao direito de participação dos cidadãos. No Brasil, esse direito foi conquistado ao longo da história por grupos que antes eram excluídos, como mulheres, negros, indígenas, pobres e analfabetos. Por isso, a cidadania e seu exercício sempre foram valores fundamentais para mim.
Minha formação cidadã vem da minha família. Meus pais me ensinaram a nunca me sentir inferior a ninguém, a cumprir meus deveres, exigir o respeito aos meus direitos e valorizar as diferenças.
Apesar de sempre ter sido bastante politizada e filiada a partidos políticos, por muitos anos recusei convites para disputar cargos eletivos. Ainda assim, exerci frequentemente papéis de liderança e representação. Esse cenário mudou durante a luta pelo pagamento do Piso Nacional do Magistério, quando passei a atuar de forma mais incisiva no debate público.
Em março de 2023, fui convidada a representar os professores do Brasil em uma audiência da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados. Durante os 12 minutos em que ocupei a tribuna, apresentei as demandas da categoria e recebi o reconhecimento de professores, autoridades e lideranças políticas de todo o país, que estavam ali presentes. Muitos afirmaram que minha atuação era necessária na política institucional, e essa experiência marcou um ponto de virada na minha trajetória.
Compreendi que as pautas que defendo, especialmente na educação, precisam ser debatidas em âmbito federal por pessoas que conhecem a realidade cotidiana das escolas. Por isso, aceitei o convite da Dra. Alda Marcoantônio, presidente do PSD Mulher, posteriormente reforçado pelas direções estadual e nacional do partido, para concorrer ao cargo de deputada federal.
Gazeta: Como sua trajetória como professora influencia a forma como você enxerga a política e as pautas que pretende defender?
Lucila: A minha trajetória como professora, o meu dia a dia nas escolas convivendo com as mais diferentes pessoas (alunos, professores, famílias) em situações maravilhosas e em outras muito difíceis, me forjaram a mulher que sou hoje, capaz de defender com muita convicção e propriedade tudo o que acredito ser necessário para que a educação evolua e para que as pessoas vivam com mais oportunidades e dignidade.
Gazeta: Quais são suas expectativas para essa primeira candidatura a um cargo federal? Como tem sido essa preparação?
Lucila: Tenho muita consciência de que é um pleito muito difícil, que são necessários milhares de votos para me eleger. Porém, só não tem chance de vencer quem não entra no jogo. Acredito que eleita ou não o resultado será altamente positivo. Todo processo de preparação de uma campanha eleitoral tem suas doçuras e dificuldades e penso que tudo isso é maravilhoso. Traz novos olhares, novos contatos, conhecimento de demandas muito importantes que são diferentes das minhas… Tem sido enriquecedor. Certamente sairei dessa experiência muito melhor do que entrei.
Gazeta: Quais serão as bandeiras centrais da sua campanha?
Lucila: As minhas principais bandeiras são a valorização dos professores das redes municipais e estaduais, a educação e a escola pública de qualidade, a valorização do funcionalismo público como um todo, pois estamos sendo cada vez mais humilhados, desvalorizados e desrespeitados (em todas as esferas: municipal, estadual e federal) e o desenvolvimento da nossa cidade e da nossa região, trazendo recursos mais robustos e buscando oportunidades de trazer investimentos que gerem empregos e melhores salários para que as pessoas possam viver melhor sem a necessidade de se mudar daqui. É muito clara a diferença de oportunidades e de desenvolvimento das cidades e regiões que tem um deputado em Brasília ou em São Paulo. Nós precisamos de uma representatividade nossa no Congresso, isso seria abrir uma porta de Brasília aqui em Vargem Grande do Sul.












